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Ibovespa recua com conflito EUA-China, indicadores da zona do euro e Fed no radar

Por Pablo Vinicius Souza
23 setembro 2019 - 18:30
Ibovespa futuro cai

O Ibovespa recuou no pregão desta segunda-feira (23), reagindo à diferentes catalisadores do cenário externo.

Em sessão de baixo volume transacionado, os investidores adotaram a postura de cautela diante das controversas negociações entre Estados Unidos e China.

Na semana passada, uma delegação chinesa desembarcou em Washington para preparar os detalhes da reunião entre autoridades de alto nível, que está prevista para ocorrer no início de outubro.

Porém, na última sexta-feira, o presidente Donald Trump afirmou que estaria interessado em fazer um acordo completo, e não somente com questões ligadas ao agronegócio.

O fato despertou preocupações, que posteriormente foram acentuadas com o cancelamento das visitas que os representantes chineses fariam às fazendas americanas.

Não obstante os contratempos, os governos de ambos os países se manifestaram afirmando que os diálogos comerciais foram muito “construtivos”.

Outro fator que trouxe volatilidade às movimentações foi a divulgação dos indicadores negativos na zona do euro, que evidenciaram a piora da economia no velho continente.

O desempenho abaixo do esperado dos setores industrial e de serviços da União Europeia, pressionou uma onda de sell-off generalizada nos índices europeus, em meio aos temores de uma possível recessão global.

Além disso, alguns dirigentes do Federal Reserve se pronunciaram ao longo do dia, expressando suas opiniões acerca da atual conjuntura econômica dos EUA.

O presidente do Fed de Nova Iorque, John Williams, afirmou que a instituição está preparada para suprir qualquer demanda de liquidez do mercado, citando as ações recentes de overnight.

Já o presidente de Saint Louis, James Bullard, disse que a política monetária americana já está mais relaxada, contudo, poderão surgir novas situações ensejadoras de estímulos.

E a presidente de San Francisco, Mary Daly, asseverou que a economia dos EUA está em uma posição confortável e que a redução dos juros está ajudando a transitar pelas adversidades.

No contexto doméstico, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, convocou para amanhã uma sessão do Congresso Nacional, para votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Com essa decisão, o senador adiou para a próxima quarta-feira (25) a votação da proposta de reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário da respectiva casa legislativa.

Como resultado, a Bolsa brasileira fechou em leve queda de 0,17% aos 104.637 pontos, anotando um volume financeiro de R$8,334 bilhões.

Dólar avança a R$4,17 em sinal de cautela frente aos temores de recessão

Refletindo o aumento das preocupações com um possível cenário de recessão, o dólar comercial encerrou o pregão desta segunda-feira (23) em valorização contra as principais moedas globais.

Em dia de movimentações contidas, a divisa americana também avançou contra o real brasileiro, terminando na cotação de R$4,1710 na venda, apreciando 0,41%.

No radar dos investidores, seguem os desdobramentos das controversas negociações entre Estados Unidos e China e os indicadores decepcionantes da zona do euro.

A junção de uma série de variáveis que demonstraram a piora das perspectivas sobre a economia global no curto prazo, pressionou à busca por ativos que oferecem maior proteção.

Além disso, a redução da taxa Selic registrada na semana passada conduziu o dólar a um comportamento ascendente em âmbito interno, levando a o real à liderança do ranking de moedas com pior desempenho, na variação acumulada de setembro.

Na mesma linha, os contratos de juros futuros fecharam com elevação nas taxas em todos os períodos, seguindo a tendência cambial, enquanto espera alguns eventos que podem influenciar em ajustes ao longo da semana.

Nesta terça, o mercado acompanhará a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), os indicadores de inflação do IPCA-15 e o discurso do presidente Jair Bolsonaro na ONU.

O DI julho/2020 subiu para 4,88% (4,86% no ajuste anterior), o DI janeiro/2024 saltou para 6,51% (6,46% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2026 avançou a 6,91% (6,87% no ajuste anterior).

Petróleo oscila mas avança com agravamento das tensões geopolíticas

Os contratos futuros de petróleo encerraram em alta nesta segunda-feira (23), depois de enfrentar momentos de intensa volatilidade nas primeiras horas de pregão.

