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Ibovespa perde 4,65% pressionado pela disseminação do coronavírus

Por Fast Trade
05 março 2020 - 19:07
tensão institucional após manifestações

O Ibovespa encerrou em expressiva queda nesta quinta-feira (05), acompanhando o declínio dos mercados internacionais frente à intensa disseminação do coronavírus.

Operando em baixa desde a abertura, o índice geral acentuou as perdas após Nova Iorque informar que o número de pessoas contaminadas pela doença subiu para 22.

Mais cedo, o estado da Califórnia declarou situação de emergência ao confirmar 54 novos casos e a primeira morte nas imediações de seu território.

Na Itália, o país mais afetado da Europa, a quantidade de vítimas fatais avançou para 148 e o número de infectados já superou a faixa de 3.858.

Como diretriz de prevenção, o governo italiano decretou o fechamento de todas as escolas por 10 dias e todos os jogos de futebol profissional serão realizados a portas fechadas, sem a presença de torcedores.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), no mundo inteiro, cerca de 93 mil pessoas estão infectadas com o Covid-19 e mais de 3 mil foram a óbito vitimadas pela doença.

No Brasil, o Ministério da Saúde confirmou 5 novos casos de contaminação pelo vírus, totalizando 8 no país, localizados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

O clima de aversão ao risco se intensificou entre os investidores, pois, não há como prever a abrangência dos riscos dos riscos de contágio e os impactos da doença para a economia global.

Sem precedentes históricos que indiquem um possível desfecho, o nervosismo prevaleceu entre os agentes do mercado, pressionando as principais Bolsas no exterior.

Em Wall Street, o Dow Jones desabou 3,58%, o S&P 500 caiu 3,39% e o Nasdaq Composto recuou 3,10%.

Por aqui, o Congresso Nacional votou pela manutenção dos vetos de Jair Bolsonaro à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

O acordo entre o governo e os parlamentares resultou no envio de Projetos de Lei que tratam especificamente da distribuição das verbas destinadas a emendas e ao relator-geral do orçamento.

Na prática, o poder executivo logrou êxito, pois, a fatia do orçamento reservada às emendas de comissão e do relator não serão mais impositivas e nem precisarão cumprir prazos de envio e pagamento.

Na B3, a volatilidade se intensificou depois que a Fitch divulgou um relatório sobre os impactos do coronavírus na piora no cenário fiscal dos países da América Latina, visto que, muitos dependem do comércio com a China.

As companhias Gol (GOLL4), Azul (AZUL4), IRB Brasil (IRBR3), Ultrapar (UGPA3) e Cyrela (CYRE3) anotaram as maiores perdas do dia.

Como resultado, a Bolsa brasileira desabou 4,65% aos 102.233 pontos, com um volume financeiro de R$22,691 bilhões.

Dólar fecha a R$4,65 superando novo recorde, apesar das intervenções do BC

O dólar comercial avançou 1,57% nesta quinta-feira (05), fechando na cotação de R$4,6510 na venda, alcançando novo recorde nominal e intradiário.

Na máxima do dia, a divisa americana bateu em R$4,6650, permanecendo em firme valorização mesmo após três intervenções promovidas pelo Banco Central.

No pregão de hoje, a autoridade monetária ofertou o equivalente a US$3 bilhões, divididos em três leilões de 20 mil contratos de swap cambial.

Como tais contratos remuneram o investidor de acordo com a variação cambial, a ação tende a aumentar a oferta de moeda no mercado, pressionando a cotação do dólar.

Contudo, os temores com o impacto do coronavírus no mundo e as perspectivas de juros cada vez mais baixos no Brasil impulsionaram a divisa dos EUA a concluir a 12ª alta consecutiva, na maior sequência desde janeiro de 1999.

O real anotou o pior desempenho dentre as 33 moedas globais mais líquidas, acumulando uma desvalorização de 15,6% no ano.

Os ativos de risco fizeram mais uma sessão de perdas severas, sobretudo, após o estado da Califórnia, nos Estados Unidos, decretar emergência ao confirmar 54 novos casos de contaminação pelo Covid-19 e sua primeira vítima fatal.

Adicionalmente, o governo do Japão determinou quarentena a viajantes da China e da Coreia do Sul, na tentativa de conter a disseminação em seu território.

Em meio a tantas turbulências, os investidores seguem cobrando do BC uma ação mais robusta e efetiva em relação à intensa depreciação do real, para evitar que a situação venha a afetar a confiança na recuperação econômica.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros fecharam em forte alta, apoiados pela percepção de que a epidemia resultará na desaceleração da atividade global.

Além disso, as projeções de corte na taxa Selic permaneceram no radar, com a curva a termo enfrentando um movimento de reprecificação em todos os termos, mediante adição de quase 20 pontos-base no prêmio de risco.

O DI novembro/2020 subiu para 3,82% (3,77% no ajuste anterior), o DI janeiro/2025 saltou para 6,02% (5,79% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 desceu para 6,53% (6,36% no ajuste anterior).

Petróleo recua 2% frente às incertezas sobre um consenso na Opep

Os contratos futuros de petróleo encerraram em forte queda nesta quinta-feira (05), refletindo as incertezas quanto ao acordo de cortes na produção estabelecido pela Opep.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para abril, caiu 1,88%, no valor de US$45,90 o barril.

Já o petróleo Brent comercializado na ICE de Londres, para entrega em maio, recuou 2,22%, fechando na cotação de US$49,99 o barril.

Os investidores estão temerosos sobre o posicionamento da Rússia acerca do acordo de redução na produção fixado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados.

O representante russo se mostrou relutante em aderir ao corte adicional na produção global de 1,5 milhão de barris por dia até 30 de junho, ficando a Opep responsável por reduzir 1 milhão de bpd e os aliados com 0,5 milhão de bpd.

Essa seria uma forma de responder aos impactos que o avanço do coronavírus tem trazido à economia mundial, prejudicando a demanda por óleo bruto.

Tal redução se somaria ao corte de 2,1 milhões de barris por dia, que permanecerá vigente até o final de 2020 para todos os integrantes do cartel.

Diante da dinâmica volátil das commodities, é necessário que os agentes do mercado se posicionem para conter a depreciação dos preços, tendo em vista que não é possível prever a abrangência da epidemia nos próximos meses.

Além disso, há uma forte tendência que os riscos sejam desviados para o lado negativo, influenciando ainda mais, as perspectivas dos investidores.

Noticiário Corporativo: Ultrapar constituirá fundo de R$150 milhões para investir em startups

O Grupo Ultrapar (UGPA3) está planejando constituir um fundo de R$150 milhões para realizar investimentos em startups que atuam no mesmo ramo de negócios do conglomerado.

Segundo o presidente da companhia, Frederico Curado, o objetivo é impulsionar empresas que estejam voltadas ao desenvolvimento de produtos e serviços que possam agregar valor ao negócio.

“Estamos montando uma entidade de “corporate venture capital” para identificar oportunidades de investimento em startups, para desenvolver dentro de uma empresa grande como o Ultra e ver que sinergias e oportunidades pode trazer para os nossos negócios” – explicou o executivo.

O montante de R$150 milhões será aplicado ao longo de cinco anos, visto que, não se trata de uma atividade tradicional de venture e vai utilizar a estrutura corporativa do Ultra.

O grupo também manterá como estratégia a difusão da cultura de excelência para formar líderes em gestão de negócios e alocação de capital.

“Sabemos que os recursos são finitos e vemos um posicionamento cada vez maior no ‘dowstream’ do país” – afirmou curado, destacando a importância de construir valor de longo prazo.

O presidente do Grupo ressaltou que a divulgação das projeções de resultados do conglomerado e de suas cinco empresas será recorrente a partir de 2020 e será realizada em conjunto com as previsões de investimentos para o exercício seguinte.

Na última terça-feira, o Ultrapar divulgou as estimativas para o Ebitda (resultado antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) deste ano.

“É uma iniciativa nova, para permitir maior alinhamento às expectativas do mercado e ancorar em números nossas expectativas para os resultados, tanto para as empresas individualmente quanto para a Ultrapar como um todo” – ressaltou o executivo.

 


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