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Ibovespa recua aos 115 mil com decisão do Fed e preocupações com coronavírus

Por Pablo Vinicius Souza
29 janeiro 2020 - 19:45
Ibovespa futuro cai

O Ibovespa encerrou em queda nesta quarta-feira (29), reagindo à decisão de política monetária do Federal Reserve e às preocupações com o avanço do coronavírus no mundo.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Banco Central americano decidiu manter a taxa básica de juros aplicada no país no intervalo entre 1,5% e 1,75% ao ano.

Os integrantes concordaram que as diretrizes atuais estão apropriadas, tendo em vista que os níveis de inflação estão mais baixos e a economia está apresentando um ritmo moderado de expansão.

Além disso, o comunicado da instituição reforçou a visão de que o mercado de trabalho está forte e o consumo está em aceleração, apesar da queda nos investimentos e nas exportações.

Durante o seu discurso, o presidente do Fed, Jerome Powell, destacou que os fundamentos da estrutura macroeconômica norte-americana estão sólidos, porém, alguns setores estão sendo prejudicados pelos desafios do cenário externo.

Powell também disse que os salários pagos nos EUA estão aumentando, sobretudo para os que ganham menos, e manifestou a perspectiva de que a inflação ficará perto de 2% nos próximos meses.

Contudo, o chairman chamou a atenção para o surto de coronavírus, afirmando que a crise de saúde na China pode representar uma grande ameaça ao crescimento global.

O mercado ficou muito apreensivo após o governo chinês informar que a doença já matou cerca de 132 pessoas e contaminou mais de 6.000, atingindo dezoito países diferentes.

No Brasil, o Ministério da Saúde está monitorando nove casos suspeitos de infecção pelo coronavírus, mas, até o momento, não houve confirmação.

O diretor-executivo do programa de emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, afirmou que a entidade se reunirá amanhã para discutir se a epidemia será declarada emergência global.

Enquanto não há definições, os investidores realizaram um amplo ajuste de posições, buscando ativos mais seguros e líquidos, em um movimento que pressionou o declínio das ações.

Por aqui, as atenções se concentraram nas falas do presidente do BNDES, Gustavo Montezano, ao explicar que não houve qualquer ilegalidade na auditoria das operações do banco com o grupo J&F.

O polêmico serviço custou R$48 milhões aos cofres públicos e não encontrou qualquer irregularidade nas transações financeiras entre a instituição financeira e a companhia, sendo considerado pelo executivo um caso encerrado.

Na B3, o destaque negativo ficou com as empresas Azul (AZUL4), Cielo (CIEl3), Ultrapar (UGPA3), Gol (GOLL4) e CCR (CCRO3), que registraram as maiores perdas da sessão.

Como resultado, a Bolsa brasileira recuou 0,94% aos 115.384 pontos, com um volume financeiro de R$14,843 bilhões.

Dólar avança a R$4,21 e fecha na máxima de olho no coronavírus

O dólar comercial avançou 0,60% nesta quarta-feira (29), fechando na cotação de R$4,2190 na venda, alcançando a máxima de dois meses.

Em mais um pregão de cautela com a rápida propagação do coronavírus, a divisa americana se fortaleceu frente ao aumento da aversão ao risco no exterior.

Os investidores tentaram dimensionar os impactos que a doença trará à economia mundial, adotando uma postura defensiva, privilegiando os ativos mais seguros.

As preocupações aumentaram após o governo chinês divulgar que o número de mortos aumentou para 132 e os casos de contaminação já superaram a marca de seis mil, espalhados por dezoito países diferentes.

Há uma grande dúvida se as medidas adotadas pela China realmente conseguirão conter a disseminação da doença, já que as pessoas infectadas podem transmitir o vírus mesmo antes de manifestar os sintomas.

Também ficou no radar, a decisão do Federal Reserve em manter a taxa básica de juros dos EUA no intervalo entre 1,50% e 1,75% ao ano.