Os investidores operaram receosos com o ambiente político no Oriente Médio, proveniente das acusações que os Estados Unidos e a Arábia Saudita desferiram ao Irã, responsabilizando-o pelos ataques à estrutura da petroleira saudita Aramco.

No entanto, na volta do dia, as cotações subiram pressionadas pela possibilidade de os líderes mundiais não lograrem êxito nas negociações durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Mesmo depois que o Irã anunciou a libertação do navio petroleiro britânico, apreendido no Golfo Pérsico no mês de julho, prevaleceu no mercado o sentimento de preocupação diante de um potencial conflito.

Mais cedo, os preços das duas referências da commodity recuaram em atenção ao enfraquecimento dos indicadores econômicos da Alemanha, e consequentemente, da zona do euro.

O fato reascendeu os temores sobre os impactos negativos que a desaceleração da economia global pode trazer aos níveis de demanda do óleo bruto.

Além disso, uma reportagem publicada pelo Wall Street Journal, afirmou que a Arábia Saudita pode demorar mais tempo do que o previsto para restabelecer os níveis de produção na planta prejudicada pelo ataque.

A notícia também revelou que o governo saudita está em negociação com fabricantes de equipamentos e provedores de serviços, porém, o tempo para manutenção poderá demorar muito mais do que dez semanas, conforme prometeram os executivos da estatal.

Como resultado, o de petróleo WTI/novembro vendido em Nova Iorque teve alta de 0,93%, fechando na cotação de US$58,64 o barril e o petróleo Brent de Londres, para o mesmo mês, avançou 0,75%, sendo negociado a US$64,77 o barril.

Noticiário Corporativo: Para tirar o grupo do “limbo digital”, CEO do Via Varejo aposta na reestruturação do e-commerce

Há 80 dias no cargo, o presidente do Via Varejo, Roberto Fulcherberguer, tem trabalhado incansavelmente para tirar o grupo do “limbo digital”, ao qual, a companhia se meteu.

Já na primeira semana de atuação, o executivo trocou quase todos os membros da diretoria e começou a reestruturar as operações, unindo os segmentos de comércio físico e digital.

O objetivo é conseguir aperfeiçoar o sistema de vendas pela web (confirmação de compra, pagamento e entrega) antes do Black Friday, uma data muito importante para o varejo.

“Estamos vários anos atrasados no digital”, por isso, “a corrida é contra o tempo” – afirmou o CEO.

Devido às diversas falhas em processos internos, a companhia registrou atraso nas entregas durante as principais datas de promoções ao longo de 2018, perdendo espaço para a concorrência.

Mas agora, sob a liderança do CEO, o principal foco da varejista é o desenvolvimento de soluções digitais eficazes e o lançamento de novos produtos como o BanQi, o seu banco digital, que já deve estar disponível em, no máximo, 60 dias.

O executivo explicou que as mil lojas do grupo servirão como “agências” do BanQi para atendimento ao cliente e diversos outros serviços, o que também trará maior diversificação ao negócio.

Movimentações na B3  

 As ações de maior liquidez que compõem a carteira teórica do Ibovespa fecharam majoritariamente em queda. A seguir, as mínimas do mercado à vista:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo16/0819/08Ativo16/0819/08
Petrobras (PETR3)-0,45%+1,36%Vale (VALE3)-0,46%-0,09%
Petrobras (PETR4)-1,32%+0,50%Embraer (EMBR3)-0,28%-0,28%
Eletrobras (ELET3)+2,60%-1,81%Banco do Brasil (BBAS3)-0,26%-1,97%
Eletrobras (ELET6)+2,34%-0,71%Cemig (CMIG4)+3,05%+1,44%

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SETOR BANCÁRIOSETOR SIDERÚRGICO
Ativo15/0816/08Ativo15/0816/08
Itaú Unibanco (ITUB3)-0,69%+0,40%Usiminas (USIM3)+0,11%+0,53%
Santander (SANB11)-0,31%+0,47%CSN (CSNA3)-2,79%+1,94%
Bradesco (BBDC3)-0,84%+0,24%Gerdau (GGBR4)-4,25%+3,42%

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