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Ibovespa ronda a estabilidade com dados da China e crise no PSL

Por Pablo Vinicius Souza
18 outubro 2019 - 12:36

Em sessão de forte cautela, o Ibovespa rondava a estabilidade refletindo a piora dos indicadores da China e o acirramento da crise no PSL, envolvendo o presidente Jair Bolsonaro.

O gigante asiático registrou um crescimento de 6% no terceiro trimestre desse ano, evidenciando o pior desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do país nos últimos 27 anos.

O dado contrariou as previsões dos especialistas, que apostavam em um avanço de 6,1% no período, confirmando o ritmo de desaceleração da economia chinesa.

Esse é mais um efeito colateral da guerra comercial travada com os Estados Unidos desde o ano passado e que tem prejudicado a balança comercial da China.

Apesar disso, a produção industrial chinesa subiu 5,8%, acima do previsto, e as vendas no varejo tiveram expansão de 7,8% em setembro, em linha com as estimativas.

Enquanto os investidores digeriam as informações vindas da Ásia, o cenário político local explodia com notícias negativas, acentuando a aversão ao risco na Bolsa brasileira.

Ontem, Bolsonaro destituiu a deputada Joice Hasselmann da liderança do governo no Congresso, pois ela teria se recusado a apoiar a substituição do Delegado Waldir por seu filho, Eduardo, para o cargo de líder do PSL na Câmara.

Em resposta, a cúpula do partido está considerando afastar o senador Flávio Bolsonaro do comando do diretório estadual do Rio de Janeiro e o deputado Eduardo Bolsonaro da liderança do diretório de São Paulo.

Dessa forma, aumentam as preocupações sobre os impactos da perda da base de apoio parlamentar do governo na aprovação da agenda de reformas.

Nesse contexto, às 12h30 (horário de Brasília), o Ibovespa recuava 0,02%, aos 104.996 pontos, anotando um volume financeiro de R$4,978 bilhões.

Dólar segue trajetória de queda de olho no Fed e no cenário político

O dólar comercial operava em forte queda nesta sexta-feira (18), seguindo as perspectivas de flexibilização monetária pelo Federal Reserve e em atenção ao cenário político.

Os investidores ficarão atentos às declarações de alguns dirigentes do Fed, que podem fornecer sinais sobre o posicionamento da instituição em relação à atual conjuntura econômica.

Segundo as projeções dos economistas, as chances de nova redução da taxa básica de juros são superiores a 82%, tendo em vista o desempenho decepcionante dos principais setores do país.

Por aqui, o mercado segue reagindo às turbulências do cenário político, com o agravamento das relações entre o presidente Jair Bolsonaro e parte dos integrantes de seu partido, o PSL.

Ontem, o delegado Waldir, líder do partido, disse, durante uma reunião com correligionários, sua pretensão em implodir o governo, mas depois negou a afirmação.

Ás 12h30 (horário de Brasília), a divisa americana recuava 0,98% contra o real brasileiro, sendo cotada a R$4,1290 na venda.

Também ficou no radar, as falas do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, na afirmação de que ainda há espaço para taxas de juros menores no Brasil.

Ele também citou que o fraco desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) e os baixos níveis de inflação demandam juros que estimulem o desenvolvimento das atividades.

A notícia fortaleceu as apostas de corte ainda mais agressivo na Selic, pressionando o comportamento dos contratos de juros futuros, que apresentavam leve queda nos DIs.

O DI junho/2020 caía 1,09% sendo negociado a 4,53% (4,58% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 declinava 0,48% sendo vendido a 6,17% (6,21% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Banco do Brasil conclui captação de R$5,8 bilhões com operações de follow-on

O Banco do Brasil (BBAS3) concluiu suas operações de follow-on, vendendo ao mercado cerca de 132.506.737 ações, o que resultou em uma captação de aproximadamente R$5,837 bilhões.

A oferta foi exclusivamente secundária e o acionista vendedor foi o próprio banco, que decidiu se desfazer de suas ações mantidas em tesouraria e a Caixa, que disponibilizou os recursos do FI-FGTS.

Os papéis foram precificados em R$44,05 a unidade e o desconto no follow-on foi de apenas 1,91% sobre a cotação de fechamento da véspera, de R$44,91.

Segundo a instituição, cerca de 30% da oferta ficou com investidores não institucionais, distribuídos entre, 8% para o segmento de private e 22% para o varejo.

Especificamente no caso do varejo, o Banco do Brasil priorizou os que aceitavam a condição de lock-up, ou seja, manter as ações, sem negociá-las, pelo prazo de 45 dias.

Como a demanda superou substancialmente a oferta, os investidores varejistas que não aceitaram esta condição, não conseguiram adquirir ações.


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