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Ibovespa opera em queda com foco nos impactos do coronavírus

Por Pablo Vinicius Souza
20 fevereiro 2020 - 12:37
projeção para o Ibovespa

O Ibovespa opera em queda nesta quinta-feira (20), pressionado pelo sentimento de pessimismo que tomou conta dos mercados no exterior.

Os investidores seguem temerosos quanto ao avanço do coronavírus, tentando dimensionar os impactos que a epidemia trará à dinâmica econômica global.

Na China, a Comissão Nacional de Saúde informou que mais 114 pessoas vieram à óbito, elevando o número de vítimas fatais para 2.118.

O número de contaminados já alcançou a faixa de 74.670, sendo que, aproximadamente 4,92 mil pessoas ainda estão sendo monitoradas devido à possível suspeita.

Na esteira da disseminação da doença, o Japão confirmou a morte de dois passageiros infectados que estavam no cruzeiro Diamond Princess e a Coreia do Sul reportou a primeira vítima fatal no país.

Os dados alarmantes ofuscaram a decisão do Banco Central chinês (PBoC) de reduzir a taxa de juros do país em 0,10%, passando de 4,15% para 4,05% ao ano.

Nem mesmo a série de estímulos econômicos anunciados pelas autoridades do gigante asiático está conseguindo aplacar o clima de aversão ao risco que prevalecia nos mercados.

Por aqui, o Banco Central divulgou a redução de 6% na alíquota do recolhimento compulsório sobre depósitos a prazo, que agora é de 25%.

Com isso, cerca de R$49 bilhões em recursos devem ser liberados a partir do dia 16 de março, o que deve assegurar certo nível de liquidez às operações.

Além disso, houve um aumento nas parcelas dos recolhimentos compulsórios considerados no LCR (Indicador de Liquidez de Curto Prazo), o que deve destravar outros R$86 bilhões na obrigação das instituições em carregarem ativos líquidos de alta qualidade.

Na B3, apesar de a Petrobras (PETR3/ PETR4) registrar o maior lucro por uma empresa de capital aberto na história Brasil, suas ações apresentavam comportamentos mistos, entre altas e baixas.

As companhias Pão de Açúcar (PCAR4), Ultrapar (UGPA3), Gerdau (GGBR3), Gol (GOLL4) e Qualicorp (QUAL3) lideravam as perdas do momento.

Ás 12h27 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira recuava 0,55%, aos 115.878 pontos, com um volume financeiro de R$5,432 bilhões.

Dólar salta a R$4,38 e renova a máxima contra o real

O dólar comercial opera em alta nesta quinta-feira (20), refletindo as turbulências do ambiente externo, sobretudo, em relação ao avanço do coronavírus.

Depois de renovar o recorde histórico contra o real ao bater em R$4,3930, a divisa americana desacelerou, embora permaneça com viés de alta.

As notícias sobre as mortes causadas pelo vírus fora do território chinês catalisavam o movimento negativo das principais moedas emergentes.

O Japão confirmou mais duas mortes provocadas pela doença e a Coreia do Sul reportou a sua primeira vítima fatal.

Contudo, na China continental, os casos confirmados continuam a diminuir, após registrar expressivo aumento com a mudança da metodologia de análise e diagnóstico.

No cenário interno, o câmbio também refletia a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), que mostrou aumento de 0,22% na passagem de janeiro para fevereiro.

O resultado veio dentro das expectativas do mercado, apesar de ainda não atingir o valor ideal, tendo em vista, a fraqueza na recuperação econômica do Brasil.

Ás 12h27 (horário de Brasília), o dólar comercial subia 0,50% contra o real, sendo cotado a R$4,3870 na venda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros apresentavam elevação nas taxas em todos os períodos, repercutindo a decisão do Banco Central em reduzir o compulsório sobre depósitos a prazo de 25% para 31%.

O DI outubro/2020 subia 0,36% sendo negociado a 4,16% (4,15% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 avançava 1,10% sendo vendido a 6,43% (6,37% no ajuste anterior).

Noticiário corporativo: Grupo Fleury reporta aumento de 4,7% no lucro de 2019, totalizando R$347,1 milhões

O Grupo Fleury (FLRY3) divulgou os balanços corporativos na noite de ontem, reportando um lucro líquido recorrente de R$347,1 milhões em 2019.

Esse valor representa um aumento de 4,7% em relação ao resultado publicado em 2018, confirmando o sucesso de seu plano de expansão.

No quarto trimestre, a companhia obteve um lucro de R$65,2 milhões, o que equivale a um avanço de 12% frente aos R$58,2 milhões contabilizados no mesmo período do ano passado.

De outubro a dezembro, a receita líquida subiu 10%, somando R$720,1 milhões, e, no final do exercício, este total foi de R$2,9 bilhões, anotando um crescimento de 9%.

Nos doze meses de 2019, o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) saltou 4%, totalizando R$719,6 milhões.

Durante o ano, foram inauguradas novas unidades, de modo que, no fechamento do exercício, foi contabilizado o cumprimento de 74% do Plano de Expansão, anunciado no final de 2016.

Das 90 novas unidades projetadas até 2021, 54 já estão em funcionamento e o planejamento das demais já está sendo executado.

Além disso, a companhia diversificou e ampliou o seu portfólio, adicionando 9,4% mais unidades de atendimento, mostrando um desempenho acima do mercado.

Segundo o Bradesco BBI, o Fleury publicou resultados fortes, em linha com as projeções dos analistas, apesar de sofrer grandes pressões com o aumento da concorrência no setor.


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