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Ibovespa opera em alta à espera das decisões de política monetária do Copom e do Fed

Por Pablo Vinicius Souza
11 dezembro 2019 - 13:34

O Ibovespa operava em alta nesta terça-feira (11), acompanhando as expectativas antes das decisões de política monetária do Federal Reserve e do Copom.

Nos Estados Unidos, o Fed anunciará a nova diretriz de juros por volta das 16h (horário local), enquanto no Brasil, o Comitê do Banco Central divulgará seu comunicado após o fechamento do mercado.

Segundo a aposta majoritária dos economistas, a autoridade americana deverá manter a taxa básica de juros no intervalo entre 1,5% e 1,75%, sinalizando a manutenção deste patamar também em 2020.

Frente às incertezas sobre a guerra comercial, os investidores ficarão atentos ao discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, para saber qual é a visão da instituição sobre os possíveis impactos.

Já em relação ao Copom, o mercado espera um corte de 0,50% na taxa Selic, alcançando a mínima histórica de 4,5% ao ano.

Porém, há dúvidas se esse será o valor mínimo a ser alçado pelos juros brasileiros, ou se haverá espaço para a continuidade do ciclo de quedas ao longo do ano que vem.

Outro ponto que despertava a atenção dos investidores era o resultado das vendas no varejo, que registraram alta de 0,1% em outubro, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O percentual veio em linha com as previsões dos analistas, evidenciando o sexto mês consecutivo de crescimento, totalizando um avanço anual de 2,7%.

Na B3, as ações das companhias do setor siderúrgico, sobretudo a Vale (VALE3), subiam no compasso do aumento nos preços do minério no mercado chinês.

Ás 12h28 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira avançava 0,36%, aos 111.068 pontos, anotando um volume financeiro de R$3,474 bilhões.

Dólar recua a R$4,11 com decisões de juros e IPO da XP

O dólar comercial operava em queda nesta quarta-feira (11), pressionado com as decisões de juros dos Bancos Centrais do Brasil e dos EUA, que serão anunciadas hoje.

Além disso, há uma boa perspectiva de entrada de fluxo de moeda estrangeira no câmbio local em função da oferta de ações (IPO) da XP Investimentos, na Bolsa Nasdaq.

Com uma elevada demanda, a corretora brasileira emplacou US$2,25 bilhões, com seu papel sendo precificado em US$27, ligeiramente superior às faixas iniciais de US$22 a US$25.

Adicionalmente, a retomada do crescimento econômico no país, evidenciada pelos indicadores mais fortes, também ajudava a apoiar a valorização do real.

Segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas no varejo aumentaram 0,1% no mês de outubro, em comparação a setembro.

No exterior, a divisa americana também depreciava contra as principais moedas globais e ligadas às commodities, como peso mexicano, peso chileno e dólar australiano.

O sentimento de incerteza sobre a guerra comercial com a China e a baixa liquidez devido ao fim do ano também limitavam o desempenho da moeda americana.

Ás 12h28 (horário de Brasília), o dólar comercial recuava 0,72% contra o real, sendo cotado a R$4,1190 na venda.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros operavam mistos, mas apresentando viés de baixa, alinhados à tônica cambial.

O movimento das taxas permanecia limitado, refletindo o sentimento de cautela dos investidores, antes das decisões de política monetária.

O DI junho/2020 subia 0,11% com negociação a 4,38% (4,37% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2026 declinava 0,15%, sendo vendido a 6,52% (6,53% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Privatização da Eletrobras deve ser aprovada no primeiro semestre de 2020

Segundo o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, o projeto que permite a privatização da estatal deve ser aprovado no Congresso Nacional, até o final do primeiro semestre de 2020.

Segundo o executivo, os trâmites do PL 5877/2019 serão concluídos antes do processo eleitoral, de forma que as eleições municipais não exercerão qualquer influência sobre os trabalhos.

“Estamos falando em desenvolver o projeto no primeiro semestre. Estamos falando em um prazo adequado. Então o projeto não vai se misturar com a eleição, que vai ser no segundo semestre” – disse Ferreira Junior, em uma palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro.

Quando questionado sobre a demora do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, em escolher um relator para o projeto, ele justificou, sinalizando que a seleção demanda cautela.

“Ele [Maia] está tomando o cuidado necessário para colocar um relator que possa, de fato, fazer deslanchar o projeto” – argumentou o executivo.

Sobre a hipótese de a privatização retornar R$15 bilhões aos cofres públicos, Ferreira Junior mencionou que a União intenciona ficar com 45% da estatal, após todo o processo.

Ele também ressaltou que a companhia passará a analisar alternativas de investimento em outros países da América do Sul, tanto em geração quanto em transmissão de energia.

Mas por enquanto, a capacidade de investimentos da elétrica continuará limitada, com expectativa de aportes de R$3 a R$4 bilhões em 2020.

Na próxima semana, a Eletrobras divulgará ao mercado o plano de negócio e gestão para o quadriênio 2020-2024, que prevê, dentre outros, investimentos em tecnologia nos setores de automação de subestações, repotenciação de hidrelétricas e modernização de ativos de transmissão.


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