HomeMercados

Ibovespa registra quarta semana de alta com decisões dos BCs e disputa EUA-China

Por Pablo Vinicius Souza
20 setembro 2019 - 18:37
saldo positivo do Ibovespa

O Ibovespa encerrou a semana com valorização de 1,27%, impulsionado pelas decisões dos Bancos Centrais e pelo cenário geopolítico.

Apesar das turbulências trazidas pelo ataque com drones à petroleira saudita, as reuniões do Federal Reserve, nos EUA, e do Comitê de Política Monetária, no Brasil, catalisaram o movimento positivo.

O Copom reduziu a taxa Selic em 0,50%, passando a vigorar a 5,5%, e o Fed reduziu a taxa em 0,25%, ficando no intervalo entre 1,75% a 2%.

Outro fator que também adicionou volatilidade aos índices foi a disputa comercial entre Estados Unidos e China, com os dois países trocando rusgas, mas promovendo posterior conciliação.

Ontem, um jornal chinês publicou uma notícia dizendo as tarifas impostas pelos EUA aos produtos chineses poderão ser elevadas a 50% ou 100% caso não haja um acordo um breve, segundo informou um oficial Sênior da Casa Branca.

Hoje, o presidente americano, Donald Trump, anunciou que vai isentar de tarifas mais de 400 produtos importados do gigante asiático, devido à solicitação de empresas locais.

Mesmo assim, os investidores ficaram otimistas com essa reaproximação e as perspectivas são positivas quanto à construção de um acordo, pelo menos parcial, no encontro agendado para outubro.

A semana que vem será de agenda cheia tanto aqui quanto no exterior. O mercado ficará atento à tramitação da reforma da Previdência no Senado, que terá seu texto votado simultaneamente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário.

Ao mesmo tempo, serão divulgados a ata da última reunião do Copom, justificando sua decisão, e o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, mostrando a situação da maior economia do mundo.

Como resultado, a Bolsa brasileira fechou em alta de 0,46% aos 104.817 pontos, anotando um volume financeiro de R$18,216 bilhões.

Dólar recua a R$4,15 em sessão de ajustes mas registra ganho semanal de 1,6%

Em sessão de intensa volatilidade, o dólar comercial recuou 0,22% contra o real brasileiro, sendo cotado a R$4,1540 na venda.

Na semana, a divisa americana registrou ganhos de 1,63% no mercado local, graças às reuniões de política monetária do Brasil e nos Estados Unidos, que decidiram reduzir as taxas de juros nos dois países.

O câmbio apresentou movimentos de alta contidos nas primeiras horas de negociação, porém, durante à tarde, o dólar mudou de direção.

A virada ocorreu após o Federal Reserve de Nova Iorque anunciar a aplicação de uma série de medidas para conter a instabilidade das taxas de curto prazo no mercado interbancário local.

A notícia trouxe ânimo aos investidores, que adotavam certo tom de cautela em atenção às incertezas da disputa comercial entre Estados Unidos e China.

No exterior, a moeda americana se fortaleceu contra as principais divisas globais, sobretudo, as mais fortes, como o euro, a libra e o fraco suíço.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram com declínio nas DIs ao longo de toda a curva a termo, voltando a precificar novos cortes na Selic.

O DI abril/2020 recuou para 4,91% (4,94% no ajuste anterior), o DI julho/2023 caiu para 6,30% (6,40% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 declinou a 7,03% (7,14% no ajuste anterior).

Petróleo recua mas obtém valorização semanal de 7% com ataque à petroleira saudita 

Os contratos futuros de petróleo encerraram em leve queda nesta sexta-feira (20), depois de oscilarem em alta durante quase todo o pregão.

O movimento negativo ocorreu devido ao fortalecimento do dólar frente às principais moedas globais, o que normalmente resulta no aumento do preço do barril devido à conversão cambial.

