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Ibovespa salta mais de 2% após “alívio” momentâneo nas tensões EUA-China

Por Pablo Vinicius Souza
06 agosto 2019 - 18:48

O Ibovespa saltou no pregão desta terça-feira (06), acompanhando o clima de alívio que fez os índices de Wall Street renovarem as máximas em oito semanas.

O Dow Jones avançou 1,2%, o S&P 500 subiu 1,3% e o tecnológico Nasdaq Composto valorizou 1,4%.

A mudança de humor ocorreu depois que o assessor econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, declarou que o presidente Donald Trump deseja dar continuidade nas negociações comerciais com a China.

O governo americano baixou o tom após o Banco Central chinês atuar na estabilização de sua moeda local, definindo uma taxa diária para o yuan mais forte do que o esperado.

Com a medida, o governo da China afastou as acusações de manipulação cambial realizadas por Trump e demonstrou pulso firme na condução de sua política monetária.

Mesmo assim, o mercado continua em alerta já que o gigante asiático suspendeu as importações de produtos agrícolas dos EUA e Washington manteve a sua decisão de tarifar em 10% cerca de US$300 bilhões em produtos chineses.

Por aqui, os investidores aproveitaram as oportunidades de preço abertas pela queda de ontem e se concentraram nas ações dos setores de varejo, educação e consumo, que se qualificam como boa alternativa frente à um ambiente de incertezas globais.

As blue chips Vale (VALE3), Petrobras (PETR3/ PETR4), Itáu Unibanco (ITUB3) e Bradesco (BBDC3) anotaram ganhos superiores a 2%.

Como resultado, a Bolsa brasileira disparou 2,06%, aos 102.163 pontos, registrando um volume financeiro de R$13,8 bilhões.

Dólar faz pregão de ajustes técnicos e fecha próximo à estabilidade

Depois de uma sessão de forte aversão ao risco nos mercados, o câmbio local teve um dia de movimentos contidos, oscilando entre perdas e ganhos.

Novamente, as tensões comerciais entre Estados Unidos e China protagonizaram as transações, impulsionando um amplo ajuste de posições.

Após o governo americano anunciar sua intenção de prosseguir com as negociações junto à Pequim, um clima de alívio misturado com cautela prevaleceu nos negócios em geral.

No fechamento, o dólar comercial fechou com queda marginal de 0,04%, sendo cotado a R$3,9550 na venda, levando o real a apresentar o pior desempenho dentre as demais divisas globais.

Os contratos de juros futuros encerraram com redução nas taxas em todos os períodos, com movimento mais acentuado nos vencimentos de longo prazo.

Os investidores de renda fixa retiraram parte do prêmio de risco acumulado nos últimos dias pelas tensões no exterior, e se concentraram no conteúdo da ata da última reunião do Copom, que reforçou a ideia do ciclo de cortes na taxa Selic.

No fim do pregão regular, o DI janeiro/2020 caiu para 5,52% (5,56% no ajuste anterior), o DI julho/2024 recuou para 6,84% (6,95% no ajuste anterior) e o DI julho/2026 declinou para 7,17% (7,29% no ajuste anterior).

Petróleo fecha em queda com preocupações sobre a demanda global

Os contratos futuros de petróleo recuaram nesta terça-feira (06), com o aumento das preocupações sobre os impactos da guerra comercial sino-americana na demanda global da commodity.

Segundo analistas, se o presidente Donald Trump levar adiante a imposição de tarifas sobre os produtos chineses a partir do dia 1º de setembro, a medida poderá enfraquecer rapidamente a economia mundial, e como consequência, reduzirá consumo do óleo bruto.

Além disso, julho selou o sexto mês consecutivo no qual a Administração de Informação de Energia dos EUA cortou as projeções de crescimento na demanda por petróleo em 2019, o que também afetou os preços.

Com o ritmo avançado de desaceleração econômica nos países em geral e o agravamento da disputa comercial entre os dois maiores mercados do mundo, a tendência é que haja um excesso de oferta no curto prazo e isso pressione a queda das cotações do barril.

Como resultado, o petróleo WTI para entrega em setembro caiu 1,93%, sendo cotado a US$53,63 o barril e o petróleo Brent para outubro recuou 1,45%, sendo cotado a US$58,94 o barril.

Noticiário Corporativo

Petrobras (PETR3 / PETR4) – A Petrobras estabeleceu uma nova política de preços para o botijão de gás, GLP envasado de até 13 kg, alinhando-se aos padrões praticados no mercado externo.

Além disso, houve alteração no prazo de reajuste, que agora passou a ser indefinido, como já acontece com o GLP destinado à indústria e ao comércio.

Com essa medida, a estatal está equiparando a política do botijão aos demais produtos derivados do petróleo, que já acompanham a paridade internacional.

A partir de agora, ao definir o preço do botijão de gás, a petroleira vai considerar também os custos do frete marítimo, despesas internas de transporte e uma margem de remuneração dos riscos inerentes à operação.

Mesmo assim, a Petrobras garante que continuará atendendo à resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), à qual permite aos consumidores residenciais pagarem preços diferenciados pelo combustível, já que atinge a parcela mais pobre da população.

Movimentações na B3  

 As ações de maior liquidez da Bovespa avançaram, recuperando as perdas apuradas na sessão de ontem. A seguir, as máximas registradas no dia:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 05/08 06/08 Ativo 05/08 06/08
Petrobras (PETR3) -4,11% +2,11% Vale (VALE3) -3,95% +1,63%
Petrobras (PETR4) -3,73% +1,37% Embraer (EMBR3) -2,68% +1,89%
Eletrobras (ELET3) -1,30% +0,19% Banco do Brasil (BBAS3) -2,15% +1,55%
Eletrobras (ELET6) -2,60% +0,50% Cemig (CMIG4) -2,37% +2,92%

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SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 05/08 06/08 Ativo 05/08 06/08
Itaú Unibanco (ITUB3) -0,97% +3,13% Usiminas (USIM3) -2,15% -0,31%
Santander (SANB11) -1,39% +0,91% CSN (CSNA3) -6,24% -0,13%
Bradesco (BBDC3) -1,98% +2,59% Gerdau (GGBR4) -3,61% +0,23%


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