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Ibovespa recua pressionado pela realização de lucros e aversão ao risco no exterior

Por Pablo Vinicius Souza
21 janeiro 2020 - 13:41

O Ibovespa operava em queda nesta terça-feira (21), acompanhando o viés negativo do exterior proveniente da ameaça de disseminação do coronavírus, pela Ásia.

Pela manhã, o governo chinês informou que o vírus de Wuhan está avançando a outros países, já tendo contaminado mais de 200 pessoas e causado a morte de pelo menos três.

Segundo as autoridades, a doença é propagada pelo contato com doentes, o que facilita a sua rápida disseminação na população.

Há uma crescente preocupação em torno deste tema, já que, com a proximidade do ano novo lunar na China, muitos cidadãos viajam, podendo espalhar o vírus a diferentes regiões do mundo.

O fato desencadeou um clima de aversão ao risco, que pressionava negativamente os mercados internacionais, conduzindo a uma sessão de ajustes.

Além disso, Hong Kong, o maior centro financeiro mundial, teve a sua classificação de risco rebaixada de Aa2 para Aa3, pela agência Moody’s, devido aos protestos sucessivos, que estão ocorrendo há mais de seis meses.

Por aqui, predominava o movimento de realização de lucros, um dia após o índice geral renovar a máxima de fechamento próximo ao patamar de 119 mil.

Os investidores estão aguardando o discurso do ministro da Economia, Paulo Guedes, no Fórum Econômico Mundial, que está acontecendo em Davos, na Suíça.

No evento, o presidente Donald Trump disse que os Estados Unidos estão vivenciando o maior “boom econômico” da história, apresentando números ótimos da economia, apesar da atual política monetária do Federal Reserve.

Ele também acrescentou que a relação dos EUA com a China nunca esteve melhor, destacando que a maior parte das tarifas impostas à China vai continuar durante as negociações da segunda fase do acordo comercial.

Na B3, as companhias Hering (HGTX3), Gerdau Metalúrgica (GOAU4), CSN (CSNA3), Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) lideravam as perdas da sessão.

Ás 12h23 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira recuava 0,58%, aos 118.168 pontos, anotando um volume financeiro de R$4,511 bilhões.

Dólar dispara a R$4,20 com cenário externo adverso

O dólar comercial operava em alta nesta terça-feira (21), reagindo às adversidades do cenário internacional, que desencadeavam no aumento da aversão ao risco.

O ambiente global pressionou a valorização da divisa americana, que como ativo mais seguro, atuava como um refúgio para investidores.

Com o avanço do coronavírus na China, às vésperas do feriado prolongado do ano novo lunar, as autoridades estão preocupadas com um possível surto em escala global.

A situação ficou ainda mais delicada após a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitir um alerta dizendo que o vírus foi transmitido entre humanos, por contato direto.

Diante disso, o dólar se fortalecia contra as principais moedas globais, sobretudo, as emergentes, que estão suscetíveis à maior volatilidade.

No ambiente doméstico, o IGP-M voltou a desacelerar na segunda prévia de janeiro, a 0,57%, sinalizando que houve um arrefecimento nos preços de alguns produtos da cesta, conforme a previsão do mercado.

Além disso, o governo pretende adiar para 2021 a realização dos leilões para promover a exploração de petróleo no território nacional.

A medida contribuirá para acentuar o déficit fiscal e a deterioração do fluxo cambial do país, levando o dólar a alçar níveis ainda mais altos.

Ás 12h23 (horário de Brasília), o dólar comercial avançava 0,29% contra o real, sendo cotado a R$4,2010 na venda.

Juros Futuros

Os contratos de juros futuros apresentavam um comportamento misto, com as taxas intermediárias recuando e as taxas mais longas avançando.

O DI junho/2020 caía 0,47% sendo negociado a 4,23% (4,24% no ajuste anterior) e o DI julho/2024 subia 0,32%, sendo vendido a 6,25% (6,24% no ajuste anterior).

Noticiário corporativo: Positivo anuncia follow-on que pode arrecadar mais de R$520 milhões

O conselho de administração da Positivo Tecnologia (POSI3) anunciou a realização de uma oferta pública de distribuição primária de 40 milhões de novas ações.

Além disso, foi autorizada a emissão de 14 milhões de papéis adicionais, caso a demanda prevista seja superior à oferta.

A companhia espera arrecadar mais de R$520 milhões com o follow-on, embora o preço por ação ainda não tenha sido determinado.

Se for considerado o valor da ação pela cotação de fechamento ontem, o papel seria vendido a R$9,65 e o valor total da operação seria R$521,1 milhões.

Os recursos obtidos serão utilizados para investimento na expansão dos contratos com instituições públicas, ampliação do negócio “Positivo as Service” e reforço da estrutura de capital.

As instituições responsáveis pela coordenação da oferta são: XP Investimentos, BTG Pactual e Bradesco BBI.

A previsão é que todos os procedimentos para viabilizar a oferta sejam concluídos até dia 30 de janeiro, para que as negociações na B3 tenham início dia 3 de fevereiro.

Nos últimos 12 meses, as ações da Positivo valorizaram 314,2% e as perspectivas são muito boas quanto à sua atuação junto aos órgãos públicos, como na licitação à qual concorre para o fornecimento de urnas eletrônicas.


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