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Ibovespa recua 0,7% pressionado pelo nervosismo dos mercados internacionais

Por Pablo Vinicius Souza
23 janeiro 2020 - 13:34

O Ibovespa operava em queda nesta quinta-feira (23), acompanhando o nervosismo dos mercados internacionais frente ao avanço do coronavírus.

A China informou que aumentou para 17 o número de mortes confirmadas em seu território e já são 571 pessoas contaminadas pelo vírus.

O governo chinês e as autoridades locais, decidiram suspender os serviços de transporte da cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, visando isolar o foco central de disseminação da doença.

Embora as providências de contenção estejam sendo tomadas, os números são alarmantes e há registros de novos casos todos os dias.

Os membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) estão reunidos em Paris, para decidir se o surto provocado pela variante do coronavírus será declarado como uma situação de emergência global.

As preocupações com uma epidemia generalizada voltaram a afetar o movimento dos ativos de risco, o que está provocando uma forte baixa nos mercados internacionais.

Por aqui, os investidores repercutiam a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), que avançou 0,71% em janeiro, em comparação ao mês anterior.

O resultado veio em linha com as projeções dos analistas, evidenciando a desaceleração de certas classes de produtos na passagem de dezembro para janeiro, como os alimentos e as bebidas.

Outra notícia que ficou no radar foi a declaração do ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmando que o governo britânico está muito interessado em estabelecer um acordo de livre-comércio com o Mercosul.

Na B3, as companhias Bradespar (BRAP4), Vale (VALE3), Suzano (SUZB3), BRF (BRFS3) e Eletrobras (ELET3) anotavam as maiores perdas.

As ações da Petrobras (PETR3 / PETR4) também recuavam, acompanhando a queda de mais de 2% nos contratos de petróleo na véspera.

Ás 12h28 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira caía 0,76%, aos 117.487 pontos, anotando um volume financeiro de R$5,030 bilhões.

Dólar desvia do exterior e cai a R$4,16 refletindo IPCA

O dólar comercial operava em baixa nesta quinta-feira (23), refletindo os dados mais fortes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15).

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA-15 de janeiro avançou 0,71%, permanecendo no intervalo das projeções dos analistas.

Embora o indicador tenha mostrado desaceleração em relação a dezembro, esse foi o maior valor para o mês desde 2016.

Diante disso, o real subia contra a divisa americana, percorrendo o sentido contrário às demais moedas emergentes, que depreciavam reagindo ao aumento da aversão ao risco.

No exterior, a sessão é de cautela e apreensão frente ao salto do número de mortos e infectados pela variante do coronavírus, na Ásia.

O governo chinês decidiu isolar a cidade de Wuhan para conter a disseminação da doença e pediu para que os cidadãos só saiam da região em casos excepcionais.

Ás 12h28 (horário de Brasília), o dólar comercial recuava 0,31% contra o real, sendo cotado a R$4,1620 na venda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros operavam com forte alta nas taxas ao longo da curva, em atenção ao aumento do IPCA-15 de janeiro.

Apesar de o mercado descartar novas pressões inflacionárias no curto prazo, o avanço do índice pode incentivar o Banco Central a encerrar, antecipadamente, o ciclo de cortes na taxa Selic.

O DI outubro/2020 subia 1,06% sendo negociado a 4,29% (4,24% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 aumentava 0,66%, sendo vendido a 6,34% (6,30% no ajuste anterior).

Noticiário corporativo: Engie vai construir e operar linha de transmissão de energia elétrica do Brasil

A francesa Engie divulgou a aquisição de um projeto que inclui a construção, a operação e a manutenção de uma linha de transmissão de energia elétrica no norte do Brasil.

O contrato estipula o prazo de concessão de 30 anos, com investimento total no valor de 750 milhões de euros (ou US$831,3 milhões).

A linha de transmissão terá 1.800 quilômetros e a companhia terá que construir uma nova subestação e promover a expansão de três subestações existentes na região.

A Engie Transmissão, subsidiária da Engie Brasil, informou em dezembro o fechamento do acordo para a compra da totalidade das ações da Sterlit Novo Estado Energia, por R$410 milhões.

A empresa adquirida (Sterlit) era a detentora do referido contrato de concessão, que agora está sob o controle da Engie, o que permitiu o avanço da companhia no mercado brasileiro.

Segundo Isabelle Kocher, a diretora-presidente da Engie, a estratégia atual é ampliar a atuação da empresa nos países da América Latina, “onde há uma forte necessidade de novas infraestruturas para atender a demanda crescente de energia”.

Depois de comprar 90% das ações da Transportadora Associada de Gás (TAG) e a totalidade da Sterlit Novo Estado Energia, a francesa está avaliando comprar a hidrelétrica Foz do Areia, da Copel.


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