Embora o anúncio estava sendo muito aguardado, a manutenção da atual política monetária acabou sendo ofuscada pelas preocupações com o cenário externo, não exercendo qualquer efeito sobre as movimentações.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram próximos à estabilidade, porém, com um leve viés de queda nas taxas de médio e longo prazo.

O cenário de níveis comportados de inflação continua a sinalizar uma redução na taxa Selic na reunião de semana que vem e isso impulsiona a retirada do prêmio de risco dos DIs.

O DI outubro/2020 ficou estável, sendo negociado a 4,23%, o DI abril/2023 declinou para 5,58% (5,63% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2028 recuou para 6,74% (6,76% no ajuste anterior).

Futuros de petróleo fecham mistos refletindo alta nos estoques dos EUA

Os contratos futuros de petróleo encerraram o pregão desta quarta-feira (29) sem assumir uma direção única, refletindo as turbulências externas e o aumento nos estoques dos Estados Unidos.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para março, recuou 0,28%, no preço de US$53,55 o barril.

Já o petróleo Brent comercializado na ICE de Londres, para entrega no mesmo mês, registrou alta de 0,50%, fechando na cotação de US$59,81 o barril.

Segundo avaliação dos especialistas, os contratos de ambas as referências apresentaram desempenhos diferentes devido às influências regionais.

O Brent, de referência global, subiu impulsionado pelo agravamento dos conflitos relatados no Oriente Médio, sobretudo, os ataques Houthi à petroleira Aramco.

Enquanto o WTI, de referência americana, recuou em função do aumento expressivo nos estoques de petróleo nos EUA, que fecharam a semana passada em alta de 3,548 milhões de barris.

Além disso, houve uma significativa redução na demanda das refinarias norte-americanas e as margens brutas enfraqueceram com a desaceleração da economia global.

Analisando as duas situações, percebe-se que há um potencial aumento na oferta, mesmo que as disputas nas regiões produtoras sejam intensificadas.

Adicionalmente, o surto de coronavírus na China poderá agravar ainda mais o cenário de excesso, tendo em vista que o país asiático é o maior importador líquido da commodity.

Noticiário Corporativo: Caixa negocia a abertura de capital da subsidiária Caixa Seguridade

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, informou que está negociando autorizações para promover a abertura de capital da subsidiária Caixa Seguridade.

Durante um evento organizado pelo Credit Suisse, ele comentou que o “road show” da oferta pública inicial (IPO) de ações será estendido aos 27 estados do país, para convocar e atrair empresários de todas as regiões.

Além disso, a intenção é oferecer a oportunidade de participação do capital da subsidiária também ao público de varejo, fazendo jus ao título “banco de todos”, inclusive para o mercado de capitais.

Guimarães também comentou que a companhia deve anunciar uma joint venture no setor de cartões, que modificará e surpreenderá o mercado como um todo.

A previsão é que até o final de 2020 as operações de seguridade e cartões sejam capitalizadas, ficando as unidades de loterias e gestão de fundos reservadas a outras oportunidades.

O executivo ressaltou que a instituição é uma potência financeira, embora pouco reconhecida e com um cross selling muito baixo pelo seu número de clientes.

“Vendemos para apenas 1% da nossa base de clientes o seguro prestamista. Para 0,5% dos clientes, vendemos o consórcio. Para 0,2% títulos de capitalização. Como pode ter um cross selling tão baixo mesmo sendo o banco das lotéricas?” – indagou.

Segundo ele, a Caixa tem planos ambiciosos para o segmento de microcrédito, cujos objetivos serão alcançar 30 milhões de clientes e baixar drasticamente a taxa de juros dos produtos oferecidos.

O banco também disponibilizará ao público, já nas próximas semanas, uma linha de crédito imobiliário com taxas pré-fixadas e juros menores que 10% ao ano.

“A grande força da Caixa será vista a partir de 2021” – garantiu o presidente da instituição, ao pontuar as mudanças que estão sendo promovidas em sua gestão.


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