HomeMercados

Ibovespa opera em alta com pacote de auxílio nos EUA e discurso de Bolsonaro

Por Pablo Vinicius Souza
25 março 2020 - 12:33

O Ibovespa opera em alta nesta quarta-feira (25), repercutindo as perspectivas positivas do exterior e as falas do presidente Jair Bolsonaro sobre o coronavírus.

Apesar da intensa volatilidade, o apetite ao risco foi renovado após o Congresso americano chegar a um acordo para aprovar o pacote de auxílio à economia no valor de US$2 trilhões.

A proposta realizada pelo presidente Donald Trump visa disponibilizar recursos para minimizar os impactos do Covid-19, que já infectou mais de 50 mil pessoas no país.

A medida ainda precisa ser votada pela Câmara dos Representantes dos EUA e pelo Senado, para depois ir à sanção do chefe do executivo, mas os parlamentares estão otimistas quanto à aprovação.

O fato animou os investidores, pois, demonstrou o compromisso das autoridades americanas em assegurar a liquidez da maior economia do mundo.

Por aqui, o mercado segue acompanhando a rápida propagação do vírus e as medidas de segurança sanitária promovidas pelos estados e municípios, em conjunto com o ministério da Saúde.

Contudo, gerou grande instabilidade em todos os setores o discurso do presidente Jair Bolsonaro, que voltou a classificar a epidemia como “resfriadinho” e defendeu o relaxamento da quarentena.

Segundo Bolsonaro, as pessoas precisam retomar a rotina de trabalho, ficando sujeitos ao isolamento apenas aqueles que compõem o grupo de risco.

O líder brasileiro também afirmou que há muita histeria em torno da doença, criticando os governadores e prefeitos que determinaram o fechamento de empresas, escolas e o comércio.

Na B3, destacam-se as maiores altas do dia: Gol (GOLL4), Azul (AZUL4), Braskem (BRKM5), Magazine Luiza (MGLU5) e Usiminas (USIM5).

Ás 12h25 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira subia 3,74%, aos 72.337 pontos, com um volume financeiro de R$6,818 bilhões.

Dólar cai a R$5,06 com atuação do Banco Central e cena política no radar

O dólar comercial opera em queda nesta quarta-feira (25), pressionado pela atuação do Banco Central e pelas turbulências do cenário doméstico.

Na manhã de hoje, a autoridade monetária vendeu integralmente os US$3,3 bilhões de recursos ofertados ao mercado, por meio de um leilão de linha, com compromisso de recompra.

Isso arrefeceu a demanda por moeda estrangeira e viabilizou o fortalecimento do real nesta sessão, apesar da crise sanitária provocada pelo coronavírus.

Também gerou grande instabilidade o discurso que o presidente Jair Bolsonaro realizou em cadeia nacional, voltando a menosprezar os impactos do vírus, defendendo que todos retornem ao trabalho.

Para Bolsonaro, as escolas, empresas e o comércio devem retornar às atividades para evitar que a economia não entre em colapso.

O pronunciamento não foi bem recebido por parlamentares da base e da oposição, além de gerar fortes críticas por setores estratégicos e ligados à saúde.

O Brasil já tem mais de 2 mil casos confirmados de infecção pelo Covid-19 e contabilizou 48 mortos, mas, especialistas da área estimam que estes números devem estar subavaliados.

Ás 12h25 (horário de Brasília), o dólar comercial caía 0,33% contra o real, sendo cotado a R$5,0640 na venda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros apresentavam redução nas taxas ao longo da curva, com os investidores precificando os impactos da doença no crescimento do país.

O DI outubro/2020 recuava 4,46% sendo negociado a 3,43% (3,48% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 declinava 6,44% sendo vendido a 7,86% (8,33% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Indústria de celulose não será afetado pela pandemia – diz Suzano

Nas palavras do diretor-financeiro da Suzano (SUZB3), Marcelo Bacci, a indústria de celulose não será afetada pela pandemia e observará aumento na demanda neste período.

Isso porque, cerca de 60% de toda a celulose produzida pela companhia tem como destino abastecer o mercado global de papéis para fins sanitários.

“Não tivemos interrupções na produção e a geração de caixa continua normal” – disse o executivo, enfatizando que tal indústria está sendo muito demandada atualmente.

A administração da empresa tem acompanhado de perto a quarentena em algumas cidades e a situação de “lockdown”, fazendo esforços para manter o ritmo de produção e, ao mesmo tempo, respeitar as diretrizes das autoridades.

“A produção de celulose é uma atividade essencial neste momento e nosso papel é continuar atuando. Não podemos nos dar ao luxo de parar” – pontuou Bacci.

Ele explicou que internamente, a Suzano adotou diversas medidas preventivas contra a Covid-19, como alteração nas normas de circulação das pessoas dentro das fábricas e adoção de teletrabalho.

O escritório de São Paulo, por exemplo, está fechado há uma semana, as viagens nacionais e internacionais foram suspensas e os procedimentos de higiene foram reforçados nos locais de desempenho das atividades.


Sobre o autor