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Ibovespa sobe 0,81% com estímulos na China e resultados corporativos

Por Pablo Vinicius Souza
17 fevereiro 2020 - 18:42

O Ibovespa encerrou em alta o pregão inaugural da semana, refletindo o otimismo com os estímulos econômicos na China e a temporada de resultados corporativos.

Com o feriado do Dia do Presidente nos Estados Unidos e o vencimento de opções sobre ações na B3, o dia foi de intensa volatilidade e grandes movimentações.

Pela manhã, o ministro das Finanças da China, Liu Kun, informou que o governo local planeja reduzir os impostos pagos pelas empresas para impulsionar as atividades.

Além disso, Pequim pretende injetar mais US$1,1 bilhão no sistema financeiro e o Banco Central do país anunciou o corte da taxa de empréstimos de médio prazo, que caiu de 3,25% para 3,15%.

As medidas adotadas visam dar suporte à economia do gigante asiático e objetivam impedir que o surto de coronavírus provoque um movimento de desaceleração ainda mais acentuado.

Os investidores avaliaram positivamente o esforço das autoridades chinesas para garantir a estabilidade mínima do país, tendo em vista o aumento exponencial dos casos de infecção pela doença.

Ao todo, cerca de 70.548 pessoas estão contaminadas e foram contabilizadas 1.770 mortes, segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Apesar do quantitativo alarmante, o número de novos casos vem diminuindo há 4 dias e isso renovou as esperanças do mercado quanto a um possível controle sobre a propagação do vírus.

Por aqui, o noticiário corporativo ofuscava o enfraquecimento dos indicadores econômicos, que começaram a lançar dúvidas sobre o potencial de crescimento do país em 2020.

Na visão dos economistas, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá sofrer impactos do exterior, subindo apenas 2,23% este ano, assim como a inflação (IPCA), que terminará os doze meses em torno de 3,22%.

Na renda variável, a Marfrig (MRFG3) liderou os ganhos da sessão, reagindo à expectativa pela divulgação dos balanços corporativos do quarto trimestre de 2019, que será divulgado amanhã.

Já Magazine Luiza (MGLU3), apresentando um dos maiores giros do dia, avançou devido aos balanços positivos, sobretudo, em relação ao aumento substancial do lucro líquido apurado no ano passado.

Em conjunto com as companhias já mencionadas, Totvs (TOTS3), IRB Brasil (IRBR3) e Vale (VALE3) ficaram no top 5 das ações que mais valorizaram na sessão de hoje.

Como resultado, a Bolsa brasileira avançou 0,81% aos 115.309 pontos, com um volume financeiro de R$13,160 bilhões.

Dólar retoma trajetória de alta e fecha cotado a R$4,32

O dólar comercial subiu 0,65% nesta segunda-feira (17), fechando na cotação de R$4,3270 na venda, retomando a trajetória de alta após duas intervenções consecutivas do Banco Central.

Na ausência de novos leilões de swap cambial, a divisa americana se fortaleceu no mercado interno, levando o real a apresentar o pior desempenho da sessão, dentre as 33 moedas mais líquidas do mundo.

Em dia de baixa liquidez devido ao feriado do Dia do Presidente nos Estados Unidos, é comum que a volatilidade de ativos de risco seja acentuada.

Embora as preocupações com o avanço do coronavírus tenham sido suavizadas com a adoção de novos estímulos pelo governo chinês, a moeda dos EUA continuou em valorização, assim como o ouro e os Treasuries.

Além disso, o real operou pressionado pelo enfraquecimento dos dados econômicos, que evidenciam a necessidade de um novo corte na taxa básica de juros, ainda que o Copom tenha decidido encerrar o ciclo de flexibilização.

Na semana passada, o rali de depreciação da moeda local só foi interrompido após a autoridade monetária realizar a venda de US$2 bilhões em contratos de swap cambial.

Apesar disso, alguns analistas acreditam que haverá um ajuste no dólar nos próximos dias, pois, tanto aqui quanto no exterior, a moeda está muito valorizada, graças à queda do euro e das commodities.

