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Ibovespa recua 1% com exterior negativo e cautela sobre a Previdência; dólar dispara a R$3,98

Por Pablo Vinicius Souza
24 abril 2019 - 18:22

O Ibovespa viveu hoje um dia bem contraditório! Os investidores esperavam que após a aprovação da proposta de reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) os ativos brasileiros passariam por uma valorização e o dólar sofreria depreciação frente ao real.

Mas o que aconteceu foi justamente o contrário. O índice geral da B3 oscilou em queda o tempo inteiro e a divisa americana encostou na máxima do dia. Isso ocorreu porque antes mesmo da votação da proposta na comissão o mercado já havia precificado a aprovação, ensejando o fenômeno “sobe no boato e cai no fato”.

Manual do Imposto de Renda para Investidores

Além disso, o mau humor das Bolsas no exterior e as dificuldades encontradas pelo governo já na etapa inicial de tramitação da reforma contribuíram para prevalecer o clima de cautela. A retirada de parte do texto da proposta na fase considerada a mais fácil levantou dúvidas sobre a capacidade de articulação do governo.

“Ontem, a aprovação saiu porque assim fizeram acontecer o Maia e o Centrão. Não foi uma vitória do governo”, comentou Hideaki Iha, um operador da Fair Corretora.

Como resultado, a Bolsa brasileira recuou 0,92%, aos 95.045 pontos, registrando um volume financeiro de R$11,410 bilhões.

Cotação do dólar e juros futuros

O dólar comercial saltou 1,74%, sendo cotado a R$3,98, no maior valor em quase sete meses. A moeda americana se fortaleceu no exterior, sobretudo contra as principais divisas emergentes. Com o aumento do clima de aversão ao risco, os investidores reduziram a exposição, buscando segurança nos ativos cambiais.

Os contratos de juros futuros encerraram perto das máximas do dia, reagindo ao clima de cautela que predominou no mercado de juros. Mesmo com a aprovação da reforma da Previdência na CCJ, a pressão da piora no ambiente externo desencadeou aumento do prêmio de risco ao longo da curva a termo.

O DI com vencimento para novembro/2019 avançou para 6,46% (6,43% no ajuste anterior), o DI para setembro/2022 saltou para 8,12% (8% no ajuste anterior) e o DI para dezembro/2026 subiu para 8,76% (8,65% no ajuste anterior).

Commodities

Petróleo – Os contratos futuros de petróleo encerraram com desempenho misto, refletindo o aumento dos estoques da commodity nos Estados Unidos e o fortalecimento do dólar contra as demais divisas no mercado internacional.

Segundo relatório do Departamento de Energia, os estoques americanos aumentaram em 5,479 milhões de barris na semana passada, ultrapassando as margens previstas, que indicavam uma elevação de apenas 400 mil barris.

Com isso, o petróleo WTI para junho caiu 0,62%, com cotação a US$65,89 o barril vendido em Nova Iorque e o petróleo Brent para junho apresentou variação positiva de 0,08%, com cotação a US$74,57 o barril comercializado em Londres.

Desempenho das ações

As blue chips da Bovespa encerraram em queda em todos os setores. A seguir, as maiores baixas registradas na sessão:

  • Cielo (CIEL3) -4,31%
  • B2W Digital (BTOW3) -3,96%
  • Ultrapar (UGPA3) -5,19%
  • Eletrobras (ELET3) -3,68%
  • Marfrig (MRFG3) -5,85%

Via Varejo – Controladora das redes Casas Bahia e Ponto Frio, a Via Varejo apurou um prejuízo líquido de R$49 milhões no primeiro trimestre de 2019, revertendo o lucro apurado de R$64 milhões obtido no mesmo período do ano passado.

O resultado ruim refletiu o desempenho fraco em vendas e margens brutas, mesmo com a adoção de políticas de redução nas despesas. A receita líquida teve redução de 4% e as vendas globais nas lojas sofreram queda de 1,9%, caminhando na contramão do mercado.

Petrobras – Em comunicado, a Petrobras afirmou que vai aguardar a liberação judicial que permitirá à União realizar o pagamento dos US$9,06 bilhões relativos à sua parte no contrato de cessão onerosa.

A companhia também pretende analisar detalhadamente o regulamento para verificar quais são os seus direitos sobre a preferência no leilão dos campos excedentes, que está previsto para acontecer em outubro.

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 23/04 24/04 Ativo 23/04 24/04
Petrobras (PETR3) +0,75% -1,77% Vale (VALE3) +1,01% -2,83%
Petrobras (PETR4) +1,06% -0,47% Embraer (EMBR3) -1,74% +0,05%
Eletrobras (ELET3) +4,14% -3,68% Banco do Brasil (BBAS3) +2,01% -2,21%
Eletrobras (ELET6) +1,64% -2,09% Cemig (CMIG4) +1,89% -1,86%

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SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 23/04 24/04 Ativo 23/04 24/04
Itaú Unibanco (ITUB3) +1,85% 00% Usiminas (USIM3) -1,09% -2,93%
Santander (SANB11) +0,43% -2,36% CSN (CSNA3) +2,29% -2,83%
Bradesco (BBDC3) +1,87% +0,10% Gerdau (GGBR4) -1,14% -0,81%

 

 


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