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Ibovespa opera em alta com acordo EUA-China e avanço do IBC-Br

Por Pablo Vinicius Souza
16 janeiro 2020 - 13:34
Ibovespa sobe: economia brasileira; Monitor do PIB

O Ibovespa operava em alta nesta quinta-feira (16), repercutindo a assinatura do acordo comercial entre Estados Unidos e China e o avanço dos dados do IBC-Br de novembro.

Na sessão de ontem, autoridades americanas e chinesas formalizaram o acordo negociado nos últimos meses, no qual, Pequim se compromete a comprar dos EUA US$200 bilhões em produtos agrícolas, combustíveis e outros gêneros.

De certa forma, essa cláusula pode vir a prejudicar o Brasil, gerando uma perda de até US$10 bilhões nas exportações, tendo em vista que a China poderá substituir os produtos brasileiros pelos americanos.

Atualmente, exportamos cerca de US$223 bilhões em produtos agrícolas ao gigante asiático e as previsões indicam que o país poderá sofrer um impacto negativo de até 5% desse valor com a vigência do acordo.

Apesar disso, os investidores estão apostando que os termos contidos no documento impulsionarão o crescimento da segunda maior economia do mundo, contribuindo com o aumento geral das importações.

No cenário interno, o mercado reagia à divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que veio na contramão dos demais indicadores.

Em novembro, o IBC-Br subiu 0,18% em comparação ao mês imediatamente anterior, superando a mediana das estimativas dos economistas, que indicava recuo de 0,1%.

Considerado como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), o dado evidenciou que, sob a ótica mensal, houve uma aceleração na atividade econômica, contrapondo os demais resultados do período.

Na B3, as companhias ViaVarejo (VVAR3), Marfrig (MRFG3), Usiminas (USIM5), Weg (WEGE3), Telefônica Brasil (VIVT3) lideravam os ganhos.

As ações da Petrobras (PETR3 / PETR4) recuavam em atenção ao declínio dos preços do petróleo, limitando o desempenho do índice geral.

Ás 12h25 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira avançava 0,32%, aos 116.788 pontos, anotando um volume financeiro de R$3,522 bilhões.

Dólar recua a R$4,17 refletindo dados econômicos e exterior positivo

O dólar comercial operava em queda nesta quinta-feira (16), refletindo o desempenho do IBC-Br de novembro e o aumento do apetite ao risco no exterior.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central subiu 0,18% em novembro, na avaliação mensal com ajuste sazonal, contrariando as previsões de baixa em 0,10%.

No período de apuração, o dado destoou dos demais indicadores, evidenciando que o país manteve bons níveis de atividade.

E atuando como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), há uma grande possibilidade de a economia registrar um crescimento, embora ainda esteja abaixo das perspectivas do mercado.

Alguns analistas consideram que a atividade local está muito resistente a choques externos, porém, ainda não está demonstrando uma recuperação plena e sustentável.

Enquanto isso, no exterior, a divisa americana depreciava frente às principais moedas mais fortes e emergentes, devido ao clima positivo com a assinatura do acordo comercial EUA-China.

Os investidores seguem atentos aos desdobramentos da situação, já que as negociações da segunda fase serão iniciadas e os dois países precisam cumprir com os termos formalizados.

Ás 12h25 (horário de Brasília), o dólar comercial recuava 0,10% contra o real, sendo cotado a R$4,1790 na venda.

Juros Futuros

Os contratos de juros futuros apresentavam comportamentos mistos, com leve aumento nas taxas intermediárias e longas da curva.

A renda fixa passa por ajustes de reprecificação, aguardando sinais mais concretos sobre a tração da atividade local, uma vez que o cenário ainda conforma a flexibilização da taxa Selic no curto prazo.

O DI novembro/2020 subia 1,16% sendo negociado a 4,35% (4,29% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2024 valorizava 0,33%, sendo vendido a 6,07% (6,03% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Minerva aprova oferta pública de ações que pode arrecadar até R$1,3 bilhão

O conselho de administração da Minerva Foods (BEEF3) aprovou a realização de uma oferta pública de distribuição primária e secundária de ações ordinárias.

A ação visa colocar em circulação 95 milhões de papéis, que poderão resultar na arrecadação de até R$1,368 bilhão em recursos, considerando o preço de R$14,40 por ação, conforme a cotação de fechamento ontem.

Serão emitidas 80 milhões de novas ações para venda primária e serão colocadas em negociação 15 milhões de ações de titularidade da VDQ Holdings na oferta secundária.

Os recursos obtidos serão destinados à melhoria da estrutura do capital da companhia, através do pagamento de dívidas e ajustes de alocação na estrutura de capital.

Contudo, os recursos obtidos com a venda das ações da VDQ não serão embolsados pela Minerva, pois se trata de alienação de ativos da titularidade da própria acionista.

A companhia informou que não utilizará o procedimento de estabilização de preços nas ações disponibilizadas no âmbito da oferta, podendo as cotações sofrerem significativa flutuação.

A coordenação dos processos ficará ao encargo das instituições bancárias BTG Pactual, J.P. Morgan, Bradesco BBI, Itaú BBA, BB-Investimentos.

A oferta será realizada primeiramente no Brasil, mas, a companhia confirmou que serão realizados esforços para disponibilização das ações também no exterior.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a venda de ADS será realizada por braços internacionais dos bancos e corretoras que estão responsáveis pela organização da oferta local.

A Minerva não admitirá distribuição parcial dos papéis, de modo que, caso não exista demanda para a subscrição da totalidade das ações até a data final dos procedimentos de bookbuilding, a oferta total será cancelada.


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