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Ibovespa futuro abre em queda, reflete aversão ao risco e acordo da Opep+

Por TradersClub
19 julho 2021 - 09:56 | Atualizado em 19 julho 2021 - 09:57
Opep+

São Paulo, 19 de julho – O contrato futuro mais negociado do índice Bovespa abriu em queda pelo terceiro pregão consecutivo nesta segunda-feira, refletindo maior aversão a risco decorrente do avanço da variante Delta do coronavírus, o impacto do acordo da Opep+ que aumenta gradualmente a oferta de petróleo e as incertezas na política local.

O contrato para agosto recuava 1,34%, devolvendo o Ibovespa futuro aos 124.760 pontos por volta das 09h10. A queda é a pior desde 8 de julho. Apesar de não se verem gatilhos para realizações acentuadas nos mercados, há sinais de excessos na posição técnica e nas avaliações de alguns ativos. Segundo dados da B3, estrangeiros voltaram a liquidar posições na bolsa na quinta-feira passada, último dia com dados disponíveis. “Espero um período um pouco mais desafiador para a geração de retornos”, disse Dan Kawa, diretor de investimentos da TAG Investimentos.

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Mundo afora, os futuros dos índices acionários americanos e os rendimentos dos Treasuries americanos recuam na manhã de hoje, refletindo preocupações com a rápida disseminação da variante Delta. Também por esse fator, as empresas exportadoras de commodities devem sentir a queda do petróleo e do minério de ferro, entre outros, à espera da divulgação da prévia operacional de produção da Vale, na noite de hoje, disseram contribuidores do TC. Todos os fundos de índice setoriais das ações que compõem o índice S&P500 derretem, enquanto o índice de volatilidade CBOE VIX dispara 17% no mesmo horário.

O petróleo Brent despenca mais de 3,5% no mercado internacional. Ontem, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, grupo conhecido como Opep+, concordaram em aumentar a produção de petróleo a partir de agosto, para segurar a alta dos preços nos próximos meses. A tendência era de os preços dispararem com a oferta limitada e o aumento da demanda com a retomada global – o que poderia levar a Petrobras a reajustar ainda mais os preços da gasolina, diesel e gás de cozinha.

O investidor foca na temporada de balanços nos Estados Unidos, que inicia sua segunda semana, e no Brasil, que começa amanhã. Enquanto há segmentos do mercado que apostam nos balanços para colocar um piso sólido no desempenho das ações, outros estão atentos aos sinais das empresas quanto à pressão inflacionaria nas margens de lucro e ao avanço da retomada da economia nas vendas e as receitas.


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