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Ibovespa desvia da recuperação externa e cai com cenário político

Por Pablo Vinicius Souza
15 maio 2019 - 18:24
projeção para o Ibovespa

O pregão desta quarta-feira (15) foi de grandes movimentações! O Ibovespa, que chegou a cair quase 2% nas primeiras horas de negociação, desacelerou as perdas após o presidente americano, Donald Trump, anunciar a decisão de adiar em seis meses a elevação das tarifas sobre as importações de autopeças.

A notícia trouxe ânimo aos mercados internacionais, mas não foi o suficiente para reverter a queda do índice geral na B3. As tensões no cenário político pressionaram o desempenho das ações, sobretudo em relação à convocação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, para ir ao Congresso prestar esclarecimentos.

Em um dia de forte mobilização da população nas ruas contra o contingenciamento nos gastos da educação e a reforma da Previdência, o ministro compareceu diante dos parlamentares para explicar o porquê do governo cortar 30% das verbas destinadas às universidades públicas.

No fechamento desta edição, a sessão de deliberação do assunto na Câmara ainda não havia terminado. Outro foco de tensão que atinge o governo é a possibilidade de a Medida Provisória 870 da reforma administrativa caducar e Bolsonaro ter que recriar mais dez ministérios, aumentando os gastos do executivo.

Como resultado, a Bolsa brasileira encerrou em queda de 0,51%, recuando aos 91.623 pontos, registrando um volume financeiro de R$11,325 bilhões.

Dólar sobe a R$3,99 no maior patamar desde outubro

Depois de subir quase 1% contra o real brasileiro, alcançando o patamar de R$4,02, o dólar comercial recuou e fechou em R$3,99, no maior nível desde 1º de outubro. O movimento ocorreu junto com a melhora do exterior, porém foi muito limitado pelas turbulências no cenário político.

Com isso, a moeda brasileira teve um dos piores desempenhos dentre as 31 divisas globais mais negociadas, sobretudo as que são ligadas à exportação de commodities. Os pares emergentes subiram contra o dólar, com a lira turca (+0,50%), o rublo russo (+0,44%) e o peso mexicano (+0,46%) ficando em destaque.

Os contratos de juros futuros encerraram com redução nas taxas, com o mercado de renda fixa realizando importantes ajustes nos preços. Sem grandes catalisadores no momento, as mudanças estão sendo motivadas pela crescente expectativa no corte da taxa básica de juros.

Com os dados da atividade econômica cada vez mais fracos, as discussões sobre o recuo na Selic ganham espaço. As perspectivas sobre a política monetária têm blindado os juros contra a alta volatilidade vista nos mercados e isso tem limitado o espaço para os investidores adicionarem prêmio.

Com isso, o DI com vencimento para outubro/2019 subiu para 6,41% (6,40% no ajuste anterior), o DI para março/2022 avançou para 7,66% (7,64% no ajuste anterior) e o DI para dezembro/2025 saltou para 8,78% (8,74% no ajuste anterior).

Variações nas Commodities

Petróleo – Os contratos futuros de petróleo encerraram em alta, reagindo à redução da oferta global da commodity registrada no mês de abril. De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), a oferta total de produto recuou 300 mil barris por dia, em comparação ao mês anterior.

Dentre os fatores que impulsionaram a alta dos preços podem ser citados os embargos à Venezuela, às sanções impostas ao Irã e o declínio gradual na produção dos países que não integram a Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep).

O petróleo WTI para entrega em junho aumentou 0,39%, sendo cotado a US$62,02 o barril, vendido em Nova Iorque e o petróleo Brent para entrega em julho subiu 0,74%, sendo cotado a US$71,77 o barril, comercializado em Londres.

Noticiário Corporativo – Estatais em Foco

Petrobras (PETR4) – A Petrobras realizou algumas mudanças nas regras do processo de desinvestimento da Liquigás e adicionou restrições à venda da distribuidora para suas maiores concorrentes, Ultragas, SHV e Nacional Gás.

Segundo notícia divulgada pelo Valor Econômico, a companhia retomou o processo de venda da Liquigás agora em março para conseguir concluir a operação em um prazo razoável, tendo em vista que há um ano atrás o Cade vetou a aquisição do referido ativo pelo Grupo Ultra por R$2,8 bilhões.

A Cosan, que atua na distribuição de combustíveis, lubrificantes, energia e infraestrutura, também manifestou interesse na compra de ativos da Petrobras, principalmente nas refinarias, mesmo que o conselho de administração ainda não tenha tomado uma decisão formal a esse respeito.

Movimentações na B3

As ações de maior liquidez da Bovespa encerraram mistas, apurando perdas e ganhos para diferentes setores. Com destaque para as mínimas da sessão:

  • Via Varejo (VVAR3) -4,40%
  • Kroton (KROT3) -6,12%
  • Embraer (EMBR3) -3,75%
  • Magazine Luiza (MGLU3) -3,06
COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 14/05 15/05 Ativo 14/05 15/05
Petrobras (PETR3) -0,07% +1,26% Vale (VALE3) +0,15% +0,48%
Petrobras (PETR4) +0,35% +0,31% Embraer (EMBR3) +0,21% -3,75%
Eletrobras (ELET3) +6,98% -0,19% Banco do Brasil (BBAS3) -0,89% -1,23%
Eletrobras (ELET6) +3,61% -0,03% Cemig (CMIG4) +1,28% -2,69%

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SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 14/05 15/05 Ativo 14/05 15/05
Itaú Unibanco (ITUB3) -0,40% +0,11% Usiminas (USIM3) +0,10% -2,15%
Santander (SANB11) +2,31% -1,61% CSN (CSNA3) +4,67% -0,28%
Bradesco (BBDC3) -0,99% -1,14% Gerdau (GGBR4) +0,72% -0,72%

 

 

 


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