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Ibovespa opera em alta monitorando exterior e reforma da Previdência

Por Pablo Vinicius Souza
28 agosto 2019 - 12:35

Seguindo a tônica da véspera, o pregão de hoje começou muito volátil! Depois de abrir em queda, o Ibovespa mudou de direção de olho na leitura do relatório da reforma da Previdência no Senado.

O relator da proposta, Tasso Jereissati (PSDB), já iniciou a apresentação do seu parecer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da casa.

Embora o senador tenha se comprometido a ajustar o texto para obter uma economia maior, suas alterações atingiram pontos considerados sensíveis pelo governo, como o Benefício de Prestação Continuada e a Pensão por morte.

Também no radar, o bom desempenho do índice geral era impulsionado pela valorização das blue chips Petrobras (PETR3/ PETR4) e Itaú Unibanco (ITUB3/ ITUB4), que juntas, respondem por 20,8% da carteira teórica da Bovespa.

No exterior, o sentimento otimista sobre a guerra comercial entre Estados Unidos e China cedeu lugar ao ceticismo de que os dois países consigam superar suas diferenças.

Mesmo com as concessões realizadas por Pequim, Washington não se manifestou até o momento, gerando grandes preocupações sobre a ofensiva tarifária contra as importações chinesas, que entrará em vigor no próximo dia 01.

Além disso, os investidores continuavam receosos com a inversão da curva de juros dos títulos públicos do Tesouro americano de 2 e 10 anos, que se acentuou na sessão de ontem e apresentava a mesma trajetória na manhã de hoje.

Tal fenômeno é visto como um alerta de recessão para a maior economia do mundo, já que o fato antecedeu todos os últimos cenários de crise financeira.

Enquanto isso, na Europa, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou que pediu a autorização da rainha Elizabeth II para fechar o Parlamento durante algumas semanas antes da data final para o Brexit, 31 de outubro.

O objetivo do premiê é evitar que a oposição consiga votar leis que impeçam que o Reino Unido de sair da União Europeia sem estabelecer um acordo.

Nesse contexto, às 12h30 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira subia 0,50%, aos 97.764 pontos, anotando um volume financeiro de R$3,692 bilhões.

Dólar ronda a estabilidade com exterior e de olho no Banco Central

Oscilando desde a abertura, o dólar comercial seguia trajetória de queda em meio à um cenário mais adverso no exterior.

Novamente, o conflito comercial EUA-China protagonizava as movimentações, com as falas do presidente americano catalisando as expectativas.

Em sua conta no Twitter, Donald Trump afirmou que confia em sua abordagem com o governo chinês e fez duras críticas aos seus opositores.

“Muito interessante ler e ver todos os conselhos livres que estou recebendo sobre a China, de pessoas que tentaram lidar com isso e falharam miseravelmente” – escreveu Trump.

Por aqui, o foco está na atuação do Banco Central, que ontem surpreendeu o mercado realizando um leilão de dólares à vista sem swaps reversos para barrar o avanço da divisa americana.

Ás 12h30 (horário de Brasília), o dólar recuava 0,02% contra o real brasileiro, sendo cotado a R$4,1550 na venda.

Os investidores seguem atentos à autoridade monetária, principalmente os de renda fixa, que foram fortemente afetados pela medida aplicada na véspera.

Seguindo a tendência, os contratos de juros futuros permaneciam com elevação nas taxas em todos os períodos, refletindo a possível mudança de política quanto à flexibilização dos juros.

O DI fevereiro/2020 subia 0,74%, sendo negociado a 5,47% (5,41% no ajuste anterior) e o DI julho/2023 avançava 1,62%, sendo vendido a 6,91% (6,84% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo

JBS (JBSS3) – A JBS informou que sua controlada, Pilgrim’s Pride Corporation, efetuou a aquisição da líder na produção de carne suína e alimentos preparados do Reino Unido, Tulip Company.

A transação foi avaliada em US$354 milhões e objetivou expandir o portfólio de atuação da Pilgrim’s para construir uma companhia líder no mercado europeu em proteína e alimentos preparados.

“Vemos o anúncio como positivo e em linha com a estratégia da JBS de focar em oportunidades de aquisição com disciplina financeira” – analisou a equipe da XP Investimentos.

Segundo o frigorífico, “a transação será totalmente financiada pelo caixa da Pilgrim’s”, seguindo uma importante diretriz do planejamento estratégico da controladora.

Lojas Marisa (AMAR3) – O Conselho de Administração da Marisa aprovou a emissão de R$175 milhões em notas promissórias, com vencimentos entre 23 de janeiro e 25 de julho do ano que vem.

Conforme divulgado pela varejista, os recursos captados serão utilizados na gestão ordinária dos negócios, sobretudo, na manutenção do capital de giro e liquidação de passivos financeiros.


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