HomeMercados

Ibovespa opera em forte queda com “efeito coronavírus” no radar

Por Fast Trade
05 março 2020 - 12:40

O Ibovespa opera em forte queda nesta quinta-feira (05), refletindo as preocupações com o avanço e os impactos do coronavírus na economia mundial.

Na manhã de hoje, o estado da Califórnia, nos Estados Unidos, declarou estado de emergência após confirmar 54 casos de contaminação e a primeira vítima fatal do Covid-19.

Na Itália, o surto da doença levou o governo a ordenar o fechamento de todas as escolas por pelo menos 10 dias e todos os jogos de futebol serão disputados a portas fechadas, sem a presença de torcedores nos estádios.

Segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de pessoas infectadas ultrapassou a faixa de 93 mil, espalhadas por 81 países.

Além dos prejuízos internos de cada nação, diferentes setores econômicos estão sendo fortemente atingidos pela propagação do vírus.

A Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA) divulgou uma advertência informando que as companhias do setor aéreo devem contabilizar perdas de US$63 a US$113 bilhões.

Os investidores seguem preocupados com a forte desaceleração da atividade global e, ao mesmo tempo, questionam sobre a efetividade da redução de juros para impulsionar a economia.

Apesar de os Bancos Centrais atuarem em conjunto para assegurar a liquidez e fortalecer a atual conjuntura do mercado, é impossível prever se tais esforços serão suficientes, tendo em vista a gravidade da situação.

Por aqui, além do reflexo das turbulências externas, o índice geral reagia ao noticiário político, após o Congresso Nacional manter os vetos do presidente Jair Bolsonaro à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

O acordo realizado entre os poderes executivo e legislativo exigiu que o governo enviasse Projetos de Lei separados, tratando especificamente da distribuição das verbas e emendas aos parlamentares e ao relator geral do orçamento.

O resultado foi considerado uma vitória para o governo, pois, na prática, o orçamento destinado a emendas de comissão e ao relator não são mais impositivas e não terão prazos para repasse.

Na B3, as companhias Gol (GOLL4), Azul (AZUL4), Ultrapar (UGPA3), Magazine Luiza (MGLU3) e CVC (CVCB3) lideravam as perdas.

Ás 12h30 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira caía 1,99%, aos 105.095 pontos, com um volume financeiro de R$5,450 bilhões.

Dólar dispara a R$4,64 ignorando intervenção do BC

O dólar comercial opera em forte alta nesta quinta-feira (05), superando, novamente, seu recorde intradiário ao bater em R$4,6450 na máxima do dia.

Embora o Banco Central tenha realizado nova intervenção ofertando US$1 bilhão em swaps, a divisa americana continuou se fortalecendo durante as negociações locais.

O mesmo comportamento é visto no exterior, onde o sentimento de aversão ao risco prevalecia, elevando a demanda por ativos mais seguros.

O avanço do coronavírus preocupava os agentes financeiros, sobretudo, após o estado da Califórnia, nos Estados Unidos, decretar emergência frente à confirmação da primeira morte causada pela doença.

Além disso, o Japão decidiu impor quarentena a viajantes da China e da Coreia do Sul para evitar um risco ainda maior de propagação.

O mercado está avaliando a gravidade da situação, esperando que a autoridade monetária apresente um plano de contingência para frear a depreciação excessiva do real.

Isso porque, a forte desvalorização da moeda poderá afetar a confiança da sociedade e dos investidores em si, podendo abalar os fundamentos da recuperação econômica.

Ás 12h30 (horário de Brasília), o dólar comercial saltava 1,38% contra o real, sendo cotado a R$4,6420 na venda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros apresentavam aumento nas taxas ao longo da curva, refletindo o exterior negativo e a valorização do dólar.

O DI dezembro/2020 subia 2,55% sendo negociado a 3,82% (3,75% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2026 avançava 2,31% sendo vendido a 6,21% (6,11% no ajuste anterior).

Noticiário corporativo: Lucro da CSN cai 36% no 4º trimestre, totalizando R$1,13 bilhão

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) divulgou os resultados corporativos do quarto trimestre de 2019, contabilizando um lucro líquido de R$1,13 bilhão.

A cifra equivale a uma queda de 36% sobre total de R$1,77 bilhão reportados no mesmo período do ano passado.

De outubro a dezembro, a receita líquida de vendas subiu cerca de 7,8%, somando R$6,52 bilhões, ante R$6,05 bilhões registrados no mesmo trimestre de 2018.

Na avaliação da siderúrgica, o aumento da receita foi decorrente do salto nas vendas de minério de ferro e reajuste dos preços praticados no mercado.

Porém, o custo das vendas sofreu um ligeiro aumento em torno de 10,7% no período, totalizando R$4,49 bilhões, contra R$3,99 bilhões registrados no ano imediatamente anterior.

Na mesma base de comparação, o lucro operacional anotou redução de 29% no quarto trimestre, para R$957,9 milhões, destoando do montante de R$1,35 bilhão computados em 2018.

No relatório da companhia, o Ebitda ajustado (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ficou em R$1,58 bilhão, alta de 1% frente ao R$1,56 bilhão evidenciados no ano passado.

Na avaliação anual, a CSN teve um lucro líquido recorrente de R$2,2 bilhões em 2019, o que representa uma queda expressiva de 57% em relação ao lucro de R$5,2 bilhões contabilizados em 2018.

A relação dívida líquida sobre o Ebitda recuou 4,5 vezes no final de 2018, para 3,7 vezes ao final do exercício de 2019, demonstrando melhora significativa nos níveis de alavancagem.


Sobre o autor