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Ibovespa retrocede aos 100 mil sob pressão do coronavírus

Por Pablo Vinicius Souza
28 fevereiro 2020 - 12:33

O Ibovespa opera em queda nesta sexta-feira (28), fazendo mais um pregão volátil e de forte aversão ao risco no exterior.

Os investidores reagiam às últimas notícias sobre o avanço do coronavírus no mundo, com a Nova Zelândia e a Nigéria reportando os primeiros casos de contaminação.

Na Coreia do Sul, foram registrados 571 novos casos de infecção, ultrapassando, pelo segundo dia consecutivo, o quantitativo informado pela China, o epicentro da doença.

Em território sul-coreano, cerca de 2,3 mil pessoas estão contaminadas e outras 13 foram à óbito vítimas do vírus.

No Irã, segundo a agência estatal de notícias Fars, 388 casos foram confirmados e, até o momento, foram contabilizadas 34 mortes, levando o governo a tomar medidas drásticas como a decretação do fechamento de escolas.

Na Itália, a situação está crítica, pois o surto já atingiu cerca de 650 pessoas, a maioria na região Norte do país, e aproximadamente 17 morreram.

Enquanto na Alemanha, o número de infectados saltou de 10 para 53 de ontem para hoje e mais de mil pessoas estão sendo monitoradas sob forte suspeita.

Ao todo, já são mais de 82 mil pessoas contaminadas no mundo, sendo que, só a China reportou 78.824 casos de infecção e 2.788 mortes.

O mercado está cauteloso frente ao avanço exponencial do Covid-19, adotando posições cada vez mais protecionistas, visto que, ainda não é possível dimensionar os impactos reais desta epidemia.

Na sessão de ontem, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, alertou para o risco iminente de o surto virar uma pandemia, embora ele ainda acredite que os governos conseguirão conter a doença.

Por aqui, na esteira dos indicadores econômicos, foi divulgada hoje a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), evidenciando que o desemprego ficou em 11,2% no trimestre até janeiro.

Os economistas previam que o dado ficaria em torno de 11,3%, de forma que a avaliação geral foi positiva, frente aos obstáculos que a economia do país vem enfrentando.

No radar, segue o clima de tensão entre o governo e o Congresso, com o presidente Jair Bolsonaro negou que ele tenha incitado a população a participar do ato contra o poder legislativo e pediu aos parlamentares “serenidade” e “responsabilidade” para mudar o Brasil.

Na B3, a sessão era de perdas generalizadas em todos os setores, sobretudo, para os ativos com exposição a commodities.

Apenas as companhias Fleury (FLRY3), Bradesco (BBDC4 / BBDC3) e Itaú Unibanco (ITUB4) operavam em território positivo.

Ás 12h27 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira declinava 2,21%, aos 100.711 pontos, com um volume financeiro de R$7,733 bilhões.

Dólar salta a R$4,50 em sessão de forte aversão ao risco

O dólar comercial operava em alta nesta sexta-feira (28), acompanhando o fortalecimento do câmbio no exterior.

O sentimento de aversão ao risco pressionou uma onda de busca por ativos mais seguros e líquidos, o que favorecia a divisa americana e outras moedas mais estáveis, como o iene e o fraco suíço.

O real faz um novo dia de perdas, apesar de o Banco Central realizar mais uma intervenção, injetando no mercado cerca de US$1 bilhão em contratos de swap cambial.

Além disso, a autoridade monetária optou pela rolagem de outros US$3 bilhões em recursos à vista em operações de linha, com compromisso de recompra posterior.

As negociações de hoje estão sendo afetadas por diferentes variáveis exógenas, como a vertente negativa do exterior e a disputa em torno da formação da Ptax.

Como é o último dia do mês, a tendência é que seja uma sessão mais volátil, podendo trazer alguns desequilíbrios à precificação da moeda, pendendo para mais ou para menos.

Ás 12h27 (horário de Brasília), o dólar comercial subia 0,58% contra o real, sendo cotado a R$4,5030 na venda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros operavam mistos, com ligeira queda nos DIs de curto prazo e elevação nas taxas intermediárias e mais longas da curva a termo.

O DI dezembro/2020 caía 0,84% sendo negociado a 4,12% (4,14% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2026 saltava 0,62% sendo vendido a 6,46% (6,35% no ajuste anterior).

Noticiário corporativo: Oi propõe aos credores o aditamento do plano de recuperação judicial

Visando assegurar maior flexibilidade operacional e financeira para avançar com sua estratégia de investimentos, a Oi (OIBR3) está propondo um aditamento ao plano de recuperação judicial.

A companhia de telecomunicação protocolou ontem na 7º Vara Empresarial do Rio de Janeiro uma petição, na qual, solicita que os credores deliberem sobre um aditamento ao plano de recuperação judicial.

O objetivo da proposta é reorganizar as operações “de forma a dar mais eficiência a sua estrutura societária e criar opções estratégicas de capitalização e fortalecimento da Oi”.

As discussões seriam realizadas no âmbito da assembleia geral de credores, que contaria com a participação dos que detinham créditos e direito a voto na última assembleia realizada dias 19 e 20 de dezembro de 2017.

Também poderiam participar aqueles que ainda mantinham interesse na Oi até o final do pregão de ontem, sejam como titulares das Sênior Notes de emissão da empresa e em circulação ou na condição de titulares de ações ou ADRs.

No comunicado publicado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa reiterou o seu compromisso em executar o plano estratégico com foco na massificação da fibra ótica no Brasil e em negócios de maior valor agregado.

Segundo a nota, essa estratégia de gestão já mostrou resultados positivos nos indicadores operacionais e financeiros da Oi e apresentará aceleração a partir de 2020, com possível consolidação em 2021.

A nova administração da companhia conseguiu, em apenas dois anos, reduzir uma dívida de R$60 bilhões para R$16 bilhões, demonstrando o potencial de desempenho e desenvolvimento que poderá ser agregado nos próximos meses.


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