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Ibovespa recua pressionado pelo exterior mas avança 1,3% na semana

Por Pablo Vinicius Souza
09 agosto 2019 - 18:38

O Ibovespa recuou no pregão desta sexta-feira (09), pressionado pelo mau humor externo decorrente da disputa comercial entre Estados Unidos e China.

Mais uma vez, os dois países protagonizaram as movimentações do mercado, acentuando as preocupações quanto à desaceleração da economia da global.

Apesar do banco central da China atuar novamente no câmbio para estabilizar as flutuações do yuan, a notícia de que Washington estaria dificultando a autorização para as companhias americanas retomarem o comércio com a Huawei, gerou um grande desconforto.

Além disso, na tarde de hoje, o presidente Donald Trump declarou que os EUA não estão prontos para dar sequência no acordo comercial com o gigante asiático e garantiu que não haverá negociações com a companhia chinesa.

O fato derrubou os índices em geral, sobretudo, os de Wall Street, que fecharam com perdas expressivas. O Dow Jones caiu 0,34%, o S&P 500 declinou 0,66% e o Nasdaq Composto recuou 1%.

No cenário doméstico, os investidores ficaram atentos à tramitação das reformas da Previdência e Tributária, e repercutiram os resultados corporativos surpreendentes.

As ações da BRF (BRFS3) que são responsáveis por 1,7% da carteira da Bovespa, saltaram mais de 5% após o frigorífico divulgar lucros acima do esperado.

No fim da sessão, a Bolsa brasileira fechou em leve queda de 0,11%, aos 103.996 pontos, registrando um volume financeiro de R$17,058 bilhões. Na semana, o índice teve ganhos de 1,3%.

Dólar sobe a R$3,92 com temores sobre a economia global

O dólar comercial avançou 0,33% no pregão desta sexta-feira (9), fechando na cotação de R$3,9399 na venda, depois de passar por momentos de grande oscilação.

A disputa comercial ganhou uma nova tônica com as falas do presidente Donald Trump, afirmando que os EUA não estão preparados para fechar um acordo com a China.

O agravamento do conflito entre os dois países se iniciou com a desvalorização do yuan frente ao dólar no início da semana, porém, o banco central chinês atuou no sentido de garantir a estabilidade da moeda.

Mesmo assim, a ação não foi suficiente para desarmar o governo americano, que confirmou sua indisposição em deixar a companhia chinesa Huawei voltar a negociar com as empresas dos EUA.

Sob este clima de tensão, os mercados reagiram aumentando a demanda pela divisa americana, que registrou valorização semanal de 1,25% contra o real brasileiro.

Em relação às demais moedas emergentes a situação foi semelhante, com o dólar registrando ganhos firmes, principalmente, contra as divisas ligadas às commodities.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram mistos, anotando altas e baixas, refletindo as expectativas para diferentes períodos.

Prevaleceu a análise de que os estímulos econômicos são necessários para enfrentar um ambiente adverso e ameaçado de recessão, o que reforçou as apostas em um corte mais agressivo na taxa Selic.

No fim do pregão regular, o DI abril/2020 caiu para 5,32% (5,35% no ajuste anterior), o DI outubro/2023 avançou para 6,62% (6,58% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 subiu para 6,84% (6,83% no ajuste anterior).

Petróleo fecha em alta com possível atuação da Arábia Saudita na estabilização do mercado

Os contratos futuros de petróleo apuraram ganhos na sessão desta sexta-feira (09), depois de passar por uma semana de turbulências e volatilidade nos preços.

As cotações têm sido pressionadas pela intensificação da guerra comercial entre Estados Unidos e China, que elevou as preocupações quanto à desaceleração da economia global.

Os investidores também ficaram receosos sobre os impactos financeiros que a disputa tarifária poderá trazer ao gigante asiático, tendo em vista se tratar do maior importador líquido da commodity.

De qualquer forma, o acirramento do conflito entre as duas maiores economias prejudicará a demanda do óleo bruto como um todo, já que tem o potencial de desencadear um cenário crítico de recessão.

Também no radar, a Agência Internacional de Energia (AIE) revisou as projeções para o crescimento da demanda, reduzindo a 1,1 milhão de barris por dia até o final de 2019.

A última previsão considerou um aumento de 1,2 milhão/dia e este está sendo o período mais fraco para consumo do produto desde a crise de 2008.

Como resultado, o petróleo WTI para entrega em setembro subiu 3,73%, sendo cotado a US$54,50 o barril e o petróleo Brent para outubro avançou 2%, sendo cotado a US$58,53 o barril.

Apesar dos ganhos de hoje, o WTI fechou a semana em baixa de 1,20% e o Brent recuou 4,30%.

Resultados Corporativos

Lojas Americanas (LAME4) – As Lojas Americanas divulgaram os balanços do segundo trimestre apurando um lucro líquido consolidado de R$112,7 milhões, um valor 22 vezes maior aos R$5,1 milhões registrados no mesmo período de 2018.

A receita líquida totalizou R$4,411 bilhões, em um avanço de 15,6% e o Ebitda ajustado somou R$832 milhões, mostrando um crescimento de 26,7% na comparação de base anual.

Segundo análise do Bradesco BBI, os resultados vieram em linha com a inflação, “apesar da expansão significativa das lojas” e o lucro sem B2W ficar ligeiramente acima das estimativas do mercado.

Pensando que a desaceleração das vendas nas lojas possa se manter nos próximos períodos, o banco manteve a recomendação neutra para as ações da companhia, no preço-alvo de R$21.

Tecnisa (TCSA3) – A Tecnisa reportou um prejuízo de R$144,140 milhões no segundo trimestre, um montante 67,9% superior ao obtido no mesmo período do ano passado.

O Ebitda ajustado registrou uma queda de 170% na comparação anual, somando R$122,347 milhões e a receita operacional líquida caiu cerca de 18,1%, totalizando R$47,305 milhões.

Movimentações na B3  

 As ações de maior liquidez encerram mistas, entre perdas e ganhos para alguns setores. Com destaque para as companhias que avançaram, segurando o desempenho do Bovespa:

  • B2W Digital (BTOW3) +17,75%
  • BRF (BRFS3) +5,04%
  • Qualicorp (QUAL3) +36,32%
  • Lojas Americanas (LAME3) +6,31%
  • CVC (CVCB3) +8,75%
COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 08/08 09/08 Ativo 08/08 09/08
Petrobras (PETR3) +2,30% -0,87% Vale (VALE3) +1,74% -3,60%
Petrobras (PETR4) +3,05% -0,38% Embraer (EMBR3) +0,77% -0,51%
Eletrobras (ELET3) +3,78% +1,89% Banco do Brasil (BBAS3) +0,68% -0,61%
Eletrobras (ELET6) +2,35% +2,08% Cemig (CMIG4) +3,57% +0,69%

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SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 08/08 09/08 Ativo 08/08 09/08
Itaú Unibanco (ITUB3) +0,03% 00% Usiminas (USIM3) +1,28% 00%
Santander (SANB11) +3,04% -1,72% CSN (CSNA3) +2,95% -2,01%
Bradesco (BBDC3) +0,45% -1,46% Gerdau (GGBR4) +3,62% -1,05%


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