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Ibovespa recua com dados negativos da China e incertezas na guerra comercial

Por Pablo Vinicius Souza
09 dezembro 2019 - 19:42

O Ibovespa encerrou em leve queda nesta segunda-feira (09), refletindo os movimentos suaves do exterior, já que o dia foi de agenda esvaziada no Congresso Nacional.

No final de semana, a China divulgou que as suas exportações sofreram contração de 1,1% em novembro, quando comparado ao mesmo mês do ano anterior.

O indicador frustrou as previsões dos analistas, que apostavam na recuperação da balança comercial, porém, pelo quarto mês consecutivo, a economia chinesa sentiu os efeitos drásticos da disputa com os EUA.

Além disso, está previsto para entrar em vigor no próximo dia 15 de dezembro um novo aumento nas tarifas americanas sobre US$156 bilhões de produtos importados do gigante asiático.

Por esses e outros motivos, Pequim está trabalhando para acelerar as negociações e fechar a primeira fase do acordo com Washington, antes desta nova rodada de sobretaxas.

Inclusive, o conselheiro econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, durante uma entrevista à CNBC, afirmou que os dois países estão muito perto de chegar a um consenso sobre o acordo.

Contudo, ele sinalizou que o presidente Donald Trump poderia abandonar o diálogo, caso determinadas demandas não sejam atendidas pelo governo chinês.

Diante disso, os investidores ficaram temerosos com a possibilidade de agravamento do conflito tarifário, preferindo adotar uma postura mais defensiva em relação aos ativos de risco.

Na B3, o dia também foi de baixas oscilações, apesar do otimismo do mercado com os indicadores econômicos que demonstraram o movimento de retomada do crescimento.

Dentre os ativos que mais valorizaram, Smiles (SMLS3), BTG Pactual (BPAC11) e CCR (CCRO3) se destacaram no pódio; e dentre as maiores baixas, Intermédica (GNDI3), Yduqs (YDUQ3) e JBS (JBSS3) lideraram as perdas.

Também no radar, a expectativa pelas reuniões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos limitou o desempenho do índice geral, já que os comunicados dos Bancos Centrais poderão revelar as perspectivas para 2020.

No fim da sessão, a Bolsa brasileira recuou 0,13% aos 110.977 pontos, registrando um volume financeiro de R$13,936 bilhões.

Dólar fecha a R$4,13 de olho nas decisões do Copom e do Federal Reserve

O dólar comercial encerrou em queda de 0,39% nesta segunda-feira (09), fechando na cotação de R$4,1300 na venda, rondando as mínimas.

A expectativa com as reuniões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos afetou os movimentos do câmbio, limitando a amplitude e a volatilidade vistos na sessão.

O volume de negociação dos contratos foi de R$62,3 milhões, ficando ligeiramente abaixo os R$69,3 registrados na semana passada.

A aposta majoritária dos analistas para a “super-quarta” é que o Federal Reserve deve manter a taxa de juros dos EUA no atual patamar; ao revés, o Comitê de Política Monetária deverá reduzir a taxa Selic em 0,50%.

Apesar da liquidez reduzida durante o pregão, o real conseguiu apresentar o melhor desempenho contra a divisa americana, dentre as 33 principais moedas globais.

Na ausência de catalisadores específicos, os investidores repercutiram a melhora da economia do país, evidenciada pelos indicadores mais fortes do Produto Interno Bruto (PIB) e da inflação.

Com o ajuste positivo do cenário macroeconômico, a tendência é que as oportunidades de investimentos atraiam capital estrangeiro e impulsionem a valorização da moeda local.

Reagindo à diferentes pressões, os contratos de juros futuros encerraram próximos à estabilidade, com o mercado de olho na decisão do Copom.

O principal foco da renda fixa é a redução da taxa básica à 4,50%, o menor patamar da história, e o novo piso do juro real, que atingiu 0,64% segundo o cálculo do Valor Data.

O DI abril/2020 subiu a 4,39% (4,38% no ajuste anterior), o DI outubro/2023 terminou estável, sendo cotado a 6,02% e o DI janeiro/2026 aumentou a 6,55% (6,53% no ajuste anterior).

Petróleo recua com receios sobre a produção da Opep e desaceleração econômica na China

Os contratos futuros de petróleo encerraram em queda nesta segunda-feira (09), com o mercado reagindo aos sinais de desaceleração na economia da China e aos temores sobre o corte na produção da Opep.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para janeiro, caiu 0,30%, sendo negociado a US$59,02 o barril.

Enquanto o petróleo Brent para fevereiro, comercializado na ICE de Londres, recuou 0,21%, fechando na cotação de US$64,25 o barril.

Segundo dados divulgados pelo governo chinês, as exportações do país declinaram 1,1% no mês de novembro, em comparação ao mesmo período do ano passado.

Na condição de maior importador líquido de óleo bruto do mundo, a contração econômica no gigante asiático poderá impactar negativamente as projeções de demanda para 2020.

O fato trouxe forte pressão de baixa às cotações, já que há um risco iminente de o país não conseguir fechar um acordo comercial com os Estados Unidos antes que um novo aumento de tarifas entre em vigor.

Outro aspecto que também adicionou volatilidade aos preços da commodity foi a preocupação com os níveis de corte na produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo.

Alguns analistas de mercado questionaram se as quantidades reduzidas serão suficientes para manter os contratos no mesmo nível, ou mesmo, alcançar um possível equilíbrio de preços um pouco mais baixo.

Até porque, não se sabe quão comprometidos com a meta estão todos os países, tendo em vista que em situações anteriores houve o descumprimento da diretriz de cortes estabelecida pelo cartel.

Noticiário Corporativo: Fleury aposta em laboratório digital para conseguir espaço no mercado popular

O grupo Fleury (FLRY3) anunciou sua intenção de acessar o mercado da classe popular, oferecendo serviços que serão prestados por meio de laboratórios digitais.

Desde o agendamento e envio de pedidos médicos, até exames e análises clínicas poderão ser realizados por meios digitais, sendo possível sua efetivação na residência do paciente ou outro lugar de sua preferência.

Segundo o presidente da companhia, Carlos Marinelli, há um nicho de aproximadamente 2,6 milhões de pessoas desatendidas, que poderão usufruir de uma estrutura que já funciona e apresenta baixo custo.

“Vamos ter uma estrutura muito competitiva, que não demanda custos elevados. Além disso, já temos uma plataforma, que é usada pelo serviço Fleury em casa, e muita experiência em atendimento domiciliar” – destacou o executivo.

Só no terceiro trimestre, o volume de exames realizados em domicílio com a bandeira Fleury aumentou 20% e o número de atendimentos na companhia de um modo geral avançou 10,6%.

Seguindo esta premissa, o grupo decidiu relançar a marca Campana, que mesmo estando desativada desde a sua aquisição há mais de 10 anos, foi a mais lembrada pelas pessoas.

Isso ocorreu em função do relacionamento próximo que a antiga empresa mantinha com a comunidade médica e com a população local.

Por isso, o Fleury decidiu não só trazer a marca de volta ao mercado, mas oferecer um novo serviço chamado “Campana até você”, no qual, concentrará 95% dos principais exames e análises clínicas.


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