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Ibovespa fecha em alta com exterior positivo e volatilidade nas Blue Chips

Por Pablo Vinicius Souza
04 novembro 2019 - 19:40

O Ibovespa encerrou o pregão desta segunda-feira (04) em alta, depois de renovar o seu recorde intradiário no patamar de 109.352 pontos.

O avanço visto durante as primeiras horas de negociação foi contaminado pela volatilidade de algumas blue chips que compõem o índice geral, como Petrobras (PETR3/ PETR4) e Itaú Unibanco (ITUB3).

As ações da petroleira estatal recuavam pressionadas pelas especulações sobre o possível arremate da empresa de uma grande fatia dos campos de exploração do pré-sal, no leilão previsto para a próxima quarta-feira (06).

Já os papéis do Itaú Unibanco valorizaram ante a expectativa de anúncio dos resultados corporativos da instituição, que serão publicados após o fechamento do mercado local.

No exterior, o dia foi de ganhos generalizados para as principais Bolsas internacionais. Em Wall Street, o S&P 500 subiu 0,37%, o Dow Jones avançou 0,42% e o Nasdaq Composto saltou 0,56%.

Os investidores repercutiram o progresso no diálogo entre Estados Unidos e China, para a conclusão da primeira fase do acordo comercial.

Segundo o secretário do Comércio americano, Wilbur Ross, as conversas estão “avançando muito” e as lideranças estão selecionando o melhor local para assinatura do documento, que deve acontecer ainda em novembro.

Outras autoridades dos EUA, como o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e o representante Comercial, Robert Lighthizer, também sinalizaram que um pacto abrangente estaria sendo elaborado.

O fato reascendeu o apetite aos ativos de risco, sobretudo em ações e commodities, impulsionando o desempenho de mercados emergentes, como o brasileiro.

O movimento pode ser visto na B3, que também se beneficiou com migração massiva da renda fixa para a renda variável, devido aos juros mais baixos e às perspectivas de melhora do cenário macroeconômico.

Como resultado, a Bolsa brasileira avançou 0,54% aos 108.779 pontos, registrando um volume financeiro de R$14,759 bilhões.

Dólar avança a R$4,01 em sessão de ajustes antes do leilão de cessão onerosa

O dólar comercial fechou o pregão desta segunda-feira (04) em apreciação de 0,40% contra o real brasileiro, sendo cotado a R$4,0110 na venda, perto da cotação máxima do dia.

Na esteira do dia mais favorável no exterior, a divisa americana se fortaleceu frente a 25 das 33 principais moedas globais mais líquidas, em atenção ao discurso da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde.

No câmbio local, a moeda dos EUA chegou a oscilar em queda, batendo em R$3,9760 na mínima, mas alcançou certa estabilidade na fronteira de R$3,99.

Dentre os catalisadores, as notícias sobre o acordo comercial entre Estados Unidos e China protagonizaram as movimentações, cedendo volatilidade aos ativos de risco.

Contudo, as incertezas sobre o fluxo de capital estrangeiro que entrará no Brasil através do leilão dos excedentes da cessão onerosa, ensejaram cautela nos investidores.

Nas últimas semanas, começaram a surgir dúvidas sobre o verdadeiro interesse das petroleiras internacionais em investir no país, sobretudo, após as companhias Total e BP desistirem de participar da disputa.

Se não houver lance para alguns campos, esse fluxo de moeda estrangeira poderá ser fortemente prejudicado, causando um impacto no comportamento do real nos próximos meses.

No mesmo sentido, os contratos de juros futuros apresentaram aumento nas taxas de ponta a ponta da curva, com os investidores aguardando a divulgação da ata do Copom para ajustar as expectativas para a Selic em 2020.

O DI junho/2020 subiu a 4,46% (4,44% no ajuste anterior), o DI janeiro/2024 saltou para 5,78% (5,73% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 avançou a 6,35% (6,33% no ajuste anterior).

Petróleo avança com acordo EUA-China e Saudi Aramco no radar

Os contratos futuros de petróleo encerraram em alta nesta segunda-feira (04), acompanhando o otimismo do exterior com as novidades sobre o acordo entre Estados Unidos e China.

Na sessão de hoje, os investidores repercutiram a notícia de que os dois países estão próximos de assinar a primeira fase do acordo, durante o mês de novembro.

Além disso, autoridades americanas ligadas ao comércio afirmaram que um pacto mais amplo está sendo negociado e com sucesso, renovando a expectativa de que a guerra comercial poderá ser finalizada.

O mercado reagiu positivamente ao anúncio, já que a resolução do conflito poderá acelerar o crescimento dos níveis de demanda global pela commodity.

Outro fator que adicionou volatilidade às cotações foi o anúncio da oferta de ações da Saudi Aramco, que no último domingo, divulgou o cronograma e a estratégia para sua abertura de mercado.

Contudo, no final do pregão, os preços desaceleraram o movimento de alta, devido ao fortalecimento do dólar no mercado internacional, o que acabou encarecendo os contratos na conversão em outras moedas.

Como resultado, o petróleo vendido no West Texas Intermediate (WTI) de referência americana, para entrega em dezembro avançou 0,60%, sendo negociado a US$56,54 o barril.

Já o petróleo Brent para janeiro, comercializado na ICE de Londres, de referência global, subiram 0,70%, fechando na cotação de US$62,13 o barril.

Noticiário Corporativo: Telefônica Brasil registra queda de 70% no lucro, mas apura maior receita dos últimos 3 anos

A Telefônica Brasil (VIVT4), controladora da operadora Vivo, registrou um lucro líquido contábil de R$965,11 milhões no terceiro trimestre, o que equivale a uma queda de 70% em relação aos R$3,17 bilhões apurados no mesmo período do ano passado.

Isso porque, a companhia teve um impacto positivo de R$1,38 bilhão com uma reversão de impostos proveniente de uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), há cerca de um ano atrás.

No entanto, a receita operacional líquida do intervalo cresceu 2,61%, atingindo o montante de R$11,04 bilhões, sendo o maior valor dos últimos três anos, conforme apontou o presidente executivo, Christian Gebara.

Ele explicou que o grande motor do bom desempenho foi o aumento de 6,6% no segmento de telefonia móvel, para R$7,16 bilhões, e a expansão em 31,5% das vendas de aparelhos, totalizando R$645 milhões.

“Fomos melhores no pré-pago, em M2M (machine-to-machine), em fibra óptica e em aparelhos” – comentou Gebara.

O Ebitda do período (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente contábil foi de R$4,47 bilhões, anotando um avanço de 15,2%, e a geração de caixa excluindo o IFRS 16 declinou 15,1%, para R$4,06 bilhões.

Gebara também disse aos investidores que o cenário para consumo da população está maior neste último trimestre, sobretudo, em função das reformas estruturais que o governo vem fazendo e a liberação do saque do FGTS.

Além disso, ele destacou seu otimismo com a Black Friday e com os sinais positivos de reação nos indicadores macroeconômicos, projetando um crescimento maior nos serviços de telefonia em 2020.


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