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Ibovespa fecha estável em sessão de ajustes, mas garante valorização semanal de 2,3%

Por Fast Trade
20 dezembro 2019 - 20:11

O Ibovespa encerrou em queda marginal nesta sexta-feira (20), garantindo uma valorização semanal de 2,3%, que fez o mercado brasileiro superar recordes neste final de ano.

Na sessão de hoje, o movimento foi de realização de lucros, tendo em vista a baixa liquidez que é tradicional no final do ano e a ausência de catalisadores específicos que justificassem a correção.

Com a agenda esvaziada no Congresso, os investidores digeriram o avanço da prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), que teve alta de 1,05%, superando as projeções dos analistas.

No acumulado do ano, o indicador já alcançou o patamar de 3,91%, reforçando o posicionamento do Banco Central em encerrar o ciclo de cortes na taxa Selic em 2020.

Adicionalmente, as perspectivas de retomada do crescimento econômico, bem como a continuidade da agenda de reformas continuam gerando tração aos ativos locais.

Na B3, dentre as maiores altas, destacaram-se Gerdau (GGBR4/ GOAU4) e Tim (TIMP3); dentre as maiores baixas, MRV (MRVE3), Yduqs (YDUQ3) e Cogna (COGN3) lideraram o ranking negativo.

As ações da Petrobras (PETR3/ PETR4) registraram perdas de 1,15% e 1,14%, respectivamente, acompanhando a queda dos preços do petróleo.

Como resultado, a Bolsa brasileira recuou 0,01% aos 115.121 pontos, anotando um volume financeiro de R$16,042 bilhões.

O cenário local desviou do bom humor visto nos mercados internacionais, sobretudo, após o presidente Donald Trump publicar em sua conta no Twitter, que teve uma boa conversa com Xi Jinping sobre um “acordo comercial gigante”.

Mais cedo, o mercado repercutiu o crescimento de 2,1% no Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no terceiro trimestre, mostrando que a maior economia do mundo está forte e consistente, apesar dos conflitos tarifários.

Em Wall Street, o Dow Jones saltou 0,28%, o S&P 500 avançou 0,49% e o Nasdaq Composto subiu 0,42%, dando continuidade ao rali de valorização iniciado nas últimas semanas.

Também ficou no radar a aprovação do acordo para o Brexit, apresentado pelo primeiro-ministro Boris Johnson e votado pela Câmara dos Comuns, no Reino Unido.

Dólar avança a R$4,09 impulsionado pelo PIB dos EUA

O dólar comercial encerrou em alta de 0,79% nesta sexta-feira (20), sendo cotado a R$4,0950 na venda, próximo à máxima registrada no dia.

Os dados mais fortes da economia norte-americana pressionaram o desempenho do real, que praticamente devolveu todos os ganhos obtidos durante a semana.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, mensurado no terceiro trimestre, subiu cerca de 2,1%, vindo em linha com as expectativas dos economistas.

O movimento de queda local foi intensificado pela sessão de ajustes, embora o indicador que mensura a prévia da inflação oficial tenha avançado, beneficiando a moeda brasileira.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), divulgado pelo IBGE, subiu 1,05%, acumulando valorização de 3,91% em 2019.

O resultado surpreendeu os analistas de mercado, pois, ultrapassou a mediana das estimativas, que indicavam um acréscimo de 0,95% no período sob análise.

Avaliando a situação, os investidores já começaram a ajustar posições, apostando que o Comitê de Política Monetária (Copom) poderá elevar a taxa básica de juros mais cedo do que o previsto.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram com redução nas taxas ao longo de toda a curva a termo, acompanhando a percepção de que os núcleos de inflação estão dentro do esperado.

Depois de um dia de intensa volatilidade e liquidez reduzida, o comportamento dos DIs mostrou que, apesar das preocupações com a aceleração do crescimento da economia, o mercado está vendo que a alta do IPCA ocorreu devido à fatores sazonais.

Por isso, para o ano que vem, a projeção majoritária é que eventuais pressões inflacionárias não exerçam impacto significativo na condução das políticas de juros.

O DI julho/2020 recuou para 4,33% (4,35% no ajuste anterior), o DI janeiro/2024 caiu para 6,36% (6,46% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2026 declinou para 6,90% (6,82% no ajuste anterior).

Petróleo fecha em queda com aumento nas plataformas de produção dos EUA

Os contratos futuros de petróleo apuraram perdas nesta sexta-feira (20), reagindo ao aumento de plataformas de produção ativas nos Estados Unidos.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para fevereiro, recuou 1,20%, sendo negociado a US$60,44 o barril.

Enquanto o petróleo Brent para o mesmo mês, comercializado na ICE de Londres, caiu 0,60%, fechando na cotação de US$66,14 o barril.

Em seu relatório semanal, a companhia Baker Hughes informou que o número de plataformas de perfuração ativas no território norte-americano aumentou 18 unidades, totalizando 685 em operação.

Este é o segundo aumento semanal consecutivo no número de plataformas, sinalizando um possível aumento nos níveis de produção de óleo bruto nos EUA.

Apesar de os contratos apresentarem uma recuperação saudável ao longo da semana, o ajuste de hoje veio, principalmente, pelo baixo volume de negócios e pela realização de lucros.

Devido à proximidade com as festividades do final do ano, a tendência é que as sessões permaneçam voláteis e os ativos esbocem movimentos aleatórios e exagerados.

Mesmo assim, a previsão é que preços da commodity se mantenham em níveis mais altos devido à melhora nas perspectivas do acordo comercial sino-americano e com a política de aprofundamento dos cortes na produção adotada pela Opep e seus aliados.

Noticiário Corporativo: Smiles e Gol reajustam preços de passagens e milhas em sua parceria

As companhias Smiles (SMLS3) e Gol (GOLL4) definiram um reajuste de caráter ordinário nos preços das passagens e milhas que comercializam através de seu programa de parcerias.

Segundo a empresa de fidelidade, haverá um aumento médio de 41% nos preços das passagens transferidas para a companhia aérea e um acréscimo de 2,7% no valor das milhas.

As mudanças entrarão em vigor a partir do 01 de janeiro de 2020 e esse reajuste periódico está previsto no contrato firmado entre a Gol e demais empresas controladas pelo grupo.

Por meio de um fato relevante, a Smiles explicou que o valor adicionado foi calculado com base na composição dos bilhetes aéreos emitidos no último período de vigência.

A companhia também ressaltou que em ambos os casos, os valores foram aprovados pelo comitê independente e pelos integrantes do conselho de administração.

No início de dezembro, a Gol propôs à empresa de fidelidade uma reestruturação societária, na qual, está prevista a incorporação de suas ações, oferecendo um prêmio de 25%.

A proposta contém uma relação de troca de cada ação ordinária da Smiles por 0,6319 ação preferencial da companhia aérea, acrescido de um resgate de R$16,54 por unidade.

Uma outra opção contemplada seria trocar cada ação ordinária da empresa de fidelidade por 0,4213 ação preferencial da Gol, acrescido de R$24,80 no resgate.

Ainda não há uma conclusão para a negociação, contudo, a expectativa é que as discussões sobre a proposta se aprofundem no decorrer de 2020.


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