HomeMercados

Ibovespa recua aos 115 mil pressionado por dados da indústria e setor bancário

Por Pablo Vinicius Souza
09 janeiro 2020 - 19:51
Ibovespa futuro cai

O Ibovespa encerrou em queda nesta quinta-feira (09), desviando do bom humor do cenário externo e reagindo às variáveis do cenário macroeconômico.

Os mercados internacionais avançaram em atenção ao alívio nas tensões entre Estados Unidos e Irã, sobretudo, após Donald Trump sinalizar que não partirá para novas agressões.

Em tom apaziguador, o presidente americano disse que determinará novas sanções ao regime iraniano, mas que não revidará o ataque à base militar.

Ele destacou que o bombardeio não resultou em vítimas, demonstrando que a ação do Irã foi previamente calculada e não teve o objetivo de desencadear uma guerra.

No entanto, Trump asseverou que não permitirá ao país persa desenvolver armas nucleares, alegando que o regime financia ações terroristas pelo mundo.

Na visão dos investidores, o fato mostrou que os dois países não desejam iniciar um conflito armado no Oriente Médio, afastando de vez as preocupações nesse sentido.

O sentimento de otimismo impulsionou os índices em Wall Street. O Dow Jones subiu 0,74%, o S&P 500 avançou 0,67% e o Nasdaq Composto saltou 0,81%.

Outra notícia que contribuiu com ambiente positivo foi a confirmação de Pequim sobre a viagem do vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, a Washington, para assinar a primeira fase do acordo comercial.

Pelo que parece, o cronograma definido está andamento e o documento será formalizado no dia 15 de janeiro, em uma cerimônia com autoridades americanas e chinesas.

Por aqui, o mercado acionário repercutiu os dados decepcionantes da produção industrial brasileira, que frustrou as perspectivas dos economistas.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a indústria recuou 1,2% em novembro, quebrando a sequência de três avanços mensais do índice.

Na ótica anual, a referida atividade sofreu uma contração de 1,7%, contrariando as previsões de queda em apenas 0,8%, o que demonstrou um ritmo acentuado de desaceleração.

Na B3, as ações da Cielo (CIEL3) desabaram 6,13%, anotando a maior baixa do dia, após o Bradesco BBI rebaixar sua classificação para “outperform”.

As companhias do setor bancário caíram em bloco, puxando o índice geral para o território negativo, já que sua participação no benchmark é superior a 20%.

As falas do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre uma possível autorização para as fintechs atuarem com microcrédito, derrubou os papéis de todos os bancos.

Como resultado, a Bolsa brasileira recuou 0,26% aos 115.947 pontos, com um volume financeiro de R$23,276 bilhões.

Dólar avança a R$4,08 com revisão das apostas de crescimento do Brasil

O dólar comercial valorizou 0,82%, fechando na cotação de R$4,0851 na venda, pressionado pelo desempenho fraco dos indicadores locais.

Os dados de produção industrial mensurados em novembro registraram queda de 1,2%, segundo informações divulgadas pelo IBGE.

Os números superaram as previsões dos analistas, ensejando uma revisão das apostas em relação aos níveis de crescimento econômico do país em 2020.

Apesar do otimismo que embalou as movimentações no exterior, a divisa americana se consolidou em território positivo, batendo em R$4,0910 na máxima intradiária.

Com isso, a moeda brasileira foi a segunda divisa que mais depreciou em relação ao dólar, atrás apenas do peso chileno, que cedeu 1,31%.

A tendência de alta da moeda dos EUA no exterior também foi apoiada pela recuperação contra ativos mais seguros, como o iene japonês e a libra esterlina.

Os analistas avaliam o comportamento do câmbio interno como “normal”, tendo em vista o risco político e a quebra de expectativas na retomada mais forte da atividade interna.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros anotaram um novo dia de redução nas taxas ao longo de toda a curva, refletindo as perspectivas menor tração na economia.

Com os dados da indústria abaixo do esperado, as estimativas sinalizam que não haverá risco de pressões inflacionárias no curto prazo, além de amparar a aposta de novo corte na taxa Selic na próxima reunião.

O DI janeiro/2021 caiu para 4,45% (4,46% no ajuste anterior), o DI janeiro/2022 declinou para 5,14% (5,16% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 recuou para 6,37% (6,40% no ajuste anterior).

Petróleo fecha em leve queda com alívio nas tensões EUA-Irã

Os contratos futuros de petróleo encerraram leve queda nesta quinta-feira (09), refletindo o sentimento de alívio no que tange ao conflito entre Estados Unidos e Irã.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para fevereiro, caiu 0,08%, sendo negociado a US$59,56 o barril.

Enquanto o petróleo Brent comercializado na ICE de Londres, para entrega em março, recuou 0,10%, fechando na cotação de US$65,37 o barril.

As cotações reagiram ao tom de apaziguamento que o governo americano demonstrou em relação ao Irã, sinalizando que não haverá novas agressões.

Além disso, os preços da commodity também foram afetados pelo salto inesperado nos estoques dos EUA, que reascenderam os temores quanto à um cenário de excesso de oferta.

Os investidores estavam se preparando para um conflito que poderia impactar fortemente a oferta, contudo, os desdobramentos da situação pressionaram um amplo ajuste de posições.

Noticiário Corporativo: Cielo desaba após Bradesco BBI rebaixar sua classificação

As ações da Cielo (CIEL3) sofreram forte queda na B3 após o Bradesco BBI anunciar o rebaixamento de sua classificação para “underperform” (abaixo da média).

Monitorada com cautela pelos investidores, a empresa de pagamentos instantâneos vem de uma sequência de quedas, demonstrando perda de competitividade na “guerra das maquininhas”.

Após a renúncia do vice-presidente de desenvolvimento organizacional, Sérgio Saraiva Castelo Brancos de Pontes, os papéis ordinários acentuaram o movimento de declínio.

Considerando o cenário extremamente competitivo, a companhia precisou se reestruturar para melhorar os preços e retomar os níveis de crescimento no mercado.

Contudo, leva tempo até as estratégias serem efetivamente implementadas e mostrarem resultados, por isso, algumas instituições mantiveram a neutralidade, apesar do enfraquecimento dos resultados.

Segundo um levantamento realizado pela Bloomberg, dentre as principais casas de análise de ativos, três divulgaram as ações da Cielo com recomendação de compra, três recomendaram como venda e nove classificaram como manutenção.

O Bradesco BBI justificou sua revisão alegando que as estimativas de lucro líquido da companhia deverão ser reduzidas em 6% em 2020, totalizando aproximadamente R$1,02 milhão.

O banco também destacou que a renegociação de incentivos pagos aos bancos parceiros não deve resultar em grandes mudanças no cenário, já que os ganhos tendem a ser transformados em incentivos às empresas de varejo.

Outro aspecto abordado no relatório é a dependência acentuada que a Cielo mantém em relação à empresa de cartões formada em sociedade com o Banco do Brasil, a Cateno.

Em 2018, cerca de 20% da receita ajustada da operadora de pagamentos veio desta fonte, subindo para 34% em 2019 e com projeção de aumentar para 55% em 2020.

No final da sessão de hoje, as ações ordinárias CIEL3 recuaram 6,13%, fechando na cotação de R$7,35.


Sobre o autor