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Ibovespa opera em queda com foco no cenário internacional

Por Pablo Vinicius Souza
27 fevereiro 2020 - 12:26

O Ibovespa opera em queda nesta quinta-feira (27), fazendo mais uma sessão de cautela e preocupação frente ao avanço do coronavírus no mundo.

Depois de cair mais de 7% na véspera, o índice geral permanecia em trajetória firme de queda, reagindo ao noticiário internacional.

A Coreia do Sul confirmou o diagnóstico de 505 novos casos de contaminação em seu território, totalizando cerca de 1.766 pessoas infectadas pelo vírus.

Na Itália, onde o surto ganhou força se instalando principalmente na região Norte, o quantitativo de contaminados já ultrapassou a marca de 528 e 14 pessoas foram à óbito.

No Japão, o avanço do Covid-19 levou o governo a decretar o fechamento das escolas até o final das férias de primavera, sobretudo, após o registro de pessoas que demonstraram reincidência de contaminação do vírus.

Os investidores estão preocupados, tentando antecipar quais serão os impactos da doença para o desenvolvimento econômico global, visto que, já são mais de 82 mil infectados e quase 3 mil mortos, em diferentes países.

Também no radar, hoje foi divulgado o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre nos Estados Unidos, mostrando um crescimento de 2,1%, em linha com as projeções dos economistas.

Donald Trump anunciou que o vice-presidente, Mike Pence, irá coordenar os esforços no combate à disseminação do coronavírus, já prevendo que o país poderá ser atingido por novos casos.

Por aqui, segue o clima de tensões entre o governo e o Congresso Nacional, com o mercado precificando possível atraso ou embargo às pautas enviadas pela equipe econômica.

O relacionamento de Jair Bolsonaro com os parlamentares, que já não era bom, ficou pior após relatos indicarem que o presidente compartilhou um vídeo convocando apoiadores a irem às ruas protestar contra as casas legislativas e o supremo.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, também está na mira das lideranças partidárias, pois, não cumpriu o acordo do Orçamento Impositivo, que amplia o poder dos congressistas para decidir sobre a destinação dos recursos públicos.

Enquanto isso, na B3, as ações seguiam em trajetória de firme baixa, exceto as companhias do setor bancário, que esboçavam recuperação.

Ás 12h20 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira declinava 1,98%, aos 103.620 pontos, com um volume financeiro de R$8,697 bilhões.

Dólar dispara a R$4,48 e renova a máxima histórica intradia

O dólar comercial operava em expressiva alta nesta quinta-feira (27), acompanhando o mau humor que se abateu sobre os mercados internacionais.

Novamente, as preocupações com o coronavírus aumentaram o a aversão ao risco, pressionando os investidores a buscarem ativos mais líquidos e seguros.

O mesmo acontece com as principais divisas emergentes e atreladas às commodities, que registravam depreciação na paridade com a moeda dos EUA.

Depois de renovar a máxima histórica intradiária em R$4,5010, a divisa americana desacelerou, mantendo, porém, o viés de alta.

Embora o Banco Central tenha ofertado 20 mil contratos de swap cambial por meio de um leilão extraordinário, a ação não conseguiu conter o fortalecimento do dólar no mercado interno.

 A combinação entre fatores negativos internos e externos tem condicionado o real a apresentar um dos piores desempenhos dentre as 33 principais moedas mais líquidas.

Isso porque, os indicadores econômicos sinalizaram para uma recuperação lenta e gradual das atividades, ao passo que, a piora no ambiente internacional reduz a demanda por ativos de risco.

Ás 12h20 (horário de Brasília), o dólar comercial subia 1,04% contra o real, sendo cotado a R$4,4880 na venda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros mantinham comportamentos mistos, anotando leve recuo nas taxas de curto prazo e leve aumento de nas intermediárias e longas.

O DI janeiro/2021 caía 0,36% sendo negociado a 4,18% (4,19% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2026 saltava 1,08% sendo vendido a 6,53% (6,41% no ajuste anterior).

Noticiário corporativo: Marcopolo fecha 2019 com lucro de R$201,4 milhões, apesar da leve queda no 4º tri

A Marcopolo (POMO4) divulgou os resultados corporativos de 2019, evidenciando um lucro líquido de R$201,4 milhões, o que representa um avanço de 8% em comparação ao ano passado.

Na avaliação da companhia, a produção brasileira de ônibus subiu 9,5% no último exercício, alcançando o total de 25.469 unidades, ao mesmo tempo em que a demanda do mercado interno cresceu 20,8%.

O fato acabou compensando a queda de 14,6% nas exportações, embora, os níveis de demanda ainda tenham se mostrado inconstantes, refletindo a fraqueza da recuperação econômica.

Além disso, a ausência de novas licitações do programa do governo federal Caminho da Escola influenciou negativamente o resultado anual, sobretudo, no que tange ao desempenho dos segmentos de ônibus micros e volares.

No quarto trimestre, o lucro líquido da empresa declinou 2% em comparação ao mesmo período do ano anterior, totalizando R$68,5 milhões.

A receita contabilizada de outubro a dezembro também caiu, ficando 4% menor na avaliação anual, alcançando o montante de R$1,19 bilhão.

Porém, no resultado consolidado de 2019, houve um crescimento na receita em 2,8%, totalizando R$4,31 bilhões.

Segundo o relatório anexado às demonstrações, as vendas no varejo, com a renovação da frota em São Paulo, compensaram a queda na demanda por ônibus rodoviários.

A Marcopolo também informou que a sua unidade na China ainda está em processo de avaliação do impacto que o coronavírus trará ao negócio em 2020.

Ainda assim, as projeções da companhia são positivas no cenário internacional, com suas controladas obtendo maior participação em mercados como o mexicano e o colombiano, onde detém maior força.

No final do ano passado, a fabricante de ônibus registrou um Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) de R$338 milhões, o equivale e um recuo de 6,65% em relação a 2018.


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