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Ibovespa perde 7% e volta aos 105 mil com preocupações sobre o coronavírus

Por Pablo Vinicius Souza
26 fevereiro 2020 - 18:49

O Ibovespa fechou em forte queda nesta quarta-feira (26), pós feriado de Carnaval, refletindo o mau humor externo causado pelas preocupações com o coronavírus.

Os investidores ficaram temerosos após o governo italiano anunciar o aumento do número de contaminados para 374 e informar a ocorrência de 12 mortes pelo vírus.

Como os números mais que dobraram nos últimos dias, os especialistas classificaram o episódio como o primeiro caso de surto do Covid-19 fora da Ásia.

O avanço do vírus também foi registrado na Coreia do Sul, o segundo país mais afetado, que teve mais de 60 novos casos informados nos últimos dois dias e atingiu a marca de 893 infecções.

Além disso, o Irã reportou a confirmação de 95 casos de contaminação em seu território e 15 pessoas já foram à óbito vítimas da doença.

No Brasil, um homem de 61 anos que chegou recentemente da Itália foi o primeiro caso de infecção devidamente comprovado e relatado pelas autoridades.

Segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o país dará início a uma nova etapa no combate ao coronavírus, na qual, serão tomadas todas providências para mitigar os efeitos e conter sua proliferação.

Por aqui, além das turbulências externas, a cena política novamente roubou a cena, em mais um episódio que demonstrou a falta de alinhamento entre o governo e o Congresso.

O presidente Jair Bolsonaro compartilhou um vídeo convocando a população para ir às ruas no próximo dia 15 de março protestar contra os parlamentares e o Supremo Tribunal Federal.

O fato repercutiu negativamente em todos os setores da sociedade, sobretudo, entre membros do poder legislativo e do judiciário.

O acirramento das tensões entre os poderes trouxe à tona as incertezas sobre a continuidade da agenda de reformas e transformações capitaneadas pela equipe econômica.

Na B3, o dia foi de queda foi generalizada para todas as companhias, com destaque para Gol (GOLL4), Azul (AZUL4), Gerdau Metalúrgica (GOAU4) e CSN (CSNA3), que lideraram as perdas.

Como resultado, a Bolsa brasileira desabou 7% aos 105.718 pontos, com um volume financeiro de R$25,383 bilhões.

Dólar dispara 1,12% e fecha a R$4,44 com incertezas no exterior

O dólar comercial valorizou 1,12% nesta quarta-feira (26), sendo cotado a R$4,4420 na venda, renovando a máxima histórica de fechamento.

Na volta do feriado de Carnaval, a divisa americana se fortaleceu contra o real, mesmo após o Banco Central ofertar cerca de 10 mil contratos de swap cambial e anunciar a venda de outros 20 mil contratos amanhã.

Ao todo, a autoridade monetária vai colocar em circulação aproximadamente US$1,5 bilhão no mercado de derivativos através dos leilões de linha.

Ainda assim, essa intervenção não foi o suficiente para conter a expressiva depreciação da moeda brasileira, que apresentou o pior desempenho do dia, em comparação aos demais pares emergentes.

Além disso, as sucessivas revisões de baixa nas projeções de crescimento do país também ajudavam a aprofundar a trajetória de queda do câmbio local.

O mau humor generalizado foi apoiado pela notificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) avisando que o número de novos casos no mundo subiu mais do que na China, o epicentro da doença.

Adicionalmente, os ânimos pioraram após a Itália reportar um aumento acentuado e repentino no número de contaminações, provocando um alerta no continente europeu e nos demais países.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros encerraram com elevação nas taxas em todos os períodos, refletindo os impactos do coronavírus nos ativos brasileiros durante o feriado.

O movimento de recomposição do prêmio de risco aconteceu, de forma acentuada, nos vértices mais longos, demonstrando as preocupações com o cenário econômico global.

O DI dezembro/2020 subiu para 4,18% (4,16% no ajuste anterior), o DI julho/2024 saltou para 6,06% (5,91% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 avançou para 6,65% (6,47% no ajuste anterior).

Petróleo registra queda superior a 2% sob efeito do coronavírus

Os contratos futuros de petróleo encerraram em forte queda nesta quarta-feira (26), refletindo o aumento das preocupações quanto aos impactos e ao avanço do coronavírus.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para abril, recuou 2,36%, no preço de US$48,73 o barril.

Já o petróleo Brent comercializado na ICE de Londres, para entrega no mesmo mês, caiu 2,76%, fechando na cotação de US$53,43 o barril.

O crescimento do número de novos casos de infecção pelo Covid-19 no mundo tem assustado os investidores e provocado intensa volatilidade no mercado.

As preocupações com os possíveis impactos da doença sobre a economia global ofuscaram, até mesmo, a melhora nos dados sobre os estoques da commodity nos Estados Unidos.

Segundo o Departamento de Energia americano (Doe), os estoques de óleo bruto aumentaram em apenas 452 mil barris na semana passada, contrariando a projeção de alta em 2,1 milhões de barris.

Mesmo assim, o acréscimo menor nos estoques sugere que há uma demanda em desenvolvimento e que poderá fazer frente às turbulências provocadas pela epidemia.

Ao todo, já são mais de 81 mil casos de infecção confirmados em 28 países diferentes e cerca de 2.770 pessoas vieram à óbito pela doença.

Ainda não é possível prever quando as autoridades conseguirão controlar definitivamente o risco de contágio do vírus, porém, os especialistas já sabem que a situação afetará, substancialmente, o crescimento das atividades dos países.

Noticiário Corporativo: Minerva consegue habilitar 5 plantas para exportar carne bovina aos EUA

A Minerva Foods (BEEF3) informou ao mercado que conseguiu habilitar cinco plantas da empresa no Brasil, para exportar carne bovina aos Estados Unidos.

As unidades produtivas aprovadas pelo Departamento de Agricultura americano têm capacidade total de abate de 6.040 cabeças de gado por dia, representando 50% da produção total do frigorífico no país.

A reabertura do mercado dos EUA para a carne bovina in natura brasileira foi anunciada na semana passada, depois de meses de negociação entre as autoridades dos dois países.

A companhia já exportava para a América do Norte através de suas plantas na Argentina e no Uruguai, e agora, poderá reforçar disputar mais espaço com a produção do Brasil.

Também no radar da Minerva, o conselho de administração deverá propor a redução do capital social da empresa, que passará a ser de R$960,3 milhões.

A proposta deve ser apresentada durante a Assembleia Geral Extraordinária, que será realizada na cidade de Barretos, no próximo dia 20.

De acordo com a companhia, a manobra pretende fazer alguns ajustes para “fins contábeis”, de forma a permitir que futuramente sejam distribuídos lucros maiores aos acionistas.


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