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Ibovespa fecha em queda de 1,18% com declarações de integrantes do Fed

Por Pablo Vinicius Souza
22 agosto 2019 - 18:43
tensão institucional após manifestações

Novas turbulências do exterior afetaram o pregão desta quinta-feira (22). O Ibovespa acentuou as perdas após membros do Banco Central americano, Federal Reserve, se posicionarem contra um novo corte na taxa de juros do país.

O presidente do Fed da Filadélfia, Patrick Harker, afirmou que não há motivos para aplicação de mais estímulos na política monetária e enfatizou que agora é o momento de esperar para “ver como as coisas se desenvolvem”.

Já Esther George, a presidente do Fed pelo estado de Kansas, disse que a economia americana não precisa de juros mais baixos, já que não há perspectivas de que as atividades estão ficando mais fracas.

As falas dos dois integrantes coincidem com o pensamento de Eric Rosengren, o presidente do Fed de Boston, que no início da semana, explicou sobre os efeitos de um novo corte nos juros sobre as famílias e como esta situação poderá encorajá-las a aumentar o endividamento.

O presidente americano, Donald Trump, por meio de sua conta no Twitter, voltou a criticar a autoridade monetária, destacando que o país precisa de um “grande corte” na taxa de juros, mas o mercado “não pode contar” com o presidente do Fed, Jerome Powell.

O fato trouxe desânimo aos investidores, que esperavam uma posição mais suave da instituição, uma vez que os últimos acontecimentos sinalizaram para um grande risco de recessão na maior economia do mundo.

Por aqui, o mercado reagiu com certa dose de frustração ao anúncio do governo sobre as privatizações, divulgando a inserção de apenas nove estatais no programa.

Ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, havia antecipado a informação, dizendo que seria comunicado a privatização de dezessete empresas, o que acabou gerando descontentamento.

Como resultado, o Ibovespa recuou 1,18%, aos 100.011 pontos, registrando um volume financeiro de R$14,75 bilhões.

Dólar salta a R$4,07 com cautela frente à recessão

Sob o clima de forte aversão ao risco, o dólar comercial avançou 1,24% contra o real brasileiro, fechando na cotação de R$4,0790 na venda.

Operando em alta desde a abertura, a divisa americana só desacelerou quando o Banco Central realizou o leilão de US$550 milhões em recursos à vista, chegando a tocar na mínima em R$4,0183.

Rapidamente, a moeda dos EUA retomou a trajetória de alta e fechou perto das máximas, assumindo a mesma tendência apresentada no exterior.

Outro aspecto que adicionou tração ao câmbio foi a intensificação do conflito comercial sino-americano, com as declarações do porta-voz do Ministério do Comércio, Gao Feng.

Ele afirmou que a ofensiva tarifária americana sobre as importações de produtos chineses, cujo início está previsto para 01 de setembro, forçará Pequim a “adotar ações de retaliação”.

Também impulsionou a alta do dólar as declarações de alguns membros do Federal Reserve, que se pronunciaram contra um corte na taxa de juros, justificando que é preciso esperar um cenário mais nítido para agir.

No mesmo sentido, os contratos de juros futuros encerraram majoritariamente em alta, refletindo o clima de cautela diante do risco de recessão.

Os investidores de renda fixa evitaram movimentos mais ousados enquanto esperam pelo discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, durante o Simpósio em Jackson Hole.

Mesmo em um ambiente de incertezas no exterior, as expectativas quanto à redução da taxa Selic permaneceram ancoradas e estão asseguradas nos baixos níveis de inflação e crescimento econômico.

O DI março/2020 caiu para 5,26% (5,28% no ajuste anterior), o DI outubro/2022 subiu para 6,29% (6,24% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 avançou para 6,90% (6,85% no ajuste anterior).

Petróleo fecha em queda com preocupações sobre a demanda global

Os contratos futuros de petróleo recuaram no pregão desta quinta-feira (22), refletindo a ação de diferentes variáveis que convergem para a piora do cenário internacional e apresentam potencial de impacto na demanda.

