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Ibovespa sobe 7,5% com pacotão nos EUA e coronabonds na Europa

Por Pablo Vinicius Souza
25 março 2020 - 18:40

O Ibovespa encerrou em alta nesta quarta-feira (25), seguindo o movimento positivo no exterior impulsionado pelos estímulos financeiros nos Estados Unidos e da Europa.

Os investidores aguardaram ansiosos pela votação no Congresso americano do pacotão de estímulos no valor de US$2 trilhões, proposto pela equipe de governo de Donald Trump.

Contudo, uma disputa entre o democrata Bernie Sanders e alguns senadores republicanos, envolvendo dispositivos referentes ao seguro-desemprego, deve atrasar o pleito.

Mesmo assim, a expectativa é que a medida seja aprovada e os recursos sejam utilizados para minimizar os impactos do coronavírus na economia norte-americana.

Com isso, as principais Bolsas ao redor do mundo ganharam força para dar continuidade à trajetória de recuperação.

Em Wall Street, o Dow Jones subiu 2,39%, o S&P 500 saltou 1,15% e o Nasdaq Composto recuou 0,45%.

Na Europa, a euforia foi grande após a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, solicitar aos ministros das Finanças da zona do euro que avaliem a emissão de títulos extraordinários de dívida.

Os chamados “coronabonds” seriam papeis da dívida conjunta entre os Estados-membros do bloco econômico, que seriam emitidos por uma instituição europeia, mas destinados ao benefício de todos.

Tais recursos seriam aplicados em medidas de combate à epidemia do Covid-19, que vem se espalhando rapidamente e fazendo muitas vítimas no velho continente.

Embora alguns países já tenham se manifestado contra a alternativa, a maioria vê como uma luz no fim do túnel a maior crise sanitária do século.

No Brasil, o número de infectados pelo vírus saltou para 2.433 e o número de mortos alcançou 57, com forte concentração da epidemia na região sudeste.

O mercado reagiu negativamente ao discurso do presidente Jair Bolsonaro, que voltou a classificar a epidemia como um “resfriadinho” e defendeu o relaxamento da quarentena.

Segundo Bolsonaro, as pessoas precisam retomar a rotina de trabalho para a economia não entrar em colapso, sugerindo que apenas aqueles que compõem o grupo de risco devem ficar isolados.

Apesar das críticas, o líder brasileiro manteve a sua posição de condenar as autoridades regionais e locais que determinaram o fechamento de empresas, escolas e o comércio.

Na B3, as companhias Gol (GOLL4), Braskem (BRKM5), Cielo (CIEL3), Hering (HGTX3) e Usiminas (USIM5) acentuaram os ganhos nesta sessão.

Como resultado, a Bolsa brasileira avançou 7,5% na faixa de 74.955 pontos, com um volume financeiro de R$28,6 bilhões.

Dólar fecha a R$5,03 com exterior positivo e auxílio financeiro nos EUA

O dólar comercial caiu 0,93% nesta quarta-feira (25), fechando na cotação de R$5,0316 na venda, refletindo a melhora do cenário externo.

O apetite ao risco foi renovado nos mercados internacionais após republicanos e democratas chegarem a um acordo no Congresso americano para aprovar o pacote de auxílio financeiro no valor de US$2 trilhões.

Os recursos serão empregados no combate ao coronavírus, que já infectou mais de 60 mil pessoas no país e levou a óbito cerca de 827.

Os investidores ficaram muito animados com a proposta, que evidenciou o compromisso do governo dos EUA em assumir a responsabilidade de prover liquidez ao país neste momento de turbulências.

No Brasil, o Banco Central atuou no câmbio, vendendo integralmente os US$3,3 bilhões de recursos ofertados, através de um leilão de linha, com compromisso de recompra.

Isso arrefeceu a demanda por moeda estrangeira e viabilizou o fortalecimento do real nesta sessão, apesar do avanço da epidemia.

