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Ibovespa opera em queda pressionado por ataque dos EUA ao Irã

Por Fast Trade
03 janeiro 2020 - 13:45

O Ibovespa operava em queda nesta sexta-feira (03), repercutindo o ataque liderado pelos Estados Unidos à integrantes da Guarda Revolucionária do Irã.

Autorizada pelo presidente Donald Trump, a ação militar ocorreu no Iraque e matou o general Qassem Soleimani, considerado o líder mais importante do exército iraniano.

Além dele, o principal comandante paramilitar iraquiano, Abu Mahdi al-Mohandes, também foi morto durante um ataque ao seu comboio, quando passava pela estrada que leva ao Aeroporto Internacional de Bagdá.

Através de um comunicado, o Pentágono justificou a medida dizendo que o general e outros líderes militares do Irã planejavam atacar diplomatas e oficiais americanos no Iraque e nas imediações.

Em resposta, o grão-aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, publicou em sua conta no Twitter que “uma vingança severa” aguarda os que “sujaram as mãos com o sangue do general”.

Os investidores adotavam uma postura de cautela, preservando a segurança em meio aos temores de um possível conflito armado no Oriente Médio, que poderá acentuar as tensões geopolíticas na região.

Como reflexo, as cotações do petróleo dispararam, chegando a atingir os níveis registrados em setembro, após o ataque à petroleira saudita, Saudi Aramco.

Segundo estudos divulgados pela Eurasia Group, os preços do barril podem chegar a US$80 após o ataque, mesmo se não houver guerra declarada, já que o conflito deve se espalhar para campos do sul do Iraque.

Nesse sentido, as ações da Petrobras (PETR3/ PETR4) eram negociadas com valorização, acompanhando o momento de disparada das cotações.

No mercado local, os ativos operavam majoritariamente em queda. As companhias Gol (GOLL4), Azul (AZUL4), B3 (B3SA3), Gerdau (GGBR4) e Localiza (RENT3) lideravam as perdas.

Ás 12h36 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira recuava 0,50%, aos 117.957 pontos, anotando um volume financeiro de R$4,936 bilhões.

Dólar é negociado a R$4,04 com tensões no Oriente Médio

O dólar comercial avançava nesta sexta-feira (03), acompanhando o sentimento de aversão ao risco que predominava nos mercados internacionais.

Logo na abertura, a divisa americana subiu mais de 1% reagindo ao ataque dos Estados Unidos às forças militares iranianas, presentes no Iraque.

O presidente Donald Trump autorizou a investida que matou o general Qassem Soleimani, líder da Guarda Revolucionária do Irã e considerado o homem mais importante do exército islâmico.

Após o conflito, as moedas emergentes passaram a depreciar em bloco, assumindo o real a quarta posição atrás do rand sul-africano, o peso chileno e do shekel israelense.

As moedas mais fortes, que são consideradas ativos de segurança, renovavam as máximas em meses, demonstrando que os investidores estão reduzindo a exposição.

Segundo informações divulgadas pelo Pentágono, o referido general havia planejado atacar diplomatas e militares dos EUA que estavam no Iraque, por isso, a ofensiva americana foi direta.

O atual líder do Irã, o grão-aiatolá Ali Khamenei, ameaçou a Casa Branca, prometendo que haverá uma retaliação severa à ação tomada.

Sem grandes novidades no cenário interno, o mercado deverá ficar atento à divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, que será publicada hoje à tarde.

Ás 12h36 (horário de Brasília), o dólar comercial avançava 0,55% contra o real, sendo cotado a R$4,0490 na venda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros apresentavam aumento as taxas em todos os períodos, refletindo o nervosismo global com essa nova escalada de tensões EUA-Irã.

O DI novembro/2020 subia 0,88% sendo negociado a 4,45% (4,41% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 saltava 0,63%, sendo vendido a 6,42% (6,39% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Braskem fecha acordo para remover 17 mil pessoas em Maceió

A Braskem (BRKM5) assinou um acordo com autoridades estaduais e federais que prevê o aumento para 17 mil o número de pessoas que serão removidas das “áreas de risco” em Maceió/ AL.

Os poços de extração de sal-gema da petroquímica se localizam em quatro bairros do município (Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto) e o custo estimado com a remoção das famílias está em torno de R$1,7 bilhão.

Em fato relevante, a companhia informou que o termo foi acordado com a Defensoria Pública do Estados de Alagoas, com o Ministério Público Federal (MPF), com o Ministério Público de Alagoas (MPE) e com a Defensoria Pública da União (DPU).

Além dos demais gastos, a Braskem prevê a necessidade de investimento de R$1 bilhão no fechamento de “determinados poços”.

As autoridades autorizaram a liberação de R$3,7 bilhões em recursos do caixa da empresa que estavam bloqueados por decisão judicial.

Deste valor, aproximadamente R$1,7 bilhão será transferido para uma conta bancária da petroquímica para suportar os custos do programa de compensação financeira, deixando um saldo mínimo de R$100 milhões.

Os valores projetados tomaram como base as regiões classificadas de risco pelo Serviço Geológico Brasileiro (CPRM), que atrelou a mineração de sal-gema ao surgimento de rachaduras em imóveis e vias locais.

Com esse novo acordo, a Braskem garantiu que não haverá mais pedido judicial de bloqueio de recursos por parte das autoridades, para custear possíveis prejuízos decorrentes da atividade.


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