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Ibovespa renova a máxima histórica com revisão da classificação de risco e acordo EUA-China

Por Pablo Vinicius Souza
12 dezembro 2019 - 20:05
Ibovespa sobe: economia brasileira, PIB

O Ibovespa disparou nesta quinta-feira (12), renovando o recorde de fechamento, impulsionado pela revisão do risco de crédito do Brasil e pela notícia de que Estados Unidos e China chegaram a um acordo comercial.

Já na abertura, o índice geral mostrou viés de alta repercutindo o otimismo do mercado com a redução da taxa Selic de 5% para 4,50% ao ano, no menor valor da história.

Mais tarde, a Bolsa local acelerou os ganhos após a agência Standard & Poor’s alterar de “estável” para “positiva” a perspectiva na classificação de risco do país, colocando em posição de grau de investimento.

Além disso, a S&P reafirmou o rating de crédito soberano de longo prazo brasileiro em BB- e B, justificando que a atual conjuntura de juros mais baixos e a consecução de reformas estruturais devem contribuir para um crescimento mais forte nos próximos anos.

Na esteira das boas notícias, outro catalisador do movimento positivo foi o acordo comercial entre Estados Unidos e China.

Através de sua conta no Twitter, o presidente Donald Trump informou que Washington está muito próximo de fechar um “acordo grande” com Pequim, sinalizando avanços nas negociações.

Pouco tempo depois, a Bloomberg fez uma publicação afirmando que negociadores comerciais americanos e chineses chegaram a um consenso sobre os termos de um possível acordo.

Também foi divulgada uma matéria no Dow Jones dizendo que a Casa Branca concordou em aceitar fazer um corte de 50% nas tarifas aplicadas aos produtos importados do gigante asiático.

Esta foi uma das principais condições que o governo Chinês estabeleceu para concluir as conversas da primeira fase, de modo que, tal postura dos EUA evidenciou uma conciliação entre os dois países.

Os investidores acreditam que o prazo para o estabelecimento de um acordo é até o próximo domingo, 15 de dezembro, pois nesta data, entrará em vigor um novo aumento de taxas dos EUA sobre mercadorias chinesas.

Por isso, o conjunto de informações foi suficiente para gerar tração não só aos ativos locais, mas também aos mercados globais de um modo geral.

Em Wall Street também foi dia de renovação das máximas, com o Dow Jones subindo 0,85%, o S&P 500 avançando 0,94% e o Nasdaq Composto saltando 0,77%.

Na B3, as maiores altas foram registradas por Lojas Americanas (LAME3), MRV (MRVE3), B2W Digital (BTOW3), Usiminas (USIM5) e CVC (CVCB3).

No fim da sessão, a Bolsa brasileira disparou 1,11% aos 112.199 pontos, anotando um volume financeiro de R$15,292 bilhões.

Dólar desce a R$4,09 monitorando o acordo sino-americano

O dólar comercial encerrou o pregão desta quinta-feira (12) em queda de 0,61%, sendo cotado a 4,0940 na venda, registrando o menor valor desde 7 de novembro.

Notícias positivas sobre a guerra comercial pressionaram o recuo da divisa americana contra as principais moedas emergentes, com destaque para o rand sul-africano (+0,77%) e o peso mexicano (+0,22%).

Na volta do dia, o presidente Donald Trump impulsionou o câmbio local ao afirmar que os EUA estavam muito próximos de fechar “um grande acordo” com a China.

Em seguida, o Wall Street Journal informou que Washington havia oferecido uma redução de 50% nas tarifas incidentes sobre US$360 bilhões em importações chinesas.

Adicionalmente, a nova rodada de sobretaxas prevista para o próximo domingo, 15 de dezembro, seria suspensa, segundo os relatos de interlocutores próximos à cúpula de negociação.

No final da tarde, foi divulgado que os dois países concluíram a primeira fase do acordo e que, neste momento, a formalização do documento estaria dependendo apenas do aval de Trump.

Mais cedo, a revisão da perspectiva de risco de crédito do Brasil, emanada pela Standard & Poor’s Global Ratings, também contribuía com a valorização do real.

A decisão da S&P alterou a classificação de rating do país de estável para positiva, reforçando a percepção de fortalecimento do mercado interno e retomada do crescimento econômico.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram mistos, com recuo nas taxas de curto e médio prazo, refletindo a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em deixar a porta aberta para novos cortes na Selic.

O DI maio/2020 recuou para 4,32% (4,35% no ajuste anterior), o DI abril/2022 declinou a 5,35% (5,38% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 subiu para 6,73% (6,70% no ajuste anterior).

Petróleo fecha em alta de olho em acordo EUA-China

Os contratos futuros de petróleo encerraram em alta nesta quinta-feira (12), refletindo o otimismo frente à possibilidade de Estados Unidos e China anunciarem um acordo comercial.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para janeiro, subiu 0,71%, sendo negociado a US$59,18 o barril.

Enquanto o petróleo Brent para fevereiro, comercializado na ICE de Londres, avançou 0,75%, fechando na cotação de US$64,20 o barril.

Pela manhã, o presidente Donald Trump, através de sua conta no Twitter, informou que os EUA estavam muito perto de fechar um “grande acordo com a China”.

Os investidores ficaram muito animados com a informação, já que, estabelecer um acordo poderia solucionar a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Mais tarde, uma notícia publicada pelo Wall Street Journal confirmou a informação e acrescentou que Washington teria proposto a Pequim reduzir em 50% as tarifas já vigentes e adiar a nova rodada programada para o dia 15 de dezembro.

Sendo a China o maior importador líquido da commodity, o apetite ao risco foi renovado durante a sessão, apoiando a valorização dos preços no mercado internacional.

Noticiário Corporativo: CSN prevê aumento de 4,7% no consumo de aços planos em 2020

A Companhia Nacional Siderúrgica (CSN) divulgou suas estimativas para a demanda de aços planos no mercado brasileiro, prevendo um crescimento de 4,7% em 2020.

Durante uma reunião com analistas na Apimec, a empresa apresentou uma projeção de considera elevação do consumo para 12,9 milhões de toneladas no próximo ano, sendo que em 2019, esta quantidade deve fechar em torno de 12,3 milhões.

Respondendo por 24% deste mercado, a CSN (CSNA3) acredita que a demanda interna será impulsionada pela melhora na estrutura macroeconômica e com o fortalecimento da indústria.

De acordo com a companhia, os preços praticados internamente deverão acompanhar os movimentos globais, de forma a estimular a produção local.

Além disso, houve uma melhora substancial na produtividade da CSN após a aplicação de investimentos de R$400 milhões em reparos no alto-forno 3.

A medida possibilitou aumentar a produção de 7,2 mil toneladas por dia para 9,2 mil toneladas, e para 2020, a expectativa é que a fabricação de placas cresça 60%, alcançando a marca de 4,65 milhões de toneladas.

Embora em 2019 a produção total seja 27% inferior ao que foi mensurado em 2018, a gestão da companhia destacou a redução nos custos devido à restauração da estrutura operacional.

Em dezembro, o custo por tonelada de placa de aço produzida caiu cerca de R$350, em comparação ao mesmo período do ano passado.

Para melhorar ainda mais a produtividade, a companhia pretende investir R$1,3 bilhão de 2019 a 2023, em processos mais eficientes e que consumam menos energia.

A CSN projeta que após as melhorias, o lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização por tonelada de aço longo alcance US$165 em 2023.

“A redução nos custos em razão dos investimentos conduz as margens de aço a níveis históricos. Aumentos adicionais virão com o aumento de preço” – informou a companhia.


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