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Ibovespa opera em alta com boletim Focus e acordo comercial EUA-China

Por Pablo Vinicius Souza
09 dezembro 2019 - 13:45

O Ibovespa iniciou o pregão desta segunda-feira (09) em leve alta, apresentando movimentações limitadas devido ao esvaziamento do Congresso e à ausência de notícias relevantes.

No mercado local, o boletim Focus trazia uma revisão dos principais indicadores econômicos, demonstrando o sentimento de otimismo com a retomada do crescimento das atividades.

Segundo os analistas consultados pelo Banco Central, as projeções de alta do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 subiram de 0,99% para 1,1%, e para 2020, saltaram de 2,22% para 2,24%.

Já as previsões para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançaram de 3,52% para 3,84% em 2019 e foram mantidas em 3,6% no ano que vem.

Apesar da baixa liquidez nas transações, a Smiles (SMLS3) liderava os ganhos na B3, avançando mais de 18% reagindo à proposta de incorporação pela Gol.

No exterior, o clima também era positivo para os ativos emergentes, sobretudo após as declarações do Conselheiro Econômico da Casa Branca, Larry Kudlow.

No final de semana, ele informou à imprensa que os Estados Unidos e a China estão perto de fechar a primeira fase do acordo comercial.

Contudo, o conselheiro sugeriu que o presidente Donald Trump poderá abandonar as negociações, caso o governo chinês não aceite determinadas condições que teriam sido impostas.

O fato ensejou cautela por parte dos investidores, tendo em vista que há sérios riscos de que o acordo não seja concluído antes do novo aumento nas tarifas sobre os produtos chineses entrar em vigor.

Washington programou a elevação de tarifas de 10% para 15% sobre US$170 bilhões em mercadorias importadas do gigante asiático para iniciar a vigência a partir do dia 15 de dezembro.

Ás 12h44 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira subia 0,16%, aos 111.306 pontos, anotando um volume financeiro de R$4,810 bilhões.

Dólar sobe a R$4,15 com dados da China e à espera do Copom

O dólar comercial apresentava leve alta nesta segunda-feira (09), refletindo a piora dos dados econômicos da China e as expectativas pela última reunião do Copom de 2019.

Na manhã de hoje, foram divulgados os dados da balança comercial chinesa, mostrando recuo de 1,1% nas exportações de novembro, reportando o quarto mês consecutivo de queda.

O resultado mostrou como a guerra comercial tem impactado a economia do país asiático e como se faz urgente a conclusão do acordo tarifário com os Estados Unidos.

Outro fator que impulsionava a valorização da divisa americana no câmbio interno era o sentimento de cautela em relação à última reunião do ano realizada Comitê de Política Monetária do Banco Central.

O mercado espera que a instituição decida por reduzir a taxa Selic em 0,50%, passando a ser aplicada a 4,50% ao ano, com perspectivas de manutenção deste patamar em 2020.

O tom mais conservador adotado pelos economistas tende a refletir a posição mais passiva do BC, no intuito de observar, nos próximos períodos, a repercussão da política de afrouxamento no cenário macroeconômico.

Ás 12h44 (horário de Brasília), o dólar comercial apreciava 0,12% contra o real, sendo cotado a R$4,1510 na venda.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros oscilavam próximos à estabilidade, porém, com viés de baixa, acompanhando as perspectivas de cautela, antes das decisões sobre juros desta semana.

O DI julho/2020 caía 0,11% com negociação a 4,38% (4,39% no ajuste anterior) e o DI abril/2022 declinava 0,08%, sendo vendido a 5,36% (5,37% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Gol propõe reorganização societária para incorporação da Smiles

A Gol (GOLL4) está propondo a reorganização de suas participações societárias para proceder à incorporação da empresa de fidelidade, Smiles (SMLS3).

Na transação, a companhia aérea pretende usar de US$250 a US$350 milhões do caixa para realizar a migração da base acionária da Smiles, sendo que, o valor total dependerá da opção de pagamento escolhida pelos investidores.

Pelas regras da proposta, os acionistas da empresa de fidelidade poderão escolher entre duas alternativas, que resultarão em mais ou menos ações preferenciais da Gol.

Na primeira opção, o investidor poderá receber 0,6319 ação preferencial da Gol mais R$16,54 por ação ordinária da Smiles. Já na segunda, o preço unitário será 0,4213 ação da Gol mais R$24,80.

Para esta troca, a companhia aérea considerou o valor de R$39,25 por ação de sua emissão e R$41,34 por ação da Smiles, realizados os devidos ajustes proporcionais aos termos de contabilização.

Em comunicado, a Gol explicou que a expectativa é alcançar um fluxo de caixa adicional superior a R$230 milhões por ano e concluir o processo de incorporação até abril de 2020.

Além disso, as projeções indicam que haverá um aumento de R$0,40 no lucro por ação pro forma já no ano que vem, possibilitando o reforço da estrutura de capital e a aumento na capacidade de geração de caixa para desalavancagem.

Adicionalmente, para os acionistas da Smiles haverá um prêmio de 30% sobre o preço atual e um prêmio de 13% frente ao preço-alvo estimado pelos analistas para os próximos 12 meses.


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