Pela manhã, o IHS Markit divulgou os dados sobre o Índice Gerente de Compras (PMI) da manufatura nos Estados Unidos, revelando uma contração da atividade, que pela primeira vez em dez anos, caiu abaixo da referência de 50.

Adicionalmente, a inversão da curva de juros dos Treasuries americanos de 2 e 10 anos registrada na semana passada, também elevou o sentimento de risco, já que o evento antecedeu as últimas sete recessões econômicas do país.

Os investidores estão temerosos quanto à um possível excedente de oferta, tendo em vista o ritmo de desaceleração das atividades e os altos níveis de produção da commodity.

Embora o Departamento de Energia tenha divulgado uma redução de 2,7 milhões de barris nos estoques de óleo bruto nos EUA, o aumento das reservas de gasolina e destilados pressionou a queda das cotações.

Além disso, em um novo capítulo da guerra comercial sino-americana, o governo chinês comunicou que adotará medidas de retaliação contra a ofensiva tarifária de Washington, que entrará em vigor a partir do dia 01 de setembro.

Como resultado, o petróleo WTI para entrega em outubro caiu 0,59%, sendo cotado a US$55,35 o barril e o petróleo Brent para o mesmo período recuou 0,63%, sendo negociado a US$59,92 o barril.

Noticiário Corporativo

Telebras (TELB4)Em fato relevante, a Telebras declarou que está na lista das empresas que integrarão o Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) lançado pelo governo Federal.

Segundo a companhia, a informação veio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, que confirmou a lista das estatais que serão privatizadas.

O diretor de Relações com Investidores, Antônio José Mendonça de Toledo Lobato, explicou que a iniciativa visa estudar alternativas de parceria com a iniciativa privada para assegurar a manutenção dos resultados da empresa e promover sua sustentabilidade econômico-financeira.

O executivo acrescentou que a qualificação da Telebras no PPI ocorreu durante a 10ª Reunião do Conselho de Parcerias de Investimentos, que aconteceu ontem à tarde, porém, ainda é necessário um decreto para formalizar a inclusão.

Itáu Unibanco (ITUB3) – Segundo notícia publicada pela coluna Broadcast do jornal Estado de S. Paulo, o Itaú Unibanco está negociando uma parceria com a SulAmérica para vender seguro saúde e odontológico para o setor corporativo.

Ao que parece, o interesse do banco é utilizar a mesma dinâmica de um projeto semelhante, que aplicou uma estratégia 360 e alavancou o segmento que comercializa produtos de terceiros para seus próprios clientes.

A notícia também destacou que o Itaú já possui contrato fechado com duas empresas, Amil e Porto Seguro, sendo esta última, parceira de uma joint venture que atua na área de seguros residencial e automobilístico.

Movimentações na B3  

 As ações de maior liquidez da Bovespa encerraram em queda, seguindo o exterior negativo. A seguir, as mínimas registradas no dia:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 16/08 19/08 Ativo 16/08 19/08
Petrobras (PETR3) -0,45% +1,36% Vale (VALE3) -0,46% -0,09%
Petrobras (PETR4) -1,32% +0,50% Embraer (EMBR3) -0,28% -0,28%
Eletrobras (ELET3) +2,60% -1,81% Banco do Brasil (BBAS3) -0,26% -1,97%
Eletrobras (ELET6) +2,34% -0,71% Cemig (CMIG4) +3,05% +1,44%

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SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 15/08 16/08 Ativo 15/08 16/08
Itaú Unibanco (ITUB3) -0,69% +0,40% Usiminas (USIM3) +0,11% +0,53%
Santander (SANB11) -0,31% +0,47% CSN (CSNA3) -2,79% +1,94%
Bradesco (BBDC3) -0,84% +0,24% Gerdau (GGBR4) -4,25% +3,42%

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