O ministério da Saúde reportou 2.433 casos confirmados de infecção pelo Covid-19 e contabilizou 57 mortos, mas, especialistas da área estimam que estes números devem estar subavaliados.

Um fator que adicionou volatilidade às negociações foi o discurso que o presidente Jair Bolsonaro realizou em cadeia nacional, voltando a menosprezar os impactos do vírus, defendendo que todos retornem ao trabalho.

O pronunciamento não foi bem recebido por parlamentares da base e da oposição, além de gerar fortes críticas por setores estratégicos e ligados à saúde.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram em forte queda, com os investidores retirando o prêmio de risco dos ativos, frente à possibilidade de o país enfrentar uma redução da taxa Selic ainda maior.

O DI dezembro/2020 caiu para 3,36% (3,59% no ajuste anterior), o DI julho/2023 declinou para 6,62% (7,30% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2026 recuou para 7,97% (8,75% no ajuste anterior).

Petróleo fecha em alta com exterior positivo e intervenção dos EUA na guerra de preços

Os contratos futuros de petróleo encerraram em alta nesta quarta-feira (25), refletindo o otimismo do exterior e a possível intervenção dos Estados Unidos na produção saudita.

O petróleo WTI/maio subiu 1,99%, fechando no valor de US$24,49 o barril; enquanto o petróleo Brent/maio avançou 0,88%, na cotação de US$27,39 o barril.

Pelo terceiro pregão consecutivo, os preços da commodity ganharam força com o aumento do apetite ao risco no exterior impulsionado pelo pacote de estímulos de US$2 trilhões proposto pelo governo americano.

A medida que visa minimizar os impactos financeiro do coronavírus nos Estados Unidos está prestes a ser aprovada pelo Congresso e deve assegurar a liquidez do mercado.

Outro fator que contribuiu com o bom desempenho das cotações foi a notícia de que os EUA devem intervir na guerra de preços, pressionando os sauditas a desacelerarem a produção para reduzir os níveis de oferta.

No âmbito do G-20, a Casa Branca pretende discutir uma resposta coordenada ao vírus, ao mesmo tempo em que busca finalizar a disputa entre a Arábia Saudita e a Rússia.

Isso porque, a queda dos preços do barril vem prejudicando a indústria energética americana, levando a um substancial aumento nos estoques.

Segundo o Departamento de Energia (DoE) dos EUA, houve um crescimento de 1,623 milhão de barris de petróleo aos estoques só na semana passada, totalizando 455,36 milhões de barris.

Apesar da intensa volatilidade, os investidores continuaram animados com o movimento de recuperação dos contratos, avaliando o comportamento de tais ativos na fronteira psicológica de US$25 por barril.

Noticiário Corporativo: Ações da Usiminas avançam 21% após acordo com fundo de pensão

A ações da Usiminas (USIM5) registraram forte valorização, após a companhia anunciar que chegou a um acordo com o fundo de pensão dos funcionários.

Concordando em extinguir o processo judicial iniciado em junho do ano passado, a siderúrgica aceitou receber R$393,9 milhões, que será pago em uma única parcela, em até 30 dias da data da homologação do acordo.

O objetivo principal do litígio era eximir a empresa de continuar arcando com parcelas mensais do programa de amortização do déficit do plano de Previdência Complementar.

Segundo avaliação do Morgan Stanley, a Usiminas obteve uma surpresa positiva com esta vitória e poderá utilizar o montante ressarcido para reforçar o caixa e manter os níveis de liquidez.

O banco destacou que a situação favorável seria apenas um acréscimo, visto que, os bons resultados de 2019, por si só, permitirão que a empresa navegue confortavelmente frente às turbulências.

Além disso, a alta nos preços do minério de ferro e a decisão de conceder férias coletivas aos funcionários neste período de crise sanitária também contribuíram com o bom desempenho dos ativos.

Na sessão de hoje, os papeis ON (USIM3) saltaram 21,08%, fechando na cotação de R$5,63.


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