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Ibovespa salta quase 10% após Congresso americano acenar para estímulos financeiros

Por Pablo Vinicius Souza
24 março 2020 - 18:34
saldo positivo do Ibovespa

O Ibovespa encerrou em expressiva alta nesta terça-feira (24), seguindo o otimismo dos mercados internacionais com a possibilidade de aprovação de um pacote de estímulos nos EUA.

O presidente Donald Trump enviou ao Congresso uma proposta que prevê a disponibilização de até US$2 trilhões em recursos para minimizar os impactos financeiros do coronavírus.

Na tarde de hoje, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, disse que democratas e republicanos estão muito próximos de um acordo para aprovar a medida.

A notícia impulsionou as principais Bolsas ao redor do mundo, pois evidencia o comprometimento do governo norte-americano em assegurar a liquidez da maior potência econômica global.

Em Wall Street, o Dow Jones subiu 11,3%, o S&P 500 avançou 9,38% e o Nasdaq Composto disparou 8,12%.

Apesar do alívio de hoje, os investidores continuaram atentos à rápida propagação do Covid-19 nos países europeus e na América do Sul.

Na Itália, depois de anotar redução no número de mortes por dois dias consecutivos, o país reportou 743 óbitos pela doença, atingindo o total de 6.820 vítimas fatais.

No Brasil, foram registrados 2.201 casos de infecção e 46 mortes, porém, especialistas indicam que este número deve ser 15 vezes maior, visto que, as pessoas assintomáticas ainda não estão sendo testadas.

O estado de São Paulo, que tem a metade dos casos de contaminação, entrou hoje em quarentena obrigatória, conforme decreto do governador, João Dória.

O referido diploma determinou, inclusive, o fechamento de todas as atividades comerciais não essenciais, pelos próximos 15 dias, para conter a disseminação do vírus.

Na B3, as companhias BTG Pactual (BPAC11), Grupo Natura (NTCO3), Lojas Americanas (LAME3), Lojas Renner (LREN3) e Magazine Luiza (MGLU3) lideraram os ganhos do dia.

Como resultado, a Bolsa brasileira avançou 9,69% na faixa de 69.729 pontos, com um volume financeiro de R$19,601 bilhões.

Dólar cai e fecha a R$5,08 com pacote de US$2 trilhões no radar

O dólar comercial caiu 1,05% nesta terça-feira (24), fechando na cotação de 5,0810 na venda, reagindo ao pacote de estímulos proposto pelo governo americano.

Depois de duas rejeições consecutivas no Senado, republicanos e democratas chegaram a um acordo para aprovar a proposta de auxílio à economia no valor de US$2 trilhões.

A expectativa pela liberação dos recursos impulsionou os ativos de risco no mundo inteiro, pois, a medida tentará restaurar os níveis de liquidez que vêm sendo afetados pelo avanço do coronavírus.

A divisa americana depreciou contra 29 das 33 principais divisas globais, com destaque para a coroa norueguesa (+3,94%) e o won sul-coreano (+3,03%).

Os investidores também repercutiram a queda de 1% nas vendas no varejo mensuradas em janeiro, superando as previsões dos economistas de baixa em apenas 0,4% no período.

O enfraquecimento do indicador acentuou as apostas de um novo corte na taxa Selic no curto prazo, o poderá pesar sobre o desempenho do real nos próximos meses, tendo em vista a perda de atratividade da moeda com a redução dos juros.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram em queda, com as taxas ao longo da curva precificando a continuidade da política de flexibilização monetária no Brasil.

Apesar de os riscos fiscais se apresentarem como um desafio, a fraqueza da atividade local mesmo antes de considerar os impactos do coronavírus, evidencia que os desafios macroeconômicos serão ainda maiores.

O DI janeiro/2021 caiu para 3,68% (3,77% no ajuste anterior), o DI outubro/2023 declinou para 7,57% (8% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2026 recuou para 8,76% (9,14% no ajuste anterior).

Petróleo registra sessão de recuperação com estímulos fiscais nos EUA

Os contratos futuros de petróleo encerraram em alta nesta terça-feira (24), refletindo o otimismo com a aprovação do pacote de estímulos nos Estados Unidos.

O petróleo WTI/maio subiu 2,78%, fechando no valor de US$24,01 o barril; enquanto o petróleo Brent/maio avançou 0,44%, na cotação de US$27,15 o barril.

Na sessão de hoje, os parlamentares americanos conseguiram chegar a um entendimento sobre a proposta de ajuda de US$2 trilhões para empregar no combate aos impactos do coronavírus.

O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, afirmou que as conversas com o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, foram muito boas e que a lista de questões pendentes relativas ao plano teve expressiva redução.

A notícia impulsionou o movimento de alta dos ativos de risco, sobretudo das commodities, que vêm sofrendo grandes perdas com a volatilidade do mercado nos últimos dias.

No mesmo sentido, os contratos de óleo bruto também foram apoiados pela notícia de que o governo americano poderá cooperar com a Arábia Saudita para aumentar os preços do barril.

Segundo o secretário americano de Energia, Dan Brouillette, o objetivo da aliança entre os dois países é estabilizar os preços do petróleo, aplicando medidas que acelerem a recuperação da demanda global.

Mesmo assim, o avanço da commodity foi moderado em comparação aos demais ativos de risco, devido às reiteradas projeções de excesso de oferta no curto prazo.

Noticiário Corporativo: Azul vai reduzir 90% dos voos para enfrentar impactos da pandemia

Como medida emergencial, a Azul (AZUL4) determinou a redução de 90% de sua capacidade operacional, para enfrentar os impactos do avanço do coronavírus.

A companhia manterá apenas 70 voos diários para 25 destinos no país, além de promover o corte de 65% nos custos e despesas com folha de pagamento durante o mês de abril.

A reestruturação foi possível graças à adesão de mais de 7.000 tripulantes ao programa de licença não-remunerada, correspondendo a pouco mais de 50% da força de trabalho da empresa.

Além disso, houve uma redução de 50% dos salários dos membros do comitê executivo e de 25% para gerentes, e ainda, há a possibilidade de contratar uma nova linha de crédito junto às instituições financeiras.

As medidas foram drásticas porque, segundo o presidente da Azul, John Rodgerson, nos próximos três meses, o cenário vai piorar ainda mais no setor aéreo.

“A situação é uma catástrofe econômica para todas as empresas aéreas no mundo. Acho que os próximos dois meses serão piores. Mas estamos trabalhando duro para superar esse período difícil” – disse o executivo.

Rodgerson ressaltou que os investimentos não prioritários também serão suspensos e haverá ampla renegociação das condições de pagamento para os parceiros da companhia.

“Estamos fazendo todos os esforços para preservar o nosso caixa e estou confiante de que vamos superar essa fase e sair fortalecidos dessa crise” – destacou.

No pregão de hoje, as ações da Azul (AZUL4) subiram 13,24%, fechando na cotação de R$16,17.


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