Outro fator que também derrubou as cotações no finalzinho foi a forte crença de que os níveis de oferta da commodity estão pujantes em âmbito global, mesmo após o ataque à petroleira da Arábia Saudita, comprometendo parte de sua produção.

Depois de subir 15% na última segunda-feira, os contratos estabilizaram ao longo da semana, com o governo Saudita se prontificando a atuar no restabelecimento de sua estrutura até o final do mês de setembro.

Os investidores ficaram mais tranquilos também porque o governo americano afirmou ter estoques extras de óleo bruto para disponibilizar ao mercado em caso de emergência.

Como resultado, o de petróleo WTI/novembro recuou 0,06%, fechando na cotação de US$58,09 o barril e o petróleo Brent para o mesmo mês cedeu 0,18%, sendo negociado a US$64,28 o barril.

No acumulado da semana, o Brent avançou 7,09% e o WTI subiu 6,96%.

Noticiário Corporativo: Odebrecht acredita que este não é o melhor momento para vender a Braskem

Após a desistência da LyondellBasell de adquirir a Braskem, a Odebrecht está considerando que este não é melhor momento para vender a petroquímica, segundo reportagem do Valor.

Fontes próximas ao grupo revelaram que ainda há questões importantes a serem enfrentadas antes dar sequência ao projeto de venda, como a entrega do formulário 20-F e o litígio judicial em Alagoas.

A Odebrecht está trabalhando firme com alguns parceiros, inclusive os bancos credores, para definir estratégias que possibilitem destravar valor da Braskem durante a elaboração de seu plano de recuperação judicial.

A notícia ressaltou que não há qualquer movimento de resistência à venda da empresa petroquímica dentro da Odebrecht, mas sim, há uma visão de que agora não é o momento mais adequado para se desfazer deste importante ativo.

Pela manhã, o site Brazil Journal divulgou que a consultoria financeira Lazard foi contratada para retomar os processos de venda da controlada e os investidores ficaram muito animados. Na B3, as ações da Braskem (BRKM5) saltavam quase 5% nesta sessão.

A Odebrecht, que possui R$65,5 bilhões em dívidas e detém a maioria do capital total da petroquímica, deu sua participação em ações como garantia aos cinco bancos que são os principais credores: Itaú, Bradesco, BNDES, Banco do Brasil e Santander.

Por meio de alienação fiduciária, as instituições financeiras ficaram com o controle dos papeis ordinários e preferenciais, deixando os créditos cobertos pela Braskem fora do processo de recuperação judicial.

Embora os bancos estejam pressionando a Odebrecht para proceder a uma venda organizada da companhia, já que outra acionista (Petrobras) também deseja sair do negócio, até o momento não há uma decisão final sobre o imbróglio.

Movimentações na B3  

As ações de maior liquidez da Bovespa encerraram entre perdas e ganhos, porém com viés de alta. A seguir, as máximas do mercado à vista:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 16/08 19/08 Ativo 16/08 19/08
Petrobras (PETR3) -0,45% +1,36% Vale (VALE3) -0,46% -0,09%
Petrobras (PETR4) -1,32% +0,50% Embraer (EMBR3) -0,28% -0,28%
Eletrobras (ELET3) +2,60% -1,81% Banco do Brasil (BBAS3) -0,26% -1,97%
Eletrobras (ELET6) +2,34% -0,71% Cemig (CMIG4) +3,05% +1,44%

E-BOOK GUIA COMPLETO PARA OBTER SUCESSO NOS INVESTIMENTOS EM AÇÕES NA BOLSA DE VALORES

SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 15/08 16/08 Ativo 15/08 16/08
Itaú Unibanco (ITUB3) -0,69% +0,40% Usiminas (USIM3) +0,11% +0,53%
Santander (SANB11) -0,31% +0,47% CSN (CSNA3) -2,79% +1,94%
Bradesco (BBDC3) -0,84% +0,24% Gerdau (GGBR4) -4,25% +3,42%

Sobre o autor