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Ibovespa opera em queda com indicadores locais ofuscando o otimismo do exterior

Por Pablo Vinicius Souza
09 janeiro 2020 - 13:50
tensão institucional após manifestações

O Ibovespa operava em queda nesta quinta-feira (09), reagindo ao embate entre o cenário externo positivo e a decepção com os indicadores locais.

Em uma sessão particularmente volátil, os investidores seguem repercutindo o alívio das tensões entre Estados Unidos e Irã.

Ontem, o presidente Donald Trump se pronunciou sobre a retaliação iraniana afirmando que aplicará mais sanções contra o país, porém, não revidará com novas agressões militares.

O líder dos EUA explicou que o Irã sabe as consequências de uma guerra e, por isso, o bombardeio à base americana não resultou em vítimas.

O mercado recebeu bem o posicionamento do governo americano, avaliando que os riscos de um conflito em escala global no Oriente Médio estão cada vez menores.

Outra notícia que contribuía com o avanço dos índices era a guerra comercial, com Pequim confirmando a viagem do vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, a Washington.

Ao que tudo indica, na próxima semana, será formalizada a primeira fase do tão esperado acordo tarifário negociado entre as duas maiores economias do mundo.

Apesar do otimismo internacional, por aqui, os dados de produção industrial mensurados em novembro estão ofuscando as boas perspectivas.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve uma contração de 1,2% na atividade, contrariando as previsões dos economistas, que indicavam uma queda de apenas 0,7%.

Na comparação anual, o recuo da indústria também foi maior do que o esperado, alcançando 1,7% ante estimativas de baixa de 0,8%.

Também no radar, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, antecipou que o governo lançará um plano permanente para suavizar os impactos dos aumentos sucessivos nos preços dos combustíveis.

Ás 12h32 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira recuava 0,29%, aos 115.918 pontos, anotando um volume financeiro de R$3,846 bilhões.

Dólar salta a R$4,08 refletindo indicadores locais

O dólar comercial avançava nesta quinta-feira (09), repercutindo a contração nos dados de produção industrial mensurados em novembro.

O recuo de 1,2% na referida atividade interrompeu uma sequência de três meses de avanço, contaminando as expectativas dos investidores quanto à recuperação do setor.

Como o resultado foi pior do que o esperado, os analistas já estão revisando para baixo as projeções de crescimento do país para 2020.

A percepção de que o processo de recuperação da economia será ainda mais lento e gradual fortalecia a divisa americana no câmbio interno.

No exterior, a moeda dos EUA apresentava comportamentos mistos, caindo contra as divisas emergentes e subindo contra algumas divisas mais fortes.

O viés predominante da sessão é de queda, refletindo o tom apaziguador do discurso do presidente Donald Trump em relação ao ataque iraniano.

A redução dos riscos de uma guerra militar no Oriente Médio favorecia os ativos de um modo geral, sobretudo, os mais suscetíveis à volatilidade.

Ás 12h32 (horário de Brasília), o dólar comercial tinha alta de 0,44% contra o real, sendo cotado a R$4,0880 na venda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros apresentavam leve recuo nas taxas ao longo da curva, reagindo ao cenário macroeconômico que amparava as perspectivas de corte na taxa Selic.

O DI janeiro/2021 caía 0,42% sendo negociado a 4,43% (4,46% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2023 declinava 0,34%, sendo vendido a 5,70% (5,72% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Decisão do STJ pode beneficiar plano de recuperação judicial da Oi

Em um julgado polêmico, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) poderá decidir pela suspensão de execuções fiscais contra empresas em recuperação judicial, como é o caso da Oi (OIBR3).

No processo envolvendo a companhia de telecomunicações, a Corte Especial do STJ entendeu que é competência da Segunda Seção do tribunal processar e julgar o conflito entre o juízo da execução e o juízo da recuperação.

O caso em tela se restringe apenas ao prosseguimento de execução fiscal quando não houve o pronunciamento do juízo da recuperação judicial a respeito da incompatibilidade de medida constritiva da União, com o plano de recuperação.

Isso porque, tais medidas constritivas, como o bloqueio ou leilão de bens, poderiam trazer impactos negativos à execução do planejamento formalizado pela companhia.

Inclusive, alguns advogados que atuam na área de recuperação judicial argumentaram que o bloqueio de bens e valores impossibilita outros pagamentos e a própria continuidade das atividades da organização.

Embora o tema ainda possa ser julgado novamente, em decisões precedentes, o mesmo tribunal já suspendeu leilões de ativos de empresas em recuperação judicial decorrentes de execução fiscal.

Na ocasião, a segunda turma do STJ justificou que, apesar de a decisão contrariar o que está previsto em lei, as expropriações prejudicariam o plano.

Sendo assim, há boas chances de o judiciário suspender eventuais processos de execução fiscal contra a Oi, permitindo a continuação das atividades conforme o plano de recuperação.


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