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Ibovespa fecha em queda de 2,59% após sessão volátil e temores com coronavírus

Por Pablo Vinicius Souza
27 fevereiro 2020 - 18:53

O Ibovespa encerrou em forte queda nesta quinta-feira (27), fazendo uma sessão particularmente volátil, na qual, chegou a perder mais de 2% e subir 0,89% na máxima do dia.

O índice geral chegou a ensaiar recuperação com as companhias do setor bancário, após o Banco Central divulgar o relatório de crédito mensurado em janeiro.

Houve um aumento de 0,5% do spread médio das operações de crédito, para 18,3% e o juro médio das operações também subiu para 23%, representando uma alta de 0,4% no mês.

Apesar disso, o clima era de tensão e preocupações entre os investidores, visto que, o número de pessoas contaminadas pelo Covid-19 fora da China está aumentando rapidamente.

Na Coreia do Sul, o governo local confirmou 505 novos casos de infecção nas últimas 24 horas, elevando para 1.766 o quantitativo de pessoas contaminadas no país.

Na Itália, o surto ganhou força na região Norte, principalmente na área nobre, contabilizando 650 pessoas contaminadas e 17 mortes até o momento.

No Brasil, embora as autoridades tenham reportado apenas 1 caso em São Paulo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) solicitou ao governo ações agressivas “para prevenir o contágio e salvar vidas”.

Sendo o primeiro país da América do Sul e o primeiro de uma zona tropical a registrar um caso do vírus, os cientistas ficarão de olho em como a doença se comportará.

Além disso, o departamento de saúde pública dos Estados Unidos e da Alemanha notificaram pacientes contaminados com o Covid-19, mas sem nenhuma correlação com outras pessoas portadoras do vírus.

Diante disso, as autoridades já começaram a trabalhar com a possibilidade de que a contaminação possa ocorrer por meios ainda desconhecidos.

Por aqui, o mercado repercutiu o agravamento das tensões entre o governo e o Congresso, após o presidente Jair Bolsonaro divulgar um vídeo convocando a população para um ato contra os parlamentares e o supremo, no próximo dia 15 de março.

Lideranças dos poderes legislativo e judiciário se manifestaram repudiando tal atitude, que poderá servir de obstáculos ao avanço da agenda de reformas proposta pela equipe econômica.

Na B3, as companhias Ambev (ABEV3), Gol (GOLL4), Azul (AZUL4), Totvs (TOTS3) e Weg (WEGE3) lideraram o ranking negativo da sessão.

Como resultado, a Bolsa brasileira desabou 2,59% aos 102.983 pontos, com um volume financeiro de R$29,458 bilhões.

Dólar salta a R$4,47 fechando em novo recorde nominal

O dólar comercial saltou 0,77% nesta quinta-feira (27), fechando na cotação de R$4,4760 na venda, alcançando um novo recorde nominal.

Frente ao aumento da aversão ao risco causada pelo avanço dos casos de coronavírus no mundo, o câmbio se fortaleceu em todos os fronts aqui e no exterior.

Apesar do leilão de swap cambial realizado pelo Banco Central, que proveu cerca de US$1 bilhão ao mercado de derivativos, o viés de alta da divisa americana permaneceu até o final das negociações.

No momento mais crítico, a moeda dos EUA chegou a bater em R$4,5010 na máxima do dia, evidenciando a dinâmica de busca por maior proteção.

Os investidores estão muito temerosos quanto aos possíveis impactos que a doença trará sobre a situação econômica dos países em geral, sobretudo, os emergentes.

Por aqui, o real ficou entre as moedas que mais depreciaram contra o dólar, embora tenha desacelerado as perdas no final do pregão.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram com recuo nas taxas em todos os períodos, após passar por momentos de oscilações bruscas devido às turbulências internacionais.

A redução do prêmio de risco ocorreu com maior intensidade nos vértices intermediários, com o mercado se apresentando de maneira mais leve nas posições de prefixados.

O DI outubro/2020 caiu para 4,13% (4,15% no ajuste anterior), o DI julho/2024 declinou para 5,97% (6,06% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2026 desceu para 6,42% (6,43% no ajuste anterior).

Petróleo fecha em queda pressionado pelas incertezas sobre o coronavírus

Os contratos futuros de petróleo encerraram em queda nesta quinta-feira (27), pressionados pelas incertezas sobre os impactos do coronavírus na economia mundial.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para abril, recuou 3,37%, no preço de US$47,09 o barril.

Já o petróleo Brent comercializado na ICE de Londres, para entrega em maio, caiu 2,05%, fechando na cotação de US$51,73 o barril.

Fazendo a quinta sessão consecutiva de perdas, os preços da commodity energética estão sendo fortemente impactados pelas perspectivas negativas sobre a demanda global.

Com o avanço do número de pessoas contaminadas pela doença, os governos estão adotando medidas contingenciais que preveem a alocação de recursos em necessidades prioritárias.

Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) sinalizou que o vírus tem o potencial de se tornar uma pandemia, tendo em vista, a rápida propagação em diferentes países.

O cenário de aversão ao risco, que já vinha afetando as previsões de demanda para 2020, se intensificou, mantendo os contratos sob pressão durante o período de negociações.

Segundo análise do ING, as cotações poderão sentir algum alívio caso a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) decida se posicionar com mais cortes, na reunião de semana que vem.

Noticiário Corporativo: Carrefour planeja dar continuidade à sua política de expansão no Brasil

O Carrefour (CRFB3) está planejando dar sequência à expansão de suas atividades no Brasil, apostando na estratégia de novas aquisições.

Segundo explicou o CEO da varejista, Alexandre Bompard, todos os modelos de lojas do grupo estão registrando um excelente desempenho e isso vem impulsionando o crescimento da companhia.

“Todos os sinais estão verdes, então aceleramos” – disse o executivo, acrescentando que o grupo está aberto às oportunidades de aquisição que poderão surgir ao longo do ano.

Recentemente, a empresa comprou 30 unidades da rede Makro fora de São Paulo por R$1,95 bilhão e adquiriu 49% da fintech Ewally, já se preparando para lançar um banco digital.

Durante a apresentação do balanço anual a investidores e analistas, Bompard destacou que os resultados sólidos permitem que o Carrefour seja mais agressivo em suas aquisições e estratégias de mercado.

Em 2019, o grupo voltou a registrar lucro líquido de 1,13 bilhão de euros, após amargar prejuízo de 582 milhões no ano anterior.

A melhora dos resultados foi impulsionada pelas operações na França e na América Latina, sobretudo, após o aumento da fatia no Brasil.

Na avaliação do CEO, as aquisições devem representar um motor para o crescimento das atividades que já são rentáveis, por isso, a companhia é muito seletiva em relação aos projetos.

Ele preferiu não comentar se há oportunidades sendo negociadas na França ou em outros países, mas ressaltou o apetite do grupo para aproveitar o bom momento e aumentar a participação no mercado.

Sobre a epidemia do coronavírus, Bompard disse que esta é uma das grandes preocupações do grupo em relação aos seus funcionários e fornecedores.

“Estamos estudando sistemas de fornecimento alternativos. Continuamos a trabalhar com diferentes opções, adaptados em função da evolução do vírus” – explicou.

Embora o executivo não tenha mencionado os possíveis impactos da epidemia na Itália (o seu quarto maior mercado) e no Brasil, ele ressaltou que as perspectivas seguem positivas em todos os cenários.


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