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Ibovespa oscila em queda com falas de Trump e incertezas no cenário político

Por Bruna Santos
24 maio 2019 - 12:48

Oscilando próximo à estabilidade desde a abertura, o Ibovespa acompanhava de forma mais intensa as movimentações no exterior, embora os ruídos locais limitassem o seu desempenho.

O mercado ganhou novo fôlego após Donald Trump declarar que está ansioso para se encontrar com o presidente da China, Xi Jinping, na reunião do G-20, que acontecerá no início de junho.

O presidente americano afirmou ter esperanças de que este encontro possa melhorar a relação comercial entre os dois países, mudando completamente o tom de acusação assumido nos últimos dias.

Por aqui, os investidores continuam atentos ao cenário político, com o clima de “alívio” no embate entre o governo e o Congresso.

Porém, as manifestações convocadas pelo presidente Jair Bolsonaro para o próximo domingo (26) são motivo de preocupação, já que é impossível prever quais serão as pautas reivindicadas.

Para o sócio da Novus Capital, Luiz Eduardo Portella, as consequências do protesto podem ser boas ou ruins, dependendo do ponto de vista.

Ele destacou que a baixa adesão da população pode ser boa para o Executivo recuar da ofensiva contra o Legislativo mas pode ser ruim, evidenciando o enfraquecimento de Bolsonaro.

Por outro lado, uma grande mobilização poderia aprofundar drasticamente as desavenças entre os poderes e essa incerteza tem limitado o desempenho do índice, conforme acrescentou o executivo.

Nesse contexto, às 12h25 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha leve queda 0,14%, aos 93.806 pontos. O giro financeiro até o momento era de R$4,115 bilhões.

Com melhora no exterior, dólar cai a R$4,03

A divulgação dos dados mais fracos da economia norte-americana e as declarações “suaves” de Trump sobre as relações com a China pressionavam a queda da divisa americana no exterior.

Ás 12h25 (horário de Brasília), o dólar comercial desvalorizava 0,47% contra o real brasileiro, sendo cotado a R$4,03, próximo às mínimas do dia.

O mercado de câmbio local atuava em linha com os demais pares emergentes, que ganhavam terreno contra a moeda dos EUA.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros apresentavam redução nas taxas em todos os períodos, com os juros de longo prazo acentuando a trajetória de baixa.

 O DI novembro/2019 declinava 0,16%, sendo negociado a 6,40% (6,42% no ajuste anterior) e o DI junho/2022 caía 0,39%, sendo comercializado a 7,68% (7,73% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo

Braskem (BRKM5) – O processo de venda da Braskem para a holandesa LyondellBasell pode vir a sofrer complicações devido às más notícias que envolvem a empresa nas investigações da Lava-Jato.

Além disso, o aumento das incertezas quanto ao projeto de extração de sal-gema em Alagoas e a suspensão da oferta de ações da companhia na Bolsa de NY também atrapalharam as negociações.

Segundo reportagem do Estadão, a Lyondell não vai se arriscar em concluir a aquisição da Braskem enquanto as pendências não forem resolvidas.

Vale (VALE3) – O Bank of American Merrill Lynch reclassificou as ADRs da Vale, que antes estavam na categoria “neutra” e agora estão na categoria “compra”.

Adicionalmente, o minério de ferro voltou a subir e o UBS aumentou as projeções de preço para US$90 a tonelada, o que também impulsionava as ações da mineradora.

Mesmo assim, o mercado segue atento ao iminente risco de rompimento da barragem de Gongo Soco, em Barão de Cocais/MG, cujas previsões apontam para o inevitável colapso da mina.

Comportamento das ações na B3

As ações de maior liquidez da B3 operavam em queda, com a Petrobras e as siderúrgicas exponenciando perdas. A seguir, as mínimas do momento:

  • JBS (JBSS3) +3,91%
  • Bradespar (BRAP4) +3,08%
  • BRF (BRFS3) +2,69%
  • Gol (GOLL4) +2,42%
  • Vale (VALE3) +2,26%
COMPANHIAS ESTATAIS
Petrobras (PETR3)+0,07%Vale (VALE3)+2,26%
Petrobras (PETR4)+0,46%Embraer (EMBR3)-1,23%
Eletrobras (ELET3)+1,56%Banco do Brasil (BBAS3)+1,41%
Eletrobras (ELET6)-0,17%Cemig (CMIG4)-1,24%

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SETOR BANCÁRIOSETOR SIDERÚRGICO
Itaú Unibanco (ITUB3)-1,04%Usiminas (USIM3)+1,39%
Santander (SANB11)+1,24%CSN (CSNA3)+1,95%
Bradesco (BBDC3)-0,66%Gerdau (GGBR4)-0,43%

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