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Ibovespa sobe 1,34% com exterior positivo, resultados corporativos e agenda de reformas

Por Pablo Vinicius Souza
19 fevereiro 2020 - 18:45

O Ibovespa encerrou em expressiva alta nesta quarta-feira (19), acompanhando os movimentos positivos no exterior, as expectativas pelos resultados corporativos e a agenda de reformas.

Os investidores estão confiantes que os estímulos econômicos aplicados pelo governo chinês vão ajudar a conter o avanço do coronavírus e, ao mesmo tempo, conseguirão mitigar os impactos da epidemia.

Além disso, a China constatou uma desaceleração no ritmo de contágio do vírus, que já infectou 75.201 pessoas no mundo e levou à óbito mais de 2 mil.

Em mais uma medida de urgência, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação do gigante asiático informou que o governo conectará as fábricas às companhias de tecnologia para identificar possíveis gargalos na cadeia de suprimentos.

Com isso, será possível avaliar se há algum problema de desabastecimento nas unidades de produção que impeça o pleno retorno às atividades, após um longo período de suspensão.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, depois do susto provocado pelas declarações da Apple acerca do descumprimento de suas metas trimestrais, os índices americanos mostraram recuperação.

Em Wall Street, o Dow Jones subiu 0,40%, o S&P 500 avançou 0,47% e o Nasdaq Composto saltou 0,87%.

A publicação da ata da última reunião do Federal Reserve pouco causou pouco ou nenhum impacto nas movimentações, já que o posicionamento majoritário veio dentro do previsto.

Os integrantes da autoridade monetária se mostraram otimistas e confortáveis com a economia norte-americana, apesar dos riscos proeminentes que se acentuam no contexto internacional.

E enfatizaram que a instituição manterá uma postura de cautela e observação frente à situação na China, avaliando todo a conjuntura e os possíveis impactos, antes de tomar qualquer decisão sobre eventuais mudanças nos juros.

Por aqui, a agenda de reformas do governo voltou a ser o foco das atenções, sobretudo, após relatos indicarem que a PEC da reforma administrativa está prestes a ser enviada ao Congresso.

O andamento de tais medidas é o que está renovando os ânimos dos investidores, pois, os últimos indicadores revelaram que o país está longe de retomar os níveis adequados de crescimento econômico.

Na B3, as ações da Petrobras PETR3 PETR4 avançaram refletindo as expectativas pelos resultados corporativos da estatal, que serão divulgados após o fechamento do mercado.

Também contribuíam com o bom desempenho do índice geral a valorização das companhias do setor bancário e o salto de 9,22% da Weg (WEGE3), após a divulgação dos balanços.

Como resultado, a Bolsa brasileira saltou 1,34% aos 116.517 pontos, com um volume financeiro de R$17,845 bilhões.

Dólar avança a R$4,36 em meio a temores sobre o cenário interno

O dólar comercial subiu 0,16% nesta quarta-feira (19), fechando na cotação de R$4,3650 na venda, em reação à diferentes variáveis do cenário interno.

O real operou pressionado pela percepção de que a recuperação da atividade no Brasil não está alcançando o ritmo desejado e poderá demorar mais do que o mercado previa.

Além disso, boatos sobre a possível saída do ministro da Economia, Paulo Guedes, adicionaram volatilidade às negociações, culminando no aumento do sentimento de cautela.

Embora o presidente Jair Bolsonaro tenha afirmado que o ministro permanecerá no cargo até o final do mandato, os investidores optaram por reduzir a exposição ao câmbio.

Adicionalmente, as falas do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre os motivos da desvalorização do real também contribuíram com o viés de queda.

Ele ressaltou que a depreciação cambial não deteriorou a visão de risco sobre o país e disse que a autoridade monetária está acompanhando de perto para atuar se for necessário.

No exterior, a divisa americana apresentou desempenhos mistos, se fortalecendo no final do pregão após a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) nos EUA, que subiu 0,5% em janeiro.

A desaceleração do número de novos casos de contaminação pelo coronavírus na China e o anúncio de mais estímulos econômicos por parte do governo ajudaram a arrefecer os ânimos em geral.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram em queda acentuada, pressionados pela visão de que a atividade econômica deve permanecer fraca e os níveis de inflação continuarão abaixo da meta.

O DI setembro/2020 caiu para 4,13% (4,14% no ajuste anterior), o DI julho/2024 recuou para 5,83% (5,86% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 declinou para 6,36% (6,39% no ajuste anterior).

Petróleo avança 2% reagindo às sanções dos EUA à petroleira Rosneft

Os contratos futuros de petróleo encerraram em alta nesta quarta-feira (19), atingindo o maior valor registrado no mês de fevereiro.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para abril, saltou 2,38%, no preço de US$53,29 o barril.

Já o petróleo Brent comercializado na ICE de Londres, para entrega no mesmo mês, subiu 2,37%, fechando na cotação de US$59,12 o barril.

Os Estados Unidos decidiram impor sanções à petroleira russa, Rosneft, limitando suas atividades de exportação para os demais países.

O governo americano justificou a medida alegando que a companhia está recebendo petróleo da Venezuela como pagamento aos empréstimos feitos para a estatal petrolífera Petróleos de Venezuela S/A.

Devido ao regime totalitário instalado por Nicolas Maduro, o país sul-americano está sob sanção há cerca de dois anos, impedido de negociar no mercado internacional.

Diante disso, o presidente Donald Trump decidiu intervir, já que a Rosneft estava viabilizando o comércio da commodity venezuelana para os principais destinos de demanda.

Os investidores ficaram animados com a situação, visto que, haverá uma oferta menor de óleo bruto em circulação e isso pode ajudar a evitar um possível cenário de excesso.

Noticiário Corporativo: JBS anuncia aquisição da Empire Packing por US$238 milhões

Concretizando a sua estratégia de expansão, a JBS (JBSS3) informou a compra de uma participação acionária da empresa americana Empire Packing, por US$238 milhões.

Além de incluir a varejista Ledbetter Foods, a aquisição engloba cinco unidades produtoras localizadas em Cincinnati (Ohio), Denver (Colorado), Mason (Ohio), Memphis (Tennessee) e Olympia (Washington).

Por meio de um fato relevante, o frigorífico explicou que o seu objetivo central continua sendo diversificar a oferta de produtos e expandir o negócio.

A Empire Packing é especializada nas vendas de carne bovina e suína embaladas, no segmento conhecido no país como “case ready”.

O presidente da divisão JBS USA, André Nogueira, destacou que a “Empire é uma respeitada empresa familiar, com forte liderança e ativos de qualidade localizados em regiões estratégicas nos Estados Unidos”.

Atualmente, o mercado norte-americano responde por mais de 50% da receita da companhia, que é a líder global de proteína animal, dona de marcas expressivas como Friboi e Seara.

Na avaliação do Bradesco BBI, a compra está alinhada à estratégia corporativa de aumentar a exposição a alimentos processados, que poderão desencadear uma nova reprecificação de suas ações.

Segundo os analistas do banco, “após a solicitação do Senado dos EUA para investigar a JBS no final de 2019, essa transação parece confirmar que a agenda está se desenrolando”.

A instituição segue com recomendação de outperform para as ações da JBS (JBSS3), que na sessão de hoje, fecharam com valorização de 4,28%, na cotação de R$26,80 na B3.


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