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Ibovespa opera em baixa com payroll nos EUA e temores sobre a economia global

Por Pablo Vinicius Souza
04 outubro 2019 - 12:26
tensão institucional após manifestações

Em mais uma sessão volátil, o Ibovespa operava em baixa sob forte preocupação com a economia global, após indicadores dos Estados Unidos evidenciarem uma contração acima do esperado.

Nos últimos dias, o governo americano divulgou dados frustrantes sobre o desempenho dos setores industrial e de serviços mensurado em setembro, provocando cautela entre os investidores.

Hoje, o Departamento do Trabalho informou que, no mesmo período, foram criadas 136 mil novas vagas de emprego, contrariando as projeções que indicavam a geração de 145 mil novas oportunidades.

Em conjunto, os indicadores demonstraram que os impactos da ofensiva tarifária contra a China e as consequentes retaliações, exerceram impacto maior do que o previsto por Washington.

Nem mesmo a queda dos níveis de desemprego, que passaram de 3,7% para 3,5%, foi o suficiente para abrandar os temores de uma recessão na maior economia do mundo.

Diante da situação, o mercado agora segue à espera do discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que acontecerá logo á tarde e poderá trazer novas informações sobre a política monetária nos EUA.

Enquanto isso, por aqui, as atenções estão centradas no acordo da divisão dos recursos provenientes do megaleilão do pré-sal, que está ameaçando atrasar a conclusão da reforma da Previdência no Senado.

O governo mudou sua proposta, oferecendo repartir os R$106 bilhões da cessão onerosa entre estados, municípios e parlamentares, de modo que cada grupo ficará com 10% e seriam destinados outros 3% aos estados produtores de petróleo.

Nesse contexto, às 12h20 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira caía 0,09%, aos 101.428 pontos, anotando um volume financeiro de R$3,457 bilhões.

Dólar cai a R$4,05 após divulgação do payroll nos EUA

O dólar no mercado à vista renovou as mínimas nas primeiras horas de negociação desta sexta-feira (04), reagindo à divulgação do relatório de empregos nos Estados Unidos, o payroll.

No mês de setembro, a economia americana criou 136 mil novas oportunidades de trabalho, um número ligeiramente inferior ao previsto pelos especialistas.

O indicador do mercado de trabalho, junto com os dados mais fracos dos setores industrial e de serviços, balizaram as apostas no corte da taxa básica de juros pelo Federal Reserve.

Isso porque, a contração nos principais setores econômicos serve como sinalização do enfraquecimento das atividades nos EUA e coloca pressão na autoridade monetária para aplicar estímulos que impulsionem o crescimento.

Dessa forma, a divisa americana seguia em queda contra as principais moedas emergentes, com o real apresentando um dos melhores desempenhos em valorização.

Os investidores continuavam ajustando posições, à espera do discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, que acontecerá por volta das 15h e poderá fornecer indícios do posicionamento da instituição.

Ás 12h20 (horário de Brasília), o dólar comercial recuava 0,78% contra o real brasileiro, sendo cotado a R$4,0570 na venda.

Na renda fixa, os contratos de juros operavam em queda em todos os períodos, ao longo da curva a termo, precificando a tendência de afrouxamento nos juros aqui no Brasil e também nos EUA.

O DI abril/2020 recuava 0,42% sendo negociado a 4,77% (4,78% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2024 cedia 0,47% sendo vendido a 6,34% (6,36% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Caixa e Banco do Brasil lançam ofensiva contra recuperação judicial da Odebrecht

Na tarde de ontem, a Caixa Econômica Federal (CEF) solicitou perante a justiça a decretação de falência da Odebrecht, que está em processo de recuperação judicial desde junho deste ano.

Na condição de principal credor, a empresa pública quer autorização judicial para nomear novos administradores para o grupo e suas subsidiárias em uma assembleia, visando proceder à liquidação do patrimônio para quitar os débitos.

Já o Banco do Brasil (BBAS3) entrou com o pedido de anulação total do processo de recuperação judicial da construtora, solicitando que a administração seja obrigada a apresentar uma nova proposta aos credores.

Além dos dois bancos estatal, outras quatro instituições financeiras também fizeram objeções perante a 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, pedindo a convocação imediata de todos os credores para uma reunião.

Em nota, a Odebrecht disse que “está em processo de negociação construtiva com os seus principais credores e confia que o seu plano de recuperação será aprovado para a preservação dos seus mais de 40 mil empregos”.


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