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Ibovespa recua com negociações EUA-China e sessão de ajustes na B3

Por Pablo Vinicius Souza
25 novembro 2019 - 19:40
Ibovespa futuro cai

O Ibovespa encerrou em leve queda nesta segunda-feira (25), fazendo uma sessão de ajustes técnicos, após registrar valorização de 2% na semana passada.

Na ausência de grandes catalisadores, o mercado repercutiu o bom humor do cenário externo com as novidades sobre o acordo comercial entre Estados Unidos e China.

O conselheiro de segurança nacional dos EUA, Robert O’Brien, afirmou que é possível fechar a primeira fase do acordo comercial com os chineses ainda este ano.

Mais cedo, o jornal do Partido Comunista chinês, Global Times, fez uma publicação dizendo que Washington e Pequim estão muito próximos de concluir o pacto, confirmando o progresso nas negociações.

Adicionalmente, a China adotou novas diretrizes de combate às violações de propriedade intelectual, mostrando que, de fato, os governos estão se empenhando em concretizar os termos estabelecidos.

Com o clima mais otimista para os emergentes, os investidores renovaram o apetite ao risco, impulsionando os ganhos nos principais índices ao redor do mundo.

Em Wall Street, o Dow Jones subiu 0,68%, o S&P 500 avançou 0,75% e o Nasdaq Composto saltou 1,32%.

No Brasil, o movimento da B3 foi enfraquecido com a notícia de que o governo de Jair Bolsonaro está considerando cobrar impostos sobre o lucro com dividendos.

O presidente tem enfrentado sérias críticas sobre sua gestão também na área social, sobretudo, em relação ao esvaziamento das políticas de combate à pobreza.

Além disso, crescem as preocupações sobre a continuidade da agenda de reformas no Congresso, já que sua base de apoio ficou mitigada após sucessivos conflitos com os parlamentares e a saída do PSL.

Nesta sessão, dentre as maiores altas, temos JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3) e BRF (BRFS3), dentre as baixas, destacaram-se B3 (B3SA3), Ultrapar (UGPA3) e Magazine Luiza.

Como resultado, a Bolsa brasileira recuou 0,25% aos 108.423 pontos, registrando um volume financeiro de R$11,725 bilhões.

Dólar salta a R$4,22 com incertezas EUA-China e decepção nas contas externas

O dólar comercial encerrou em alta de 0,53% nesta segunda-feira (25), fechando na cotação de R$4,2130 na venda, próximo à máxima do dia.

Um conjunto de catalisadores pressionaram a queda do real, que vem engatando sucessivas desvalorizações após o fracasso do leilão de cessão onerosa.

Como não houve o ingresso de divisas no montante esperado pelo governo, o déficit nas transações correntes do mês outubro foi ligeiramente superior ao estimado pelos analistas.

Segundo dados divulgados pelo Banco Central, o déficit alcançou US$7,9 bilhões, evidenciando a intensidade do fluxo de saída de moeda do país.

O movimento pressionou fortemente o câmbio, levando o real a apresentar um dos piores desempenhos em relação ao dólar, na comparação às demais divisas emergentes.

Além disso, os investidores permaneceram céticos em relação à guerra comercial entre Estados Unidos e China, apesar de as notícias revelarem um progresso “aparente” nas negociações entre os dois países.

No mesmo sentido, os contratos de juros futuros apresentaram aumento nas taxas ao longo da curva, reagindo à baixa liquidez dos mercados em função do feriado do Dia de Ação de Graças nos EUA, na próxima quinta-feira.

Depois de iniciar o pregão em queda, os DIs viraram para alta, acompanhando a valorização do câmbio e as incertezas no cenário externo.

O DI julho/2020 subiu a 4,47% (4,44% no ajuste anterior), o DI outubro/2023 avançou para 6,27% (6,15% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2028 saltou a 7,02% (6,90% no ajuste anterior).

Petróleo avança 0,4% impulsionado pelas expectativas sobre a demanda

Os contratos futuros de petróleo encerraram em alta nesta segunda-feira (25), apesar da intensa volatilidade apresentada ao longo do dia.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para janeiro, subiu 0,41%, sendo negociado a US$58,01 o barril.

Já o petróleo Brent para o mesmo mês, comercializado na ICE de Londres, avançou 0,40%, fechando na cotação de US$63,65 o barril.

Os investidores ficaram atentos às notícias sobre a guerra comercial entre Estados Unidos e China, esperançosos de que os dois países consigam concluir a primeira fase do acordo.

Os sinais otimistas enviados por Washington e Pequim trazem novo fôlego aos contratos, já que a resolução da disputa poderá aquecer a demanda pela commodity.

Por outro lado, a expectativa de extensão nos cortes da produção dos países que integram a Opep também contribuiu com o bom desempenho das cotações.

Na semana que vem, o cartel e os demais países aliados se reunirão para fixar as metas de redução para o ano que vem e estabelecer novas estratégias para garantir um patamar para os preços do barril.

Isso porque, as projeções para o ano que vem indicam que a oferta global de óleo bruto poderá superar a demanda, de tal forma que será necessário conter a produção para nivelar as quantidades.

Segundo estrategistas do ING, a Opep precisará estender a política de redução no mínimo, até junho de 2020, caso não queira correr o risco de “enfrentar preços substancialmente mais baixos”.

Noticiário Corporativo: Passivos e provisões podem afetar o preço de mercado da Eletrobras

Na condição de maior companhia elétrica da América Latina, a Eletrobras (ELET3/ ELET6) possui um conjunto de processos antigos que estão em andamento e podem resultar em passivos muito significativos.

O governo prevê arrecadar R$16,2 bilhões com a privatização da companhia no ano que vem, porém, o resultado destes processos pode afetar a avaliação dos investidores quanto ao preço cobrado.

Sendo responsável por quase metade de todo o sistema de transmissão e geração de energia do país, a estatal convive com um grande problema do passado: o empréstimo compulsório recolhido sobre o consumo de energia.

Visando expandir o setor elétrico nacional, dos anos 1977 a 1993, a Eletrobras arrecadou a referida quantia para realizar o investimento.

Nos anos seguintes, a companhia efetuou o pagamento dos créditos, porém, existe um contencioso jurídico de grande relevância ainda em aberto, que discute a atualização monetária da dívida.

Nos últimos cinco anos, a estatal pagou R$6 bilhões referentes aos processos e continuou mantendo uma provisão de R$18 bilhões em seu balanço.

Além disso, há possibilidade de que uma alteração jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) possa desfavorecer a Eletrobras em outros processos, ensejando uma provisão adicional de R$11 bilhões.

Em nota, a administração da elétrica informou que as provisões registradas foram “razoáveis e apropriadas à luz das contingências futuras” e acrescentou que não há garantias quanto ao resultado dos processos judiciais.

Durante uma entrevista coletiva, o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, disse que o empréstimo compulsório é um passivo que vai continuar com a empresa após a privatização.

E ressaltou que as condições para a transição da dívida estão expressamente previstas no projeto de lei que regulamenta os procedimentos de capitalização e venda da estatal.


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