Mesmo assim, a tendência é que o câmbio alcance um novo patamar na faixa dos R$4,40, mantendo este como um parâmetro regular de longo prazo.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram mistos, devolvendo parte do prêmio de risco adicionado nos últimos dias.

Diante de novas revisões para baixo dos indicadores macroeconômicos, crescem as expectativas de que a taxa Selic permaneça em níveis baixos por muito tempo, forçando o ajuste nos DIs de curto prazo.

Já nos vértices intermediários e longos, o viés positivo do câmbio desencadeou um movimento de realização de lucros, fazendo as taxas apresentarem leve alta.

O DI setembro/2020 ficou estável, sendo negociado a 4,14%, o DI julho/2024 subiu para 5,85% (5,83% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 aumentou para 6,35% (6,33% no ajuste anterior).

Petróleo fecha em alta reagindo à política de estímulos na China

Os contratos futuros de petróleo encerraram em alta nesta segunda-feira (17), dando continuidade à trajetória de ganhos registrada na semana passada.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para abril, avançou 0,52%, no preço de US$52,59 o barril.

Já o petróleo Brent comercializado na ICE de Londres, para entrega no mesmo mês, subiu 0,61%, fechando na cotação de US$57,67 o barril.

O mercado reagiu muito bem aos estímulos econômicos anunciados pelo governo chinês para minimizar os impactos do avanço do coronavírus.

O Banco do Povo da China vai injetar cerca de US$1,1 bilhão no setor bancário e irá reduzir a taxa de juros dos empréstimos de médio prazo, que passará de 3,25% para 3,15%.

As medidas adotadas visam fazer frente às turbulências provocadas pela epidemia do vírus, que está se espalhando rapidamente pelo território chinês.

Nem mesmo os resultados mais fracos da atividade econômica do Japão, o terceiro maior importador líquido da commodity, conseguiram atrapalhar o otimismo dos investidores, conforme análise do ING.

Os contratos de óleo bruto permaneceram imunes aos relatos de proliferação da doença, se apegando à crença de que Pequim conseguirá controlar o surto e manter em equilíbrio a sua economia.

Noticiário Corporativo: Cosan prevê expansão em 2020 com melhora do ambiente macroeconômico

A Cosan (CSAN3) prevê uma expansão em todas as suas linhas de negócio em 2020, impulsionada pela melhora da economia brasileira e da redução dos custos de capital no país.

Segundo o gerente-executivo de relações com investidores, Phillipe Casale, a expectativa é grande e companhia projeta um resultado antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) entre R$5,9 bilhões a R$6,4 bilhões ao final do exercício.

O valor estimado é ligeiramente mais alto do que o reportado na última sexta-feira, de R$5,625 bilhões referente ao ano de 2019, evidenciando a visão de crescimento da empresa.

Em relação ao negócio da Raízen Combustíveis, o executivo disse que o cenário deve ser bastante parecido com o que foi visto no ano passado, com inúmeros desafios e oportunidades relacionados às flutuações nos preços.

“A demanda deve andar com o PIB e crescer cerca de 3%” – afirmou Casale, referindo-se ao mercado de combustíveis, no qual a Raízen opera.

Ele também explicou que, embora o Ebitda projetado pareça ser conservador, o intervalo de R$2,8 a R$3 bilhões que está orientando os resultados deste ano, não leva em consideração o desempenho das lojas de conveniência, que são lançados pela equivalência patrimonial.

Além disso, as vendas devem aumentar em um volume menor, devido à base de comparação e à retomada mais lenta do crescimento interno.

Mesmo assim, a Cosan está prevendo um ano muito bom para a Raízen, de grandes oportunidades e com a abertura de mais lojas de conveniência em postos, utilizando o modelo de franquias, com a marca Select.

Em relação ao interesse do grupo nas refinarias que serão vendidas pela Petrobras, o gerente-executivo informou que não há novidades por enquanto, já que a estatal adiou o processo de licitação em função da complexidade.

Entretanto, a Raízen passou para a segunda fase do processo de aquisição dos ativos e tem interesse especial nas plantas localizadas na região Sul do país.


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