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Ibovespa sobe 2,36% seguindo otimismo com a ação dos BCs e a reunião do G-7

Por Fast Trade
02 março 2020 - 18:53

O Ibovespa encerrou em alta nesta segunda-feira (02), acompanhando o movimento de recuperação visto nas principais Bolsas internacionais.

Os investidores ficaram eufóricos após os Bancos Centrais de diferentes partes do mundo se posicionarem favoráveis à concessão de mais estímulos para fazer frente aos impactos do coronavírus.

Na semana passada, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, renovou os ânimos do mercado ao afirmar que a instituição usará todas as ferramentas possíveis para apoiar a economia norte-americana.

Hoje, o Banco do Japão e o Banco da Inglaterra também se manifestaram favoráveis à adoção de medidas para assegurar a liquidez e a estabilidade financeira de seus países.

Na Europa, o Eurogrupo fará uma reunião de emergência na próxima quarta-feira para definir as estratégias e ações que serão utilizadas no apoio econômico aos países afetados pela doença.

A Itália, por exemplo, quer permissão para gastar cerca de 3,6 bilhões de euros nas regiões com maior incidência de casos confirmados, que já ultrapassaram a marca de 2 mil e anotaram 52 mortes.

Outro fator que contribuiu para o bom humor do momento foi a notícia divulgada pelo governo francês informando que os ministros do G-7 vão se reunir em uma teleconferência para planejar respostas ao avanço do Covid-19.

Diante disso, aumentaram as expectativas por uma ação global coordenada entre as autoridades políticas e financeiras para combater a doença, que já infectou cerca de 90 mil pessoas e levou à óbito mais de 3 mil.

No Brasil, embora apenas 2 casos de contaminação pelo vírus tenham sido confirmados até o momento, aproximadamente 433 pessoas estão sendo monitoradas sob suspeita.

Enquanto isso, crescem as tensões entre o governo federal e o Congresso, com os parlamentares focados na apreciação dos vetos do presidente Jair Bolsonaro à Lei de Diretrizes Orçamentárias e no marco do Saneamento.

Bolsonaro não quer que abrir mão dos US$30 bilhões em emendas parlamentares que ficarão sob controle dos deputados federais e senadores, ao mesmo tempo em que, os representantes legislativos exigem uma contrapartida da União.

Na B3, as companhias Hypera (HYPE3), CSN (CSNA3), Weg (WEGE3), Klabin (KLBN3) e Vale (VALE3) lideraram os ganhos.

Como resultado, a Bolsa brasileira disparou 2,36% aos 106.625 pontos, com um volume financeiro de R$24,713 bilhões.

Dólar fecha em R$4,48 com foco nos Bancos Centrais

O dólar comercial subiu 0,11% nesta segunda-feira (02), fechando na cotação de R$4,4860 na venda, alcançando o novo recorde nominal.

A expectativa por uma ação coordenada dos Bancos Centrais no mundo inteiro impulsionou a recuperação parcial dos ativos de risco, sobretudo, os emergentes.

Alinhados ao discurso do Federal Reserve, o Banco do Japão e o Banco da Inglaterra se manifestaram favoráveis à adoção de medidas de estímulo para apoiar o mercado financeiro.

Isso porque, o avanço do coronavírus já está impactando a economia global e a previsão é que atinja uma amplitude ainda maior nos próximos meses.

O real foi uma das poucas moedas que desviou do movimento positivo, registrando nova queda frente à divisa americana.

A moeda brasileira ainda apresenta viés de baixa devido às turbulências do cenário interno e às perspectivas de novos cortes de na taxa básica de juros.

Na esteira dos indicadores econômicos mais fracos, as exportações do país sofreram contração de 69,8% no primeiro bimestre, em comparação ao mesmo período do ano passado.

Além disso, os ruídos políticos entre o governo e o Congresso comprometem o avanço da agenda de reformas e afasta potenciais investidores estrangeiros.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram em expressiva queda, com as taxas de curto prazo atingindo o nível psicológico abaixo de 4%.

Com a percepção de que a ação coordenada dos Bancos Centrais também atingirá a política monetária do Brasil, os DIs passaram por uma intensa redução do prêmio de risco.

O DI novembro/2020 caiu para 4,01% (4,07% no ajuste anterior), o DI /2025 declinou para 5,93% (6,14% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 desceu para 6,44% (6,63% no ajuste anterior).

Petróleo avança 4% à espera de ação coordenada das autoridades monetárias

Os contratos futuros de petróleo encerraram em forte alta nesta segunda-feira (02), refletindo as expectativas pela ação coordenada dos Bancos Centrais para apoiar a economia mundial.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para abril, avançou 4,44%, precificado a US$46,75 o barril.

Já o petróleo Brent comercializado na ICE de Londres, para entrega em maio, saltou 4,48%, fechando na cotação de US$51,90 o barril.

Tendo em vista a intensa disseminação do Covid-19, as autoridades monetárias de diferentes países anunciaram a adoção de novos estímulos para assegurar a liquidez do mercado financeiro.

Além do Federal Reserve, o Banco do Japão e o Banco da Inglaterra se manifestaram formalmente no sentido de tomar todas as medidas possíveis para evitar uma contração mais acentuada na economia global.

Mais cedo, um dos membros do Comitê de Política Monetária do Banco Central Europeu (BCE), François Villeroy, afirmou que os Bancos Centrais participarão da reunião do G-7 para discutir medidas conjuntas de suporte às atividades.

Além disso, o Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional informaram que estão preparadas para “ajudar os países a enfrentar os desafios do coronavírus”.

Os investidores ficaram muito animados e decidiram renovar o apetite ao risco, impulsionado os preços dos ativos mais voláteis, sobretudo, as commodities.

Noticiário Corporativo: CVC desaba após a constatação de erros nos resultados corporativos

A CVC (CVCB3) passou por forte desvalorização nesta segunda-feira (02), reagindo às incertezas provocadas por possível erro na contabilização de alguns valores divulgados nos balanços corporativos.

Embora as demonstrações contábeis do terceiro trimestre de 2019 tenham passado pela avaliação da empresa de auditoria independente, KPMG, não houve qualquer ressalva técnica que indicasse a distorção.

Segundo a agência de turismo, a avaliação preliminar sinalizou que os valores transferidos aos fornecedores de serviços turísticos estavam divergentes quando comparados às receitas reportadas pelas referidas empresas.

Pelo que parece, o erro ocorreu na contabilização dos ajustes ao lançar os valores provisionados no momento da contratação dos serviços turísticos para posterior pagamento dos fornecedores, e os valores efetivamente pagos após a realização das viagens.

Até o momento, estima-se que o impacto ficará em torno dos R$250 milhões, considerando o período entre 2015 e 2019, o que representa 4% da receita líquida registrada até o final do terceiro trimestre do ano passado.

No relatório emitido pela KPMG em 2018, o auditor expressa que o reconhecimento de receita é um assunto importante para a auditoria, mas não faz qualquer menção à divergência.

O documento também ressalta a singularidade do negócio da CVC, que exige um processo complexo de conciliação para determinar a melhor forma de mensurar a receita de intermediação, prevalecendo, em grande parte, o julgamento na hora do registro.

Em nota ao Valor, a companhia de turismo disse que não há um prazo fixo para concluir o processo de apuração independente determinado pelo conselho de administração.

No final da sessão, as ações ordinárias da CVC (CVCB3) recuaram 9,44%, fechando na cotação de R$23,30. Em 2020, a empresa já perdeu cerca de 51% em valor de mercado devido ao avanço do coronavírus no mundo, o que culminou em sérios impactos para o turismo.


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