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Ibovespa opera em queda pressionado pela guerra comercial e revés do setor bancário

Por Pablo Vinicius Souza
19 novembro 2019 - 13:34
tensão institucional após manifestações

O Ibovespa operava em queda nesta terça-feira (19), refletindo as nuances da guerra comercial e o revés sofrido pelas ações do setor bancário.

Ontem, os investidores ficaram muito abalados com a notícia de que o governo chinês estaria pessimista sobre a conclusão do acordo comercial com os Estados Unidos.

As incertezas teriam surgido mediante a relutância do presidente Donald Trump em aceitar a proposta de remover completamente as tarifas impostas aos produtos do país asiático, durante o acirramento da disputa.

Na tentativa de aplacar a dissonância, Washington concedeu uma nova extensão do prazo para a companhia chinesa Huawei negociar com as empresas americanas.

Apesar das informações controversas divulgadas entre as partes, as preocupações foram parcialmente neutralizadas e o mercado ficou mais tranquilo com este aceno dos EUA a China.

Por aqui, as atenções se voltaram ao envio da proposta de reforma tributária ao Congresso, que deverá ser compatibilizada com outras duas propostas já em tramitação no legislativo.

Segundo o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, a primeira fase da reforma proposta pelo governo, que prevê a unificação do PIS e da Cofins, já está fadada a derrota.

Na cena local, os investidores também estão monitorando as falas do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre a política monetária do Brasil e a independência da instituição.

Ele está participando de uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, na qual, evitou comentar sobre o recorde histórico de fechamento do dólar acima de R$4,20.

“O Brasil está se reinventando com dinheiro privado e o mercado tem finalmente a compreensão de que o governo tem um programa fiscal sério que vai atingir o equilíbrio das contas públicas” – explicou Campos Neto.

Na B3, as companhias Itaú Unibanco (ITUB4), Santander (SANB11) e Bradesco (BBDC4) desvalorizavam mais de 1%, limitando o desempenho do índice geral.

Nesse contexto, às 12h28 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira recuava 0,35%, aos 105.893 pontos, anotando um volume financeiro de R$3,157 bilhões.

Dólar avança a R$4,21 com cancelamento do leilão pelo Banco Central

O dólar comercial avançava nesta terça-feira (19), reagindo ao cancelamento do leilão do Banco Central para venda de moeda à vista e swap cambial.

A operação, que inicialmente aconteceria hoje, foi suspensa sob a justificativa de que os contratos seriam liquidados amanhã, feriado do dia da Consciência Negra em São Paulo.

Essa decisão unilateral da autoridade monetária pode significar que haverá uma intervenção mais radical no câmbio, ou apenas sinalizar para a adoção de uma nova estratégia.

Mesmo assim, os investidores ficaram preocupados e se anteciparam, vendendo moeda e ajustando posições compradas em dólar.

O fato fortaleceu a divisa americana no cenário interno, fazendo-a trilhar o sentido contrário ao viés de baixa predominante no exterior.

Ás 12h28 (horário de Brasília), o dólar comercial apreciava 0,14% contra o real brasileiro, sendo cotado a R$4,2160 na venda.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros operavam mistos, acompanhando os sinais controversos do exterior e da cena local.

O mercado segue atento às falas do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sinalizando que os níveis de inflação permanecerão estáveis no curto, médio e longo prazos.

A partir disso, pode-se inferir que a previsão de estabilidade na taxa Selic para o próximo ano continua sendo confirmada pelos indicadores econômicos.

O DI julho/2020 subia 0,11%, sendo negociado a 4,47% (4,45% no ajuste anterior) e o DI julho/2024 recuava 0,16% sendo vendido a 6,26% (6,28% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: XP inicia cobertura da Vivara e prevê crescimento da receita em 23% ao ano

A XP Investimentos iniciou a cobertura das ações da Vivara (VIVA3), apresentando recomendação para compra, no preço-alvo de R$30.

Mantendo uma atuação forte no segmento, a companhia se consolidou como a maior varejista de joias do Brasil, através de seu audacioso histórico de execução.

Para o quadriênio 2019-2022, a XP estima que haverá um crescimento de médio anual de 23% nas receitas e um avanço de 26% no lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda).

“Para os próximos anos, seguindo a conclusão da oferta primária de ações, a Vivara está bem capitalizada e pronta para acelerar seu crescimento através de um ambicioso plano de abertura de lojas” – explicou a analista Mariana Vergueiro.

Segundo o relatório divulgado pela corretora, os investidores estão preocupados se haverá espaço para a expansão da joalheria e com o novo cenário de margens.

A XP reiterou sua confiança no planejamento elaborado, afirmando que a abertura de 238 lojas até 2024 é plenamente possível, até porque, as lojas, de um modo geral, são pequenas.

Em relação às margens, a corretora analisou que a Vivara tem a vantagem de ter uma produção verticalizada, levando cerca de 3 a 4 meses para concluir as fases de criação, produção e distribuição.

Com isso, o portfólio consegue ser atualizado com maior frequência, permitindo à empresa repassar preços de forma gradual e aumentar o mix de produtos.

Adicionalmente, a joalheria consegue alcançar clientes das classes sociais AA até B, diversificando a sua oferta de produtos em ouro e prata.


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