HomeMercados

Ibovespa fecha em queda com temores sobre uma recessão global

Por Pablo Vinicius Souza
20 agosto 2019 - 18:30
Pela 12ª semana consecutiva mercado reduz estimativas de crescimento econômico em 2019

O Ibovespa encerrou em queda no pregão desta terça-feira (20), pressionado pelo aumento das preocupações com um possível cenário de recessão econômica global.

O aumento do risco nos mercados desencadeou uma fuga de capitais dos ativos emergentes, aumentando a demanda por opções mais líquidas e seguras.

Mesmo com certa mobilização por parte dos governos para conter o ritmo de desaceleração das atividades, o cenário de incertezas provocou reação de cautela nos investidores.

Um dos focos de tensão constante é a guerra comercial entre Estados Unidos e China, que tem impactado negativamente a economia do gigante asiático.

Para amenizar os ânimos, o presidente Donald Trump estendeu em 90 dias a licença para a Huawei comprar equipamentos de empresas americanas.

Washington também anunciou que pretende reduzir os impostos incidentes sobre a folha de pagamento para estimular as atividades.

Ainda assim, o presidente do Federal Reserve de Boston, Eric Rosengren, afirmou ser contrário à redução da taxa de juros nos EUA, alegando que a economia não precisa necessariamente de políticas de afrouxamento.

Por aqui, crescem as especulações sobre o potencial de desenvolvimento do mercado de capitais nacional e os possíveis efeitos da crise externa.

Não obstante as opiniões dos analistas sejam divergentes em alguns aspectos, há um consenso sobre as perspectivas positivas do país em função das reformas estruturais e microeconômicas implementadas pelo atual governo.

E mesmo que variáveis externas possam limitar temporariamente a atratividade dos ativos locais, esse não será o fim do bull market da Bovespa, já que esta é a fase inicial de recuperação da economia.

No fim da sessão, a Bolsa brasileira caiu 0,25%, aos 99.222 pontos, anotando um volume financeiro de R$11,092 bilhões.

Dólar recua a R$4,05 com cenário adverso para emergentes

O dólar comercial encerrou a sessão desta terça-feira (20) em queda de 0,55% contra o real brasileiro, sendo cotado a R$4,056,500 na venda.

Assumindo um viés negativo desde a abertura, a divisa americana também depreciou contra as principais moedas emergentes, principalmente, àquelas que estão atreladas ao desempenho das commodities.

Embora o movimento do câmbio seja predominantemente volátil, o sentimento ainda é de cautela devido ao agravamento dos riscos de uma recessão econômica global.

Adicionalmente, temos um cenário de conflito comercial entre as duas maiores potências mundiais e muitas incertezas quanto à postura do Federal Reserve sobre a flexibilização da taxa de juros dos EUA.

Os agentes do mercado classificaram o comportamento do câmbio como pontual, realizando um ajuste ao avanço da véspera, uma vez que o ambiente externo se mostrou muito adverso para os emergentes.

Na mesma linha, os contratos de juros futuros fecharam mistos, com as taxas de curto prazo declinando e as de longo prazo aumentando.

Apesar das turbulências internas, o investidor de renda fixa continua apostando na redução da taxa Selic rumo ao patamar dos 5% até o final de 2019, abrindo espaço para retirada do prêmio de risco.

O DI maio/2020 caiu para 5,30% (5,32% no ajuste anterior), o DI outubro/2023 avançou para 6,68% (6,67% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2026 disparou para 7,26% (7,15% no ajuste anterior).

Petróleo fecha em alta à espera dos dados de estoque da commodity

Os contratos futuros de petróleo encerraram em leve alta nesta terça-feira (20), em expectativa à divulgação dos dados de estoque da commodity nos Estados Unidos.

Embora os estoques brutos tenham registrado forte crescimento nas últimas semanas, o clima geral foi de otimismo na sessão de hoje.

A oferta global também aumentou pressionada pela intensificação da guerra comercial sino-americana, que tem gerado impactos negativos na demanda da China, o maior importador líquido do óleo atualmente.

Semana passada, as cotações subiram em atenção ao movimento dos Bancos Centrais da China e da Alemanha, que se prontificaram a aplicar estímulos para conter o ritmo de desaceleração econômica.

Com isso, os investidores renovaram o apetite ao risco e desencadearam a valorização dos contratos, apostando na melhora do cenário internacional e no avanço da demanda, apesar das incertezas persistentes.

O analista sênior de mercado da corretora Oanda, Edward Moya, explicou que devido às perspectivas de variação pequena nos estoques semanais, o comportamento da commodity nos próximos dias, tende a ser afetado pelas tensões geopolíticas e decisões monetárias.

Como resultado, o petróleo WTI para entrega em setembro avançou 0,23%, sendo cotado a US$56,34 o barril e o petróleo Brent para outubro subiu 0,48%, sendo cotado a US$60,03 o barril.

Noticiário Corporativo

Vale (VALE3)A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) comunicou a abertura de um inquérito para investigar a conduta da administração da Vale por inobservância de deveres fiduciários decorrentes da tragédia de Brumadinho.

A autarquia explicou que a apuração visa detectar o descumprimento de deveres da mineradora em relação aos seus acionistas e investidores, não incluindo questões ambientais, que já estão sendo trabalhadas pelas instituições competentes.

A formalização do inquérito é uma etapa preliminar da investigação e caso a CVM encontre indícios de irregularidades, haverá a instauração de processos de caráter sancionatório.

Grupo Pão de Açúcar (PCAR4)Em fato relevante, o Grupo Pão de Açúcar informou que o seu controlador, Grupo Casino, alterou a oferta de aquisição da participação indireta que a companhia Almacenes Êxito detém na operação brasileira.

O preço por ação do GPA passou de R$109 para R$113 e o comitê especial independente decidiu que sua subsidiária operacional, Sendas Distribuidora, deverá fazer uma oferta pública para comprar, em recursos à vista, até a totalidade das ações pertencentes à varejista colombiana.

O preço previamente acordado será de 18.000 pesos colombianos por ação e a medida faz parte de um planejamento que visa reestruturar a composição dos ativos do Casino na América Latina.

Movimentações na B3  

 As ações de maior liquidez da Bovespa encerraram em território negativo, embora tenham devolvido parte das perdas ao longo do dia. A seguir, as mínimas registradas:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo16/0819/08Ativo16/0819/08
Petrobras (PETR3)-0,45%+1,36%Vale (VALE3)-0,46%-0,09%
Petrobras (PETR4)-1,32%+0,50%Embraer (EMBR3)-0,28%-0,28%
Eletrobras (ELET3)+2,60%-1,81%Banco do Brasil (BBAS3)-0,26%-1,97%
Eletrobras (ELET6)+2,34%-0,71%Cemig (CMIG4)+3,05%+1,44%

E-BOOK GUIA COMPLETO PARA OBTER SUCESSO NOS INVESTIMENTOS EM AÇÕES NA BOLSA DE VALORES

SETOR BANCÁRIOSETOR SIDERÚRGICO
Ativo15/0816/08Ativo15/0816/08
Itaú Unibanco (ITUB3)-0,69%+0,40%Usiminas (USIM3)+0,11%+0,53%
Santander (SANB11)-0,31%+0,47%CSN (CSNA3)-2,79%+1,94%
Bradesco (BBDC3)-0,84%+0,24%Gerdau (GGBR4)-4,25%+3,42%

Sobre o autor