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Ibovespa opera em queda pressionado por dados do varejo e cautela no exterior

Por Pablo Vinicius Souza
15 janeiro 2020 - 13:26

O Ibovespa operava em território negativo nesta quarta-feira (15), refletindo o sentimento de cautela no mercado internacional e a decepção com o resultado das vendas no varejo.

Apesar da expectativa pela assinatura da primeira fase do acordo comercial entre Estados Unidos e China, os investidores estão muito receosos com as notícias dos últimos dias.

O secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, anunciou que as tarifas sobre US$360 bilhões em produtos importados do país asiático que não integraram as negociações da primeira fase do acordo, não serão retiradas até o final das eleições presidenciais do país.

O mercado segue à espera da cerimônia que deve ser realizada hoje e contará com a presença de autoridades dos dois países para formalizar o documento com os termos acordados por ambas as partes.

No cenário interno, o foco das atenções eram os dados referentes às vendas no varejo realizadas em novembro, que vieram ligeiramente abaixo das previsões dos especialistas.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no mês do Black Friday, o varejo brasileiro teve um aumento de apenas 0,6% em relação a outubro.

A projeção era um crescimento de 1,2% no setor, considerando os estímulos econômicos aplicados pelo governo para reaquecer o consumo das famílias.

Neste ínterim, o indicador seguiu o mesmo caminho dos dados de produção industrial e sinalizou que o ritmo de crescimento da economia continua lento e gradual.

Também ficou no radar, a mudança de posicionamento dos EUA em relação à entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Segundo reportagem do Estadão, Washington avaliou que o governo brasileiro está mais alinhado aos objetivos da OCDE do que o atual governo argentino, e por isso, deixará de apoiar o ingresso da Argentina para direcioná-lo ao Brasil.

Na B3, as companhias Hapvida (HAPV3), B3 (B3SA3), BR Malls (BRML3) e Iguatemi (IGTA3) registravam as maiores perdas do momento.

Ás 12h17 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira recuava 0,80%, aos 116.685 pontos, anotando um volume financeiro de R$4,089 bilhões.

Dólar avança a R$4,17 com indicadores locais no radar

O dólar comercial operava em queda nesta quarta-feira (15), refletindo a decepção dos investidores com os indicadores econômicos locais.

As vendas no varejo (exceto automóveis e materiais de construção) mensuradas em novembro aumentaram 0,6% em relação a outubro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já no varejo ampliado (inclui tudo), o resultado foi pior, as vendas recuaram 0,5%, contrariando as perspectivas de alta em 0,4%.

O fato evidenciou que a economia brasileira não está fora de perigo como muitos acreditavam e pode sim necessitar de um estímulo adicional para conceder tração às atividades.

Tal conjuntura renovou as apostas de um corte de 0,25% na taxa Selic já na próxima reunião, que está prevista para acontecer em fevereiro.

E a percepção de continuidade da política flexibilização monetária pressionava o desempenho do real, já que a redução do diferencial de taxas praticadas no Brasil e nos EUA torna a moeda brasileira menos atrativa para investimentos.

Ás 12h17 (horário de Brasília), o dólar comercial saltava 1,07% contra o real, sendo cotado a R$4,1730 na venda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros apresentavam queda nas taxas em todos os períodos, com o movimento dos DIs precificando um novo corte na taxa Selic.

O DI novembro/2020 declinava 1,38% sendo negociado a 4,30% (4,34% no ajuste anterior) e o DI julho/2024 recuava 1,59%, sendo vendido a 6,17% (6,23% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: GPA divulga receita líquida consolidada de R$17,29 bilhões no 4º trimestre de 2019

O Grupo Pão de Açúcar (PCAR4) divulgou os resultados do quarto trimestre de 2019 mostrando que a receita líquida consolidada avançou 23,4% no período, totalizando R$17,29 bilhões.

Esse número abrange tanto as operações do segmento alimentício no Brasil, quanto a operação internacional com o Grupo Éxito.

Em novembro do ano passado, o GPA concluiu a compra de 96,7% do capital social da companhia varejista colombiana, que, apenas no mês de dezembro, apurou uma receita de R$2,12 bilhões.

Em relação a 2018, a receita líquida anual do grupo brasileiro cresceu cerca de 14,6%, anotando o montante de R$56,6 bilhões.

Uma de suas principais marcas, a Assaí, registrou um salto de 21,4% na receita líquida, totalizando R$27,7 bilhões, enquanto o multivarejo expandiu apenas 0,7% nos últimos 12 meses.

No que tange à atuação do GPA no país, as vendas no conceito de “mesmas lojas” aumentaram 1,7% no último trimestre, em comparação ao ano passado.

As vendas brutas computadas no período cresceram 24%, somando R$18,89 bilhões, sendo que, na divisão alimentar brasileira, o salto foi de 8,4%, para R$16,51 bilhões.

O destaque foi para a rede Assaí, que, no segmento de alimentos, avançou 19,7% nas vendas brutas, seguindo o planejamento estratégico de expansão e diversificação estabelecido pelo grupo.

Ao longo de 2019, a receita bruta do GPA teve alta de 14,7%, alcançando R$61,51 bilhões, novamente impulsionado pelo excelente desempenho do Assaí.

O faturamento bruto anual registrado foi de R$61,5 bilhões, contando com o Grupo Éxito, e de R$59,1 bilhões considerando somente as operações brasileiras.


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