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Ibovespa sobe com ações da Petrobras enquanto espera por Fed e Copom

Por Pablo Vinicius Souza
16 setembro 2019 - 18:14

Depois de rondar a estabilidade a maior parte do dia, o Ibovespa fechou em leve alta nesta segunda-feira (16), impulsionado pela valorização superior a 4% das ações da Petrobras (PETR3/ PETR4).

A estatal brasileira acompanhou a disparada dos preços do petróleo no cenário internacional e se sobressaiu à queda do setor bancário, que reagiu intensamente ao agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

No último sábado, ocorreu um ataque de drones às instalações da empresa Saudi Aramco, a maior petroleira do mundo, que fica na Arábia Saudita.

Os bombardeios geraram uma perda de quase metade da capacidade produtiva da refinaria saudita, comprometendo cerca de 6% da produção global do óleo bruto.

 A autoria do atentado foi reivindicada por um grupo de rebeldes da etnia houthis, residentes no Iêmen, porém, o governo dos Estados Unidos está acusando o regime iraniano de ser o mandatário da ação.

No final da sessão, os contratos futuros de petróleo dispararam quase 15%, renovando patamares não vistos desde 2008, no período que antecedeu a crise financeira.

A situação da commodity energética renovou as expectativas pelas reuniões do Federal Reserve, nos EUA, e do Comitê de Política Monetária (Copom), no Brasil, que estão previstas para a próxima quarta-feira (18).

Diante de tantas incertezas, é possível que os acontecimentos recentes possam influenciar na decisão de política monetária dos Bancos Centrais, embora o cenário ainda seja favorável a flexibilização das taxas de juros.

Esse episódio deverá reforçar o sentimento de cautela nos investidores, uma vez que corrobora com novas pressões sobre o desenvolvimento da economia global, além de impor riscos inflacionários ao processo.

Como resultado, a Bolsa brasileira subiu 0,17% aos 103.680 pontos, anotando um volume financeiro de R$16,280 bilhões.

Dólar fecha estável com petróleo e BCs 

Em um dia de oscilações contidas, o dólar comercial encerrou em alta marginal de 0,05% contra o real brasileiro, sendo cotado a R$4,0890 na venda.

O desempenho do câmbio próximo à estabilidade pode ser explicado por acontecimentos simultâneos no exterior, como os ataques à petroleira saudita, os dados mais fracos na China e as expectativas pelas reuniões dos Bancos Centrais.

Com a dispara dos preços do petróleo no mercado internacional, a divisa americana subia contra as moedas dos países importadores do produto, como Turquia e Índia.

Por aqui, o real se mantinha firme na paridade contra a moeda dos EUA, devido ao cenário otimista precificando um corte na taxa Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), previsto para a próxima quarta-feira (18).

Na mesma data, o Federal Reserve decidirá sua política de juros e, por isso, o mercado tem adotado uma postura de maior cautela, considerando a imprevisibilidade da opinião majoritária dos dirigentes frente aos últimos acontecimentos.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros fecharam em queda ao longo de toda a curva, pressionados pelos temores de que a elevação dos preços da commodity possa acentuar o ritmo de desaceleração da economia global.

Outro fator que influenciou o comportamento das taxas foram os sinais de esfriamento da economia chinesa, que apesar de todas as medidas contracíclicas adotadas, ainda não atingiu tração na retomada dos patamares de crescimento.

A partir disso, pode-se traçar uma dinâmica de múltiplos fatores que interferem diretamente no desempenho da atividade global e que podem contribuir para o ambiente de juros mais baixos.

O DI junho/2020 caiu para 5,09% (5,17% no ajuste anterior), o DI janeiro/2023 declinou para 6,37% (6,49% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2028 recuou a 7,42% (7,50% no ajuste anterior).

Petróleo dispara 15% com ataques à petroleira Saudita

Os contratos futuros de petróleo fizeram um pregão histórico nesta segunda-feira (16), fechando em alta de quase 15% reagindo aos ataques às instalações da companhia Saudi Aramco, a maior petroleira do mundo.

Os bombardeios foram realizados por meio de drones e comprometeram metade da capacidade de produção da Arábia Saudita, resultando na perda de aproximadamente 5,7 milhões de barris/dia ou 6% da produção global.

Após o ocorrido, os preços da commodity saltaram rapidamente devido à preocupação dos investidores com os impactos sobre os níveis globais da oferta.

Avaliações publicadas pela Reuters e pela Bloomberg sinalizaram que a normalização das atividades da Saudi Aramco poderá levar semanas ou, até mesmo, meses para alcançar os patamares normais, o que impulsionou o avanço das cotações.

No entanto, autoridades da Arábia Saudita se pronunciaram afirmando que boa parte das atividades afetadas seriam restabelecidas ainda hoje.

Visando tranquilizar o mercado quanto à oferta, o presidente Donald Trump autorizou o uso das reservas estratégicas americanas de óleo bruto, caso seja necessário.

Mesmo assim, segundo análise do ING, os estoques extras da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não seriam suficientes “nem de perto” para suprir a ausência da produção saudita.

O chefe do Executivo dos EUA também avaliou a situação, responsabilizando o Irã pelo ataque, embora um grupo de rebeldes do Iêmen (Houthi) tenha reivindicado a autoria.

Como resultado, o de petróleo WTI/outubro saltou 14,67%, fechando na cotação de US$62,90 o barril e o petróleo Brent/novembro disparou 14,61%, sendo negociado a US$69,02 o barril.

Noticiário Corporativo: Rumo prevê emissão de debêntures de R$1 bilhão

A empresa Rumo (RAIL3) realizará uma oferta inicial de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, no valor de R$1 bilhão em recursos à vista, podendo ser acrescidos papeis adicionais.

Segundo informações da companhia, o montante decorrente da captação será direcionado às suas controladas Rumo Malha Sul, que receberá R$203 milhões, e Rumo Malha Central, que será contemplada com o restante.

“Os recursos captados pela emissora em decorrência de debêntures adicionais, caso emitidas, serão transferidas em sua totalidade à Rumo Malha Central” – explicou a operadora ferroviária.

No prospecto da emissão consta que as controladas da Rumo utilizarão os valores em projetos de investimento em infraestrutura na área de transporte e logística do setor ferroviário.

O documento também detalha que a captação representará aproximadamente 25,28% das necessidades atuais do Projeto Malha Sul e cobrirá cerca de 29,26% da necessidade de aporte no Projeto Malha Central.

As duas séries de debêntures terão prazo de vencimento de dez anos, a partir da data de emissão, cuja data está prevista para 15 de outubro.

A companhia destacou que devido à oferta de debêntures, o conselho de administração da companhia decidiu descontinuar a publicação das projeções financeiras (guidance).

Movimentações na B3  

 As ações de maior liquidez da Bovespa encerraram entre perdas e ganhos para alguns setores, reagindo ao salto do petróleo. A seguir, as máximas do mercado à vista:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo16/0819/08Ativo16/0819/08
Petrobras (PETR3)-0,45%+1,36%Vale (VALE3)-0,46%-0,09%
Petrobras (PETR4)-1,32%+0,50%Embraer (EMBR3)-0,28%-0,28%
Eletrobras (ELET3)+2,60%-1,81%Banco do Brasil (BBAS3)-0,26%-1,97%
Eletrobras (ELET6)+2,34%-0,71%Cemig (CMIG4)+3,05%+1,44%

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SETOR BANCÁRIOSETOR SIDERÚRGICO
Ativo15/0816/08Ativo15/0816/08
Itaú Unibanco (ITUB3)-0,69%+0,40%Usiminas (USIM3)+0,11%+0,53%
Santander (SANB11)-0,31%+0,47%CSN (CSNA3)-2,79%+1,94%
Bradesco (BBDC3)-0,84%+0,24%Gerdau (GGBR4)-4,25%+3,42%

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