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Ibovespa opera em queda pressionado pelo avanço do coronavírus nos EUA

Por Pablo Vinicius Souza
27 março 2020 - 12:26

O Ibovespa opera em forte queda nesta sexta-feira (27), seguindo o movimento negativo dos mercados internacionais.

Após contabilizar três pregões consecutivos de ganhos, o índice geral reagia ao agravamento da pandemia em diversas partes do mundo.

O número de contaminados explodiu nos Estados Unidos, que se tornou o novo epicentro da doença com cerca de 85 mil novos casos, superando a China, e aproximadamente 1.200 mortes.

Na Espanha, a quantidade de mortos contabilizados nas últimas 24 horas bateu o recorde, alcançando 769 vítimas, segundo o boletim divulgado hoje.

Ao todo, são 4.858 vítimas fatais do coronavírus no país e o total de infectados alcançou 64.059 pessoas, sendo que apenas 9.357 pacientes se recuperaram da doença.

No Reino Unido, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, testou positivo para o vírus após apresentar sintomas leves e, por isso, ficará isolado em quarentena.

O mercado segue tentando antecipar os impactos do vírus na economia global, sobretudo, depois que as entidades de vigilância internacionais divulgaram que cerca de 535 mil pessoas estão contaminadas.

No Brasil, segundo informações do ministério da saúde, foram confirmados 2.915 novos casos de infecção e já morreram 77 pessoas.

Porém, estudos sugerem que este número está muito abaixo da quantidade real, já que as autoridades ainda não começaram a realizar os testes em massa na população.

Segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), só na última semana de fevereiro, foram internadas 662 pessoas com sintomas de doença respiratória grave.

Na segunda quinzena de março, este número saltou para 2.250 pacientes, superando em quase 10 vezes a média histórica do período.

Este número apenas antecipa o aumento exponencial dos casos de contaminação que deve acontecer em todo o país nas próximas semanas.

Ontem à noite, a Câmara dos Deputados aprovou o pacote que prevê um repasse mensal de R$600 para trabalhadores informais e pessoas com deficiência, que aguardam na fila do INSS a concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

No caso de mulheres provedoras da família, este auxílio pode chegar a R$1.200 e o benefício será pago durante três meses, podendo ser prorrogados por tempo indeterminado, mas, o texto ainda precisa ser votado pelo Senado.

Na B3, as companhias que mais avançavam era Sabesp (SBSP3), IRB Brasil (IRBR3) Suzano (SUZB3), Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4).

Ás 12h17 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira caía 3,19%, aos 75.227 pontos, com um volume financeiro de R$5,714 bilhões.

Dólar avança a R$5,10 com exterior e correção técnica

O dólar comercial opera em alta nesta sexta-feira (27), acompanhando o clima de aversão ao risco no exterior e o movimento de correção técnica antes do final de semana.

A demanda por segurança foi impulsionada com a notícia de que os Estados Unidos chegaram a 85 mil casos confirmados de coronavírus, se tornando o novo epicentro da pandemia.

Mesmo após a concessão de US$2 trilhões em estímulos financeiros, os investidores seguem precificando os impactos do vírus na maior economia do mundo.

No mesmo sentido, a divisa americana subia contra as moedas emergentes e atreladas às commodities, evidenciando o amplo ajuste antes do final de semana.

A falta de clareza quanto ao controle do surto na Europa e nos EUA continua pressionando os investidores a recuarem, impedindo que ocorra uma recuperação mais sustentável do câmbio.

Ás 12h17 (horário de Brasília), o dólar comercial avançava 2,08% contra o real, sendo cotado a R$51020 na venda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros operavam em queda, amenizando a forte alta dos minutos iniciais, com os agentes do mercado considerando um período maior de queda nas taxas.

O DI setembro/2020 caía 1,45% sendo negociado a 3,40% (3,41% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 declinava 0,86% sendo vendido a 6,88% (7,04% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Sabesp reporta queda no lucro do 4º trimestre, mas resultado anual sobe 18,8%

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) reportou queda de 29,9% no lucro líquido do quarto trimestre de 2019, para R$1,05 bilhão.

O declínio foi observado em comparação ao mesmo período do ano anterior, cujo resultado foi um lucro de R$1,50 bilhão.

De outubro a dezembro, a receita líquida da companhia totalizou R$4,69 bilhões, o que equivale a um recuo de 4,2% na comparação anual.

O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado anotou uma baixa de 25,8%, alcançando o valor de R$1,72 bilhão no trimestre.

Conforme o relatório divulgado nesta manhã pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o resultado financeiro líquido ficou negativo em R$7,7 milhões, ante o balanço positivo de R$29,6 divulgado um ano antes.

No consolidado de 2019, o lucro líquido da Sabesp (SBSP3) avançou 18,8%, para R$3,36 bilhões e o lucro por ação foi de R$4,93, superando os R$4,15 registrados ao final de 2018.

A receita líquida anual também subiu para R$17,9 bilhões, representando um crescimento de 11,8% antes os números do ano anterior.

Segundo a companhia, houve um enfraquecimento generalizado dos resultados no último trimestre, porém, a administração ainda não tem um diagnóstico sobre o movimento.


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