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Ibovespa opera em queda com retaliação do Irã e pronunciamento de Trump

Por Pablo Vinicius Souza
08 janeiro 2020 - 13:39
projeção para o Ibovespa

O Ibovespa operava em queda nesta quarta-feira (08), pressionado pelo clima de tensão gerado pela retaliação do Irã e à espera do pronunciamento de Donald Trump sobre a situação.

Na noite de ontem, o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, autorizou o bombardeio de duas bases iraquianas, que também abrigavam militares americanos.

O presidente dos EUA se comprometeu a falar sobre os próximos passos que a Casa Branca adotará frente à investida iraniana, que representa a vingança pela morte do general Qassem Soleimani.

Há uma grande expectativa de que haja um apaziguamento entre os dois países, já que, segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, com a ação, as medidas proporcionais adotadas pelo país foram concluídas.

Teerã também chegou a informar que não busca uma guerra com Washington, de forma que a retaliação parece ter sido muito bem calculada para aplacar os ânimos internos e não disparar um conflito de grandes proporções.

Ainda não foram divulgadas informações sobre vítimas do ataque iraniano chamado “Operação mártir Soleimani” e relatos de fontes americanas confirmaram que não há baixas até o momento.

Além das turbulências no Oriente Médio, o acordo comercial entre Estados Unidos e China voltou à pauta de discussões entre os investidores.

Pequim confirmou que enviará uma delegação aos EUA este mês, porém, não há garantias que o documento será formalizado no dia 15, conforme estava agendado.

Ademais, o vice-ministro chinês da Agricultura, Han Jun, afirmou que o gigante asiático não irá aumentar sua cota anual de importação de grãos americanos, descumprindo o termo negociado no acordo.

No cenário interno, o mercado se concentrava nas medidas que o governo adotará para compensar o salto nos preços dos combustíveis, já que a Petrobras segue as diretrizes de precificação internacional.

Embora o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, tenha garantido que continuará livre para tomar decisões sobre preços, o sentimento é de incertezas devido ao histórico de interferências governamentais na gestão.

Na B3, as ações da Petrobras (PETR3 / PETR4) e dos bancos, como Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4), operavam sob forte pressão vendedora, puxando a queda do índice geral.

Ás 12h30 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira recuava 0,45%, aos 116.138 pontos, anotando um volume financeiro de R$3,453 bilhões.

Dólar oscila na faixa de R$4,07 à espera de decisão dos EUA

O dólar comercial oscilava em leve alta nesta quarta-feira (08), em atenção à escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã.

Apesar do momento de turbulência, a divisa americana seguia em território negativo frente às principais moedas emergentes, evidenciando um sentimento de cautela no mercado.

Os investidores aguardavam o pronunciamento do presidente Donald Trump sobre a retaliação iraniana à base militar dos EUA no Iraque.

Contudo, as preocupações foram aplacadas depois que Trump publicou em sua conta no Twitter que estava tudo bem.

Até o momento, não foram divulgadas vítimas do ataque, porém, fontes americanas informaram que não houve mortes.

A análise que se pode fazer do ocorrido é que a ação foi calculada para dar uma resposta à população do Irã, de modo que não viesse à desencadear um conflito de escala global.

Ás 12h30 (horário de Brasília), o dólar comercial tinha alta marginal de 0,02% contra o real, sendo cotado a R$4,0740 na venda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros operavam em território negativo, pressionados pelos números de inflação abaixo do esperado.

Outro fator que também ditava o rumo dos negócios era a dinâmica cambial, que atuava incentivando a retirada do prêmio de risco ao longo da curva de juros.

O DI janeiro/2021 caía 0,36% sendo negociado a 4,45% (4,49% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 declinava 0,28%, sendo vendido a 6,42% (6,44% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Gol divulga prévia do 4º tri estimando aumento de receita e redução de custos

A Gol (GOLL4) divulgou uma prévia dos resultados do 4º trimestre, na qual, prevê aumento nas receitas e redução dos custos globais no período.

Segundo o relatório, o lucro líquido por ação da companhia deve ficar em torno de R$0,60 e a receita unitária deve subir 11% em relação a 2018.

Devido ao aumento na produtividade, os custos deverão registrar queda de 10%, exceto os gastos com combustíveis, que sofreram aumento reagindo à volatilidade dos preços.

Contudo, ocorreu um acréscimo dos impostos nas folhas de pagamento e aumentou a despesa com depreciação a partir da adição de 15 aeronaves na frota, anulando parcialmente a redução de custos.

A aérea projeta uma margem de lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) entre 37% e 39%, superando com folga os números reportados no ano anterior.

Por ter amortizado R$100 milhões de dívidas no período, a Gol encerrou o 4º trimestre anotando níveis de alavancagem em 2,7 vezes.

Ademais, a companhia aérea informou que, em dezembro, a demanda por voos cresceu 1,1% e a oferta de assentos avançou 3,1%, em ambos os casos, na comparação com 2018.

A taxa de ocupação mensal ficou em 82%, ligeiramente abaixo do resultado publicado no ano anterior, porém houve um avanço de 7,3% no número de decolagens.

Conforme a análise da XP Investimentos, embora os números tenham ficado abaixo das expectativas, o saldo ainda é positivo e as projeções de crescimento são exponenciais.

“Mantemos recomendação neutra para a Gol que, embora deva continuar se beneficiando de um ambiente mais saudável de demanda e oferta, possui maior exposição à competição (…) e apresenta crescimento esperado relativamente inferior à Azul” – informou equipe de análise da XP.


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