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Ibovespa opera em queda com reviravolta no surto de coronavírus

Por Pablo Vinicius Souza
13 fevereiro 2020 - 13:34

O Ibovespa operava com perdas expressivas nesta quinta-feira (13), pressionado pela reviravolta nas notícias sobre o avanço do coronavírus.

Pela manhã, o governo chinês divulgou que foram detectados cerca de 15.152 novos casos de contaminação na província de Hubei, sendo registradas 254 mortes somente nas últimas 24 horas.

No total, a doença infectou aproximadamente 59.804 pessoas e levou à óbito outras 1.367, somente nas imediações da China continental.

Segundo as autoridades locais, o aumento assustador nas estatísticas deve-se à mudança no método de exames, que antes eram realizados por diagnose e agora utilizam o scanner ST.

Com o novo procedimento, em questão de horas é possível descobrir se o paciente está ou não contaminado pelo vírus, confirmando o quadro antes mesmo da conclusão dos testes de laboratório.

Na avaliação do J.P. Morgan, é provável que o mês de fevereiro se encerre registrando mais de 90 mil casos de infecção pelo vírus, por isso, os próximos dias deverão ser observados com muita cautela.

Frente à propagação exponencial da doença, os mercados internacionais esboçavam sinais de pânico, em um forte movimento de fuga dos ativos de risco.

Por aqui, o mercado reagia à divulgação dos dados frustrantes sobre o desempenho do setor de serviços no mês de dezembro.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou uma contração de 0,4% nas prestações de serviços, em comparação ao que foi reportado em novembro.

Contudo, na base anual, o setor cresceu 1,6%, superando as estimativas dos especialistas consultados pela Bloomberg, que indicavam alta de 1,5%.

Em uma sessão negativa na B3, as companhias CSN (CSNA3), Ultrapar (UGPA3), Rumo (RAIL3), Gerdau (GGBR4) e Bradesco (BBDC3) lideravam as perdas.

Ás 12h27 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira declinava 1,38%, aos 115.066 pontos, anotando um volume financeiro de R$6,202 bilhões.

Dólar cai a R$4,32 com risco externo e falas de Paulo Guedes

O dólar comercial operava em queda nesta quinta-feira (13), após renovar a máxima histórica intradia em R$4,3820 na abertura.

O exponencial avanço do coronavírus na China acentuou o clima de aversão ao risco nos mercados, o que levou a divisa americana a registrar níveis muito altos.

Devido à mudança no método de detecção da doença, o governo chinês apurou cerca de 15.152 novos na província de Hubei, sendo registradas 254 mortes somente nas últimas 24 horas.

Ao todo, já são aproximadamente 59.804 pessoas contaminadas e cerca de 1.367 mortes dentro do território do gigante asiático.

Outra notícia que também repercutiu negativamente contra o real foi a declaração do ministro da Economia, Paulo Guedes, ao dizer que os níveis atuais do câmbio estão absolutamente normais e são positivos para todos os setores.

Ele também acrescentou que o dólar muito baixo estaria permitindo que as pessoas pudessem viajar à Disney várias vezes ao ano, desfavorecendo o turismo nacional.

A divisa americana mudou de direção após anúncio do Banco Central sobre a realização de uma oferta extraordinária de US$1 bilhão em contratos de swap cambial.

Com a medida, a instituição estaria assegurando a liquidez do mercado, mas sem interferir na dinâmica flutuante das negociações da moeda.

Ás 12h27 (horário de Brasília), o dólar comercial recuava 0,67% contra o real, sendo cotado a R$4,3210 na venda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros se ajustavam em alta em todos os períodos, acompanhando a tônica cambial e o aumento do risco no exterior.

O DI outubro/2020 subia 0,60% sendo negociado a 4,18% (4,16% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 avançava 1,23%, sendo vendido a 6,60% (6,52% no ajuste anterior).

Noticiário corporativo: Itaú Unibanco aprova remuneração aos acionistas de quase R$1 por ação

O Conselho de Administração do Itaú Unibanco (ITUB3) aprovou o pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio, no montante de R$4,921 bilhões.

A remuneração será efetivamente quitada no dia 06 de março e a base de cálculo será a posição acionária no dia 20 de fevereiro.

Serão distribuídos dividendos no valor de R$0,4832 por ação e juros sobre o capital próprio de R$0,5235 por ação, com a retenção de 15% de Imposto de Renda retido na fonte.

Na mesma data, serão pagos os juros sobre o capital próprio aprovados dia 28 de novembro, no valor de R$0,037560 por ação, para os aqueles que mantiveram posição no dia 12 de dezembro.

Ao todo, os acionistas vão receber R$0,960101 por cada ação, sendo que, o Itaú mantém cerca de 5,126 bilhões de papeis em circulação.

Se consideradas as remunerações previamente pagas durante o exercício de 2019, o Itaú deve desembolsar R$1,9270 por ação (valor líquido de imposto de renda).

Em termos anuais, o banco distribuirá o total de R$18,8 bilhões, o que representa aproximadamente 66,2% do lucro líquido consolidado recorrente.


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