HomeMercados

Ibovespa recua aos 90 mil com exterior negativo e pressões no cenário político

Por Pablo Vinicius Souza
16 maio 2019 - 12:19

O Ibovespa segue em queda nesta quinta-feira (16), refletindo o mau humor do mercado externo com a guerra comercial EUA-China e o aumento nas tensões do cenário político. O presidente americano, Donald Trump, assinou hoje um decreto sobre operações de empresas de telecomunicação no país.

Este documento estabelece uma série de restrições para as companhias estrangeiras, como a chinesa Huawei. Em nota, o governo chinês criticou a medida adotada por Washington e ameaçou nova retaliação caso os EUA prossigam com o plano de estender o aumento de tarifas a outros produtos.

Além disso, Pequim afirmou desconhecer a proposta de continuidade das negociações entre os dois países, inclusive com agenda de visitas dos representantes comerciais, conforme divulgado pelo governo norte-americano.

Por aqui, o clima segue tenso repercutindo as manifestações contra o governo, que ocorreram nas principais cidades de todo o país. Os investidores estão preocupados diante da alta impopularidade de Jair Bolsonaro e sua falta de articulação política para aprovação dos projetos de ajuste fiscal.

Em viagem à Dallas, nos EUA, o presidente brasileiro classificou os manifestantes como “idiotas úteis”, utilizados como “massa de manobra” e isso acentuou as reações negativas. Os movimentos exigiam o fim dos cortes na educação e contestavam a reforma da Previdência.

Em adição, a ida do ministro da Educação, Abraham Weintraub, à Câmara acirrou o embate entre o governo e os parlamentares, e mesmo aqueles que compõem a base governista fizeram inúmeras críticas às explicações do ministro.

Nesse contexto, às 12h07 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira tinha queda de 0,75%, aos 90.981 pontos, registrando um giro financeiro de R$4,145 bilhões.

Dólar avança a R$4,02 com foco no cenário político

Em dia tranquilo para ativos no exterior, o dólar operava acompanhando as turbulências do cenário político. O mercado reagia às manifestações da população contra o governo, às declarações polêmicas de Jair Bolsonaro e ao desgaste nas relações do Planalto com o Congresso.

Diante de tantas controvérsias, os investidores ajustavam posições em busca de maior proteção, em um momento que a divisa americana se fortalecia no exterior sobre as principais moedas emergentes, sobretudo, às ligadas a exportação de commodities.

Ás 12h07 (horário de Brasília), o dólar comercial avançava 0,55% contra o real, sendo cotado a R$4,02, na máxima do dia. Os contratos de juros futuros apresentavam leve alta nas taxas, em sessão de liquidez reduzida e prevalência do clima de cautela.

O DI com vencimento para janeiro/2020 apreciava 0,16%, sendo negociado a 6,41% (6,39% no ajuste anterior), o DI para março/2022 subia 0,52%, sendo comercializado a 7,71% (7,65% no ajuste anterior) e o DI para junho/2024 disparava 1,78%, sendo vendido a 8,58% (8,48% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo

Ambev (ABEV3) – Em comunicado, a Ambev informou a aprovação do seu conselho de administração para a celebração de contratos de equity swap, nos quais ocorre a troca de resultados provenientes de fluxo financeiros futuros, tendo como referência ações da companhia ou ADRs com lastro em ações.

Os contratos poderão gerar a exposição de até 80 milhões de ações ordinárias ou ADRs no valor máximo de R$1,5 bilhão, sem prejuízo da liquidação dos contratos que ainda estão em vigor.

 Vale (VALE3) – Devido aos impactos causados pelo rompimento da barragem da Vale em Bramadinho/MG e pela suspensão judicial das atividades em outras minas, o governo brasileiro está avaliando opções alternativas para compensar a redução na oferta global de minério de ferro.

As projeções indicam que a produção total da commodity no país sofra queda de 10% em 2019. Diante da crise, as exportações brasileiras atingiram o menor nível dos últimos sete anos. A produção recorde de aço na China e a redução no volume da oferta fez com que os preços disparassem.

A mineradora brasileira, na posição de líder mundial do segmento, informou que levará de dois a três anos para atingir a produção de 400 milhões de toneladas/ano, o que estava previsto para ser alcançado no final de 2019.

Comportamento das ações na B3

As ações de maior liquidez operavam entre perdas e ganhos para diferentes setores, com o siderúrgico avançando graças à alta do minério de ferro. Com destaque para as mínimas do dia:

  • Eletrobras (ELET3) -3,75%
  • Kroton (KROT3) -4,45%
  • Azul (AZUL4) -3,02%
  • Embraer (EMBR3) -4,24%
  • Ultrapar (UGPA3) -2,93%
COMPANHIAS ESTATAIS
Petrobras (PETR3) -0,25% Vale (VALE3) +0,83%
Petrobras (PETR4) -0,08% Embraer (EMBR3) -4,24%
Eletrobras (ELET3) -3,75% Banco do Brasil (BBAS3) -1,87%
Eletrobras (ELET6) -2,96% Cemig (CMIG4) +0,46%

E-book: Guia completo e definitivo da Previdência Privada

SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Itaú Unibanco (ITUB3) -0,80% Usiminas (USIM3) -0,30%
Santander (SANB11) -1,37% CSN (CSNA3) +3,91%
Bradesco (BBDC3) -1,43% Gerdau (GGBR4) 0,50%


Sobre o autor