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Ibovespa recua quase 2% com atraso na Previdência, Habeas Corpus de Lula e declarações do Fed

Por Pablo Vinicius Souza
25 junho 2019 - 18:37

O pregão de hoje foi um misto de expectativas e decepções! O Ibovespa registrou sua maior queda desde maio reagindo à notícia de o “Centrão” pretende atrasar a votação da reforma na Comissão Especial.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, havia planejado aprovar a proposta na Comissão até o final da semana, porém Arthur Lira (PP), líder do partido, defendeu o adiamento.

Ele disse que há trechos da proposta que o partido solicitou a retirada, mas que ainda estavam no documento. Lembrando que o PP conta com a terceira maior bancada de deputados da casa legislativa.

Também afetou o desempenho do índice geral a notícia de que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgará hoje o pedido de Habeas Corpus, impetrado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Embora a decisão do colegiado não venha interferir nos trâmites da reforma da Previdência, a possível soltura de Lula trará ruídos no meio político.

No exterior, os mercados desabaram após o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, declarar que um corte na taxa dos juros dos EUA já no próximo mês, ainda não está definido.

O chairman do Fed ainda ressaltou que ele e os colegas não sabem se as incertezas continuarão a influenciar as perspectivas e que estão todos conscientes de que as decisões não devem refletir pontos individuais ou oscilações de curto prazo.

No fechamento, a Bolsa brasileira desabou 1,93%, aos 100.092 pontos. O volume financeiro da sessão foi de R$11,787 bilhões.

Dólar avança a R$3,85 com declarações de membros do Fed

O dólar comercial se fortaleceu frente às principais moedas emergentes no exterior, após membros do Federal Reserve sinalizarem que não está definido se haverá uma redução da taxa de juros nos EUA já no mês julho.

O presidente do Fed, Jerome Powell, acrescentou que a autoridade monetária está isenta de pressões políticas e vai agir sem sentimentos, considerando apenas as movimentações do mercado.

Com isso, os investidores ficaram receosos e buscaram proteção na divisa americana, que avançou 0,71% contra o real brasileiro, fechando na cotação de R$3,8540 na venda.

No mercado de juros futuros, os contratos encerraram com elevação nas taxas em todos os períodos, fazendo uma sessão de ajustes técnicos, depois apresentar queda acentuada nas últimas semanas.

Ruídos na reforma da Previdência e na articulação política do governo desencadearam um movimento de realização de lucros na renda fixa, o que justifica a valorização das taxas.

O DI maio/2020 saltou para 5,91% (5,79% no ajuste anterior), o DI julho/2024 subiu para 7,20% (7,11% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2026 aumentou para 7,51% (7,420% no ajuste anterior).

Petróleo fecha sem direção comum com conflitos EUA-Irã renovando as incertezas

Os contratos futuros de petróleo encerraram a sessão desta terça-feira (25) sem assumir uma direção comum, refletindo os conflitos entre Estados Unidos e Irã.

O ministro das Relações Exteriores do país persa, Abbas Mousavi, afirmou que as novas sanções impostas pelo governo americano fecham de forma permanente a via diplomática de Teerã com Washington.

Em resposta, o presidente Donald Trump publicou em sua conta no Twitter que “qualquer ataque iraniano” será respondido com força esmagadora.

Os investidores ficaram temerosos com a situação, considerando que o impasse entre os dois países tem o potencial de prejudicar a oferta global da commodity.

Além disso, o mercado também monitorou as expectativas do encontro entre Trump e Xi Jinping no G-20, que pretendem conversar sobre o acordo comercial.

Entretanto, os ânimos esfriaram após boatos sugerirem que Pequim considera classificar a americana FedEx como companhia não confiável, segundo informou a Bloomberg.

Como resultado, o petróleo WTI para entrega em agosto caiu 0,12%, sendo cotado a US$57,83 o barril e o petróleo Brent também para agosto avançou 0,29% sendo cotado a US$65,05 o barril.

Noticiário Corporativo

Petrobras (PETR3/ PETR4) – A Transpetro, subsidiária da Petrobras, assinou um contrato com a TAG no valor de R$5,46 bilhões, para prestar serviços de apoio técnico ao transporte de gás.

A TAG, que teve a sua venda autorizada pelo Supremo Tribunal Federal esse mês e agora pertence à Engie, é uma empresa que opera a rede de gasodutos que abastece as regiões Sudeste e Nordeste do Brasil.

Mesmo depois de assinar o contrato de transferência à francesa, a TAG passará por um período de transição, no qual a Petrobras ainda participará de suas operações.

Com as mudanças promovidas pelo governo no mercado de gás, a Petrobras terá que abandonar totalmente as atividades no setor e vender suas participações em companhias que atuam no transporte e distribuição.

Multiplan (MULT3) – A Multiplan anunciou que irá distribuir juros sobre o capital próprio no montante de R$110 milhões, o que equivale a R$0,1845 por ação.

O pagamento está previsto para ser efetuado até o dia 31 de maio de 2020 e a distribuição do valor será feita aos acionistas inscritos no registro da empresa até o dia 27 de junho deste ano.

A partir do dia seguinte, 28 de junho, as ações da Multiplan serão negociadas normalmente, na condição de “ex-juros”.

Movimentações na B3

Seguem as blue chips da Bovespa que lideraram as perdas neste pregão:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo24/0625/06Ativo24/0625/06
Petrobras (PETR3)-0,53%-2,84%Vale (VALE3)+0,04%-2,19%
Petrobras (PETR4)00%-2,55%Embraer (EMBR3)+1,88%-2,68%
Eletrobras (ELET3)-1,18%-2,94%Banco do Brasil (BBAS3)+0,36%-1,11%
Eletrobras (ELET6)-0,97%-1,47%Cemig (CMIG4)-0,07%-2,44%

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SETOR BANCÁRIOSETOR SIDERÚRGICO
Ativo24/0625/06Ativo24/0625/06
Itaú Unibanco (ITUB3)-0,13%-1,10%Usiminas (USIM3)-0,57%00%
Santander (SANB11)+0,42%-1,92%CSN (CSNA3)-0,24%-2,43%
Bradesco (BBDC3)+0,12%-2,01%Gerdau (GGBR4)-0,46%-1,98%


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