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Ibovespa sobe 9,5% de olho na votação do pacote de medidas nos EUA

Por Pablo Vinicius Souza
24 março 2020 - 12:32

O Ibovespa opera em forte alta nesta terça-feira (24), impulsionado pela expectativa de aprovação do pacote de medidas proposto pelo governo americano.

A proposta que prevê a aplicação de até US$2 trilhões no combate ao coronavírus nos Estados Unidos será votada pelo Congresso.

O presidente Donald Trump admitiu estar otimista em relação ao posicionamento dos parlamentares, pois sabe que eles vão tomar a melhor decisão para apoiar a saúde financeira do país.

Na Ásia, a Coreia do Sul anunciou a injeção de US$80 bilhões para reaquecer a atividade local, que ainda está se recuperando da epidemia.

Os investidores ficaram muito animados com a notícia de que o governo chinês está preparando para afrouxar o bloqueio imposto a Wuhan, tendo em vista que o surto de contaminação foi controlado na região.

Além disso, houve uma estabilização do número de novos casos na Itália e em outros países adjacentes, sinalizando que a propagação da doença pode estar sendo contida no velho continente.

No Brasil, o mercado reagia às diretrizes e medidas de combate ao Covid-19 estabelecidas pelo governo federal para impedir que se instale uma recessão econômica ainda mais intensa.

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro voltou atrás e revogou um trecho de uma medida provisória que autorizava a suspensão dos contratos de trabalho por até 4 meses, durante esta crise sanitária.

A atitude do presidente não foi bem recebida por alguns setores da sociedade, que começaram a questionar a falta de comando por parte do chefe do executivo.

Na B3, o destaque vai para as companhias Multiplan (MULT3), Azul (AZUL4), BR Malls (BRML3) e BTG Pactual (BPAC11) que lideravam os ganhos do dia.

Ás 12h20 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira saltava 9,57%, aos 69.655 pontos, com um volume financeiro de R$6,152 bilhões.

Dólar é negociado a R$5,05 acompanhando o otimismo global

O dólar comercial opera em queda nesta terça-feira (24), acompanhando o otimismo dos mercados no exterior, frente à possibilidade de controle da epidemia na Europa.

Ontem, a Itália reportou uma diminuição dos novos casos de contaminação, sinalizando que o surto pode estar entrando em desaceleração.

Mesmo assim, as perspectivas seguem muito negativas, pois, os indicadores preliminares de maio mostraram uma queda maior do que o previsto pela União Europeia.

Na visão dos economistas da Goldman Sachs, a projeção é de declínio superior a 9% no PIB da zona do euro em 2020, refletindo a expansão do coronavírus.

Por aqui, os investidores repercutiam a queda de 1% nas vendas do varejo mensuradas em janeiro, que superou expressivamente as estimativas de baixa para o período.

A situação se torna ainda mais preocupante, pois este resultado não contempla os impactos financeiros da pandemia, apesar de evidenciar a fragilidade da economia brasileira.

O real valorizava contra a divisa americana, ancorado no desempenho de seus pares emergentes e na expectativa de alívio do sentimento de risco no cenário externo.

Ás 12h20 (horário de Brasília), o dólar comercial caía 1,54% contra o real, sendo cotado a R$5,0570 na venda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros apresentavam redução nas taxas em todos os períodos, com os agentes do mercado retirando o prêmio de risco dos ativos, precificando um novo corte na taxa Selic.

O DI outubro/2020 recuava 1,27% sendo negociado a 3,49% (3,51% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 declinava 4,11% sendo vendido a 8,39% (8,71% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Gerdau estrutura comitê de crise para superar queda nos negócios

A Gerdau (GGBR4) estruturou um comitê de crise para avaliar os impactos do coronavírus e elaborar planos de contingência para aplicar nos países em que atua.

Segundo a empresa, suas operações na Argentina e no Peru foram totalmente suspensas após os governos dos países vizinhos declararem situação de calamidade pública e estabelecerem quarentena para a população.

Nos Estados Unidos, as atividades da siderúrgica também estão paralisadadas, devido à contração na demanda do setor automotivo do país, após o surto do vírus.

No Brasil, a companhia ainda está produzindo parcialmente, porque nem todos os estados estabeleceram a situação de emergência e decretaram quarentena.

Contudo, as entregas dos clientes e o abastecimento às demais redes logísticas está sendo realizado normalmente, respeitando as leis de cada lugar, conforme destacou o comunicado da Gerdau.

Outras medidas também estão sendo tomadas, como o adiamento das iniciativas para o CAPEX 2020 e o desenvolvimento de projetos de investimento da siderúrgica.

Embora a atuação do comitê de crise seja decisiva para manter a saúde financeira e operacional da empresa, é importante lembrar que os bons resultados de 2019 vão contribuir para a superação deste momento de turbulências.

Na sessão de hoje, as ações ordinárias da Gerdau (GGBR3) subiam 3,94%, na cotação de R$7,92.


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