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Ibovespa oscila mas fecha em alta de 0,88% com turbulências do exterior

Por Pablo Vinicius Souza
27 agosto 2019 - 18:27

 Em sessão de intensa volatilidade, o Ibovespa conseguiu fechar em território positivo, devolvendo parte das perdas registradas na véspera.

Depois de chegar a perder o patamar de 96 mil na mínima do dia, o índice geral engatou trajetória de alta, desviando do comportamento dos ativos no exterior.

Novamente, o rendimento dos títulos públicos dos Estados Unidos de dois anos superou os de dez anos, evidenciando que um período de recessão econômica está próximo.

O fato despertou as preocupações do mercado, tendo em vista o ritmo avançado de desaceleração das atividades nas principais economias do mundo.

Ainda nos EUA, os indicadores divulgados hoje mostraram que a confiança do consumidor americano caiu para 135,1 pontos no mês de agosto, contrariando as projeções consensuais do Bloomberg, que apontavam para um recuo a 128,8.

O dado reforçou a visão de que a economia norte-americana continua robusta e forte, apesar das turbulências trazidas pelas tensões comerciais e geopolíticas.

Em relação à disputa tarifária, o governo da China anunciou que está estudando a possibilidade de reduzir, ou até mesmo, remover as restrições impostas às importações de automóveis para estimular o consumo interno.

Pequim também acrescentou que facilitará a aquisição de crédito para compras de veículos movidos a energia limpa e determinados eletrodomésticos que utilizam tecnologia inteligente.

Embora o gigante asiático tenha recuado em algumas decisões para dar sequência às negociações do acordo, os investidores permaneceram cautelosos diante da rigidez de Washington em manter a imposição de tarifas, que entrará em vigor dia 01 de setembro.

Como resultado, a bolsa brasileira avançou 0,88%, aos 97.276 pontos, registrando um volume financeiro de R$20,626 bilhões.

Dólar sobe a R$4,15 com atuação forte do Banco Central

O dólar comercial valorizou 0,48% contra o real brasileiro, fechando na cotação de R$4,1560 na venda, mesmo após forte atuação do Banco Central.

Depois de bater em R$4,1948 na máxima do dia, a autoridade monetária realizou um leilão-surpresa, ofertando dólares no mercado à vista, sem conjugar com a venda de contratos de swap reversos.

A medida, que há dez anos não era utilizada, foi adotada em um momento de falta de liquidez, no qual, prevaleciam o nervosismo do exterior e a pressão das remessas sazonais normalmente efetuadas no final do mês.

A reação acelerada do câmbio ocorreu também no exterior, após a divulgação do índice de confiança do consumidor nos EUA, que recuou ligeiramente abaixo do esperado em julho, fortalecendo a divisa americana.

Na mesma linha, os contratos de juros futuros dispararam, impulsionados pelo aumento das preocupações quanto à continuidade da flexibilização da política de juros.

Com o dólar nas alturas, o cenário de afrouxamento se torna ameaçado e os investidores de renda fixa adicionaram prêmio de risco aos ativos para fazer frente às apostas.

O DI junho/2020 subiu para 5,44% (5,31% no ajuste anterior), o DI outubro/2023 saltou para 6,91% (6,88% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 avançou para 7,40% (7,34% no ajuste anterior).

Petróleo fecha em alta com exigências do Irã e enfraquecimento do dólar

Os contratos futuros de petróleo encerraram em alta na sessão desta terça-feira (27), em atenção à postura mais rígida do Irã com os Estados Unidos e o enfraquecimento do dólar no cenário internacional.

O presidente iraniano, Hassan Rouhani, declarou que só participará de uma reunião com o presidente americano, Donald Trump, se Washington retirar as sanções impostas ao seu país.

Ontem, Trump sugeriu a possibilidade de programar um encontro entre o presidente do país persa para discutir sobre as armas nucleares, porém, Rouhani não demonstrou entusiasmo com a reaproximação.

Embora o clima ainda seja de cautela entre os investidores, os contratos foram beneficiados com o otimismo pelo afastamento entre os dois países e com a depreciação do dólar, que deixou os contratos mais baratos.

Também no radar, o mercado segue acompanhando os desdobramentos da guerra comercial EUA-China, com a expectativa de que o encerramento do conflito impulsione a alta da demanda.

Entre idas e vindas, o governo chinês segue fazendo concessões para impedir que a ofensiva tarifária norte-americana entre em vigor a partir do dia 01 de setembro, porém, não houve contrapartida de Washington até o momento.

Como resultado, o petróleo WTI para entrega em outubro saltou 2,40%, na cotação de US$54,93 o barril e o petróleo Brent para o mesmo período avançou 1,38%, sendo negociado a US$59,51 o barril.

Noticiário Corporativo

Eternit (ETER3)Em recuperação judicial, a Eternit está lançando produtos voltados ao atendimento do setor de energia solar, apostando na diversificação do seu portfólio.

Segundo a empresa, seu departamento de pesquisa e desenvolvimento está trabalhando em tecnologias nacionais e importadas que possam ser aplicadas em soluções para a construção civil.

“Neste sentido, informamos o lançamento da telha de concreto fotovoltaica, homologada pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia)” – afirmou a Eternit.

Também será concluído já nos próximos meses, o desenvolvimento do processo de produção industrial na fábrica da companhia localizada em Atibaia/SP, sendo autorizada a venda para clientes selecionados antes de lançar o produto ao público.

Movimentações na B3  

 As ações de maior liquidez da Bovespa encerraram em alta, recuperando parte das perdas anotadas na véspera. A seguir, as máximas do dia:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 16/08 19/08 Ativo 16/08 19/08
Petrobras (PETR3) -0,45% +1,36% Vale (VALE3) -0,46% -0,09%
Petrobras (PETR4) -1,32% +0,50% Embraer (EMBR3) -0,28% -0,28%
Eletrobras (ELET3) +2,60% -1,81% Banco do Brasil (BBAS3) -0,26% -1,97%
Eletrobras (ELET6) +2,34% -0,71% Cemig (CMIG4) +3,05% +1,44%

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SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 15/08 16/08 Ativo 15/08 16/08
Itaú Unibanco (ITUB3) -0,69% +0,40% Usiminas (USIM3) +0,11% +0,53%
Santander (SANB11) -0,31% +0,47% CSN (CSNA3) -2,79% +1,94%
Bradesco (BBDC3) -0,84% +0,24% Gerdau (GGBR4) -4,25% +3